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sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Ateísmo x Islam: o Alcorão tem autoridade sobre a Bíblia?

 ATEÍSMO x ISLAM O Alcorão  tem  autoridade  sobre  a  Bíblia? Leonardo  Correia  Mota Há   um  grande  aumento  no  número  de  publicações  e  estudos  no  seio  do  ateísmo contemporâneo,  observa-se  um  volume  substancial  de  livros,  artigos,  canais  no  YouTube,  blogs,  vlogs, podcasts  etc.  Tal  fato  pode  ser  explicado  pela  quantidade  absurda  de  material  contraditório  e  bárbaro presente  nas  escrituras  judaico-cristãs  (Bíblia  e  Torá).  O  Alcorão  nos  diz  que  Deus  revelou  a  Torá  e  o Evangelho  (não  evangelhos),  mas  não  afirma  que  eles  foram  preservados. Quase  todas  estas  fontes  de  informação  do  ateísmo  partilham  de  uma  coisa  em  comum: alimentam-se  atacando  o  cristianismo.  O  fato  é  que  o  Islam  nos  diz  que  os  cristãos  estão  condenados  à discórdia  até  o  Dia  do  Juízo  Final,  portanto,  atacá-los  é  como  “chutar  cachorro  morto”: “E  dentre  os  que  disseram:  ‘Por  certo,  somos  cristãos’,  firmamos  sua  aliança,  porém  eles  esqueceram parte  do  que  lhes  foi  lembrado,  então  incitamos  a  hostilidade  e  aversão  entre  eles,  até  o  Dia  da Ressurreição.  Logo  Deus  os  informará  do  que  realizavam.”    (ALCORÃO,  Cap.  5,  Vs.  14). Outro  fato  importante  é  que  o  Alcorão  deve  prevalecer  sobre  as  escrituras  anteriores,  desta forma,  todo  o  trabalho  dos  ateus  deveria  ser  revisto: نم هيدي نيب  امل  اقدصم قحلٱب بـتكلٱ كيلإِ  آَنلزنأَو هيلع  انميهمو بـتكلٱ “E  fizemos  descer  o  Livro  para  você  com  a  verdade  confirmadora  daquilo  que,  da  escritura,  estava entre  as  duas  mãos  e  sobre  ela  predominar.”  -Tradução  literal  própria  -  (ALCORÃO,  Cap.  5,  Vs.  48). “We have revealed  to  you  ˹O  Prophet˺  this  Book  with  the  truth,  as  a  confirmation  of  previous  Scriptures and  a  supreme authority  on  them.”  (Tradução  do    Dr.  Mustafa  Khattab,  the  Clear  Quran)1. “And  We  have  revealed  to  you,  [O  Muḥammad],  the  Book  [i.e.,  the  Qur’ān]  in  truth,  confirming  that which  preceded  it  of  the  Scripture  and  as  a  criterion  over  it.”  (Saheeh  International). “And  We  sent  down  to  yousg  the  Scripture  with  truth,  confirming  whatever  scripture  that  preceded  it and  an  overseer  over  it.”  (Fadel  Soliman,  Bridges’  translation). “We  sent  to  you  [Muhammad]  the  Scripture  with  the  truth,  confirming  the  Scriptures  that  came  before it,  and  with  final  authority  over  them.”  (Abdul  Haleem). “We  have  revealed  to  you  [O  Prophet]  the  Book  in  truth,  confirming  the  scriptures  that  came  before  it and  as  a  criterion  over  them.”  (Ruwwad  Center). 1 Referências corânicas:  Disponível  em:   <quran.com>.  Acesso em:  24  dez.  2021.

