sábado, 31 de julho de 2021
L3- Chomsky
A linguística, como aspirante a ciência, não está apta a propor uma teoria semântica geral que proporcione a compreensão do funcionamento da linguagem (RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.27, 42). O fracasso desta “ciência” é evidenciado pelas seguintes passagens, repare que Chomsky alude à possibilidade de uma teoria mais simples e clara (ver MOTA, 2020a):
"(...) julgo que a teoria linguística tem até agora fracassado ao querer inteirar-se com precisão da noção de 'gramática'."(RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.66,67).
"Quando se constrói a gramática de uma língua particular, uma das decisões a tomar em presença de cada classe de frases é saber se as consideraremos nucleares ou derivadas. Penso que não existe nenhum processo mecânico geral que permita resolver esta questão, assim como não existe, que eu saiba, nenhum processo mecânico geral.(...) É bem possível que outros processos e outras formas de representação (outros níveis linguísticos), de um tipo completamente diferente, se revelem necessários à elaboração de um método simples e esclarecedor para derivar todas as frases gramaticais das línguas naturais.(...) Se um processo geral e mecânico, que permitisse construir gramáticas do tipo apropriado, a partir dos dados brutos, pudesse ser elaborado (e nós estamos muito longe disso, segundo creio)..." (RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.84,85,109, 118,119).
Em seu artigo "Uma concepção transformacional da sintaxe" Chomsky realiza uma autocrítica que constitui mais um ponto favorável à relativização