Capítulo 6- Um esboço inicial
A Teoria de Modelos da Matemática, estudada por Alfred Tarski, assume, inicialmente, a pré-existência de objetos matemáticos e propõe o estudo da representação de conceitos matemáticos em termos de teoria de conjuntos. Diferente desta teoria e de tantas outras, nós não admitimos a pré-existência de nenhum conceito fixo, todos foram submetidos à análise minuciosa e extraímos apenas aquilo que, realmente, era fundamental.
Conforme dito, nossa primeira ação investigativa se deu pela análise de todas as palavras de um dicionário da Língua Portuguesa seguindo a ordem alfabética, precedemo com a eliminação de palavras repetidas, conceitos equivalentes, tentando sempre reduzir as redundâncias. Também descartamos todas palavras que poderiam ser escritas utilizando aquelas que já estavam em nosso crivo, enfim, registramos apenas as palavras fundamentais e indivisíveis. Esta ação proporcionou a constatação de alguns padrões que implicaram na eliminação de classes de palavras por completo utilizando as palavras "ter", "fazer" e "não", vejamos os casos mais triviais:
Substantivos Concretos: São partes do Todo, partes aparentemente rígidas ou assim definidas por nós, por exemplo: Casa, lápis, camisa e etc... São entes palpáveis os quais denominaremos por letras.
Substantivos Abstratos: Também são partes do Todo que denominaremos por letras, estes são entes não palpáveis, muitas vezes indicam uma emoção, pensamentos ou ações que são um conjunto de reações químicas ou então partes dos outros 95% do Universo que não conhecemos. Um exemplo que podemos tomar é o Monoteísmo que é a crença de que Deus existe e é Único, uma crença é um registro cerebral, um pensamento fervoroso que não pode ser questionado o qual deve ter uma parte dentro dos 95% já citados. Resumindo: Abstrato é aquilo que não é concreto.
Adjetivos: Todos os adjetivos do dicionário podem ser substituídos por substantivos, por exemplo:
João é alto = João tem altura
Este é um caso no qual utilizamos a palavra fundamental "ter", ele demonstra que os adjetivos nada mais são do que um recurso da linguagem para se ter uma comunicação mais direta e simples, este exemplo também nos ajuda a ver que o verbo "ser" é sinônimo de "ter" (ser bonito = ter beleza). O conceito de altura é relativo, poderíamos estabelecer que alto equivale à ser maior do que 1,80m, assim teríamos: x é alto = x tem e medida > 1,80m.
Verbos: Todos os verbos do dicionário podem ser substituídos por substantivos, por exemplo:
Pintar = fazer ter tinta(concreto)
Amar = fazer ter amor(abstrato-algo dinâmico)
Este é um caso no qual utilizamos as palavras fundamentais "ter" e "fazer", ele demonstra que os verbos nada mais são do que estruturas do tipo "fazer"+"ter"+"substantivo".
O esboço da teoria é o conjunto de todas as coisas Ω que possui duas propriedades interdependentes: O "ter" e o "fazer". O "não" foi descartado como um possível candidato para "o núcleo", pois, ao descrevermos algo por completo, automaticamente já estamos dizendo aquilo que ele não tem, por exemplo: "O carro é branco" = "O carro não é verde, não é azul, não é preto e etc...". Apesar disto, muitas vezes utilizaremos o "não" para simplificar as expressões.
O "ter" e o "fazer" estão atrelados, pois a própria existência do todo implica em suas ações, o conjunto de todas as coisas que compõem algo e o que o cerca determinam as consequências, conhecer todas as variáveis propicia conhecer os resultados. Se fôssemos jogar bilhar em posse do conhecimento do vetor força inicial, do coeficiente de elasticidade, atrito e etc, poderíamos determinar as posições finais de todas as bolas. Rigorosamente falando, o único conceito primordial é Ω, sua existência implica no "ter" e no "fazer".