We  have  sent  you  down  the  Book  (the  Quran)  with  the  Truth,  to  confirm  what  was  already  there  from the   [previous]  Book  (all  God’s  books  including  Bible),  and  to   safeguard  it  [from  distortion].” (Muhammad Hijab). Aliás,  este  pensamento  estende-se  sobre  todas  as  religiões: “Foi  Ele  Quem  enviou  o  Seu  Mensageiro,  com  a  orientação  e  com  a  verdadeira  religião,  para  fazê-las prevalecer.”  (ALCORÃO,  Cap.  61,  Vs.  9). A  lógica  costuma  fazer  parte  de  discussões  religiosas  acaloradas  que  se  estendem  há  milênios, analisemos  o  seguinte  argumento  costumeiramente  utilizado  por  ateus  para  refutar  a  existência  de Deus: “Se  Deus  pode  tudo,  então  Ele  pode  fazer  uma  pedra  que  Ele  mesmo  não  pode  levantar,  portanto  Deus não  existe.” Este  raciocínio  surge  da  incompreensão  acerca  da  natureza  dos  paradoxos  autorreferenciais, repare  que  a  pessoa  que  o  utiliza  se  contradiz  dentro  da  mesma  frase,  pois,  inicialmente,  assume  a hipótese  da  onipotência  de  Deus  e,  logo  em  seguida,  diz  que  Deus  não  pode  tudo.  Isto  é  inaceitável  em qualquer   ramo  do  conhecimento,  pois  você  não  pode  contrariar  uma  premissa,  já  que  ela  é estabelecida  como  ponto  de  partida  para  a  construção  de  seu  pensamento:  pressupor  que  Deus  pode tudo  implica  que  Deus  não  pode  fazer  algo  que  Ele  não  possa  fazer,  dado  que  tudo  que  possa  ser  feito Ele  pode  fazer  (por  definição  elementar  de  Deus). A fim  de  proporcionar  um  tratamento  mais  rigoroso  e  formal,  devemos  introduzir  um  conjunto de  termos: • Np=“Deus não pode levantar a pedra p feita por ele”; • D=“Deus existe”; • T=“Deus pode tudo”; • F=“Deus faz tudo o que existe” -  Repare  que  temos  D→(T∧F) por definição  de  onipotência; • P=“Conjunto de todas as pedras que existiram,  existem  e  existirão”. Traduzimos  o  argumento  acima  por  meio  desta  terminologia  e  provamos  que  ele  nos  conduz  a um absurdo,  logo  não  pode  ser  admitido  seriamente: D→(∃p∈P|Np)∧T∧F T→¬(∃p∈P|Np)=(∄p∈P|Np)=(p∈P→¬Np) ∴D→T→(∄p∈P|Np) ∧ D→(∃p∈P|Np) Tomando N=(∃p∈P|Np),  obtemos: D→N∧¬N, absurdo.  ▄ Além  disso,  teríamos  (∃p∈P|Np)→¬T→¬D:  outro  absurdo,  pois  contraria  a  hipótese.  Logo,  se Deus  existe,  então,  automaticamente,  não  existe,  existiu  nem  existirá  uma  pedra  que  Ele  não  possa levantar.   Peço   licença   ao   leitor   para   compartilhar   um  pensamento  pessoal  que  constitui  um contraexemplo  não  formal  para  o  raciocínio  dos  ateus:  bastaria  observar  o  Universo  e  seus  corpos celestes,  eles  são  como  pedras  (gases  etc.)  colossalmente  gigantes  e,  mesmo  assim,  Allah  as  leva  para onde  quer  que  deseja  como  se  fossem  flocos  de  isopor  ao  vento.  O  problema  dos  ateus  é  que  eles imaginam  Deus  como  se  fosse  um  homem,  fato  que  os  aproxima  da  idolatria  cristã,  isto  limita  seu pensamento  ao  universo  sensorial  dos  animais.  De  acordo  com  a  ciência,  nossa  espécie  tem  menos  deum  milhão  de  anos,  enquanto  que  o  Universo  teria,  aproximadamente,  15  bilhões  e,  segundo  a concepção  religiosa,  Deus  existia  antes  disso.  Portanto,  existem  muitas  problemáticas  em  visualizá-Lo como um homem diante de uma pedra. Kurt  Gödel,  um  dos  quatro  maiores  lógicos  de  todos  os tempos  (SANT’ANNA,  2005,  p.  17)2,  forneceu  uma  prova  para  a existência  de  Deus,  cabe  ressaltar  que  esta  prova  não  é  aceita  por todos,  pois  utiliza  lógica  modal.  De  qualquer  forma,  é  muito  difícil  os ateus  terem  algum  tipo  de  perícia  no  campo  da  lógica  ou  matemática que  permita  contraporem-se  a  Gödel  ou  a  diversos  outros  cientistas teístas  renomados  (por  ex.  Newton,  Leibniz,  Euler  etc.),  contudo,  destacamos  que    são  apenas  homens e  que  Gödel  não  deve  ser  visto  como  um  tipo  de  divindade  intelectual  nem  mesmo  se  trata  de  uma unanimidade3.  Segue  uma  formalização  da  prova  de  Gödel4: 2  SANT’ANNA,  A.  S.  O  que  é  um  conjunto.  Barueri:  Manole,  2007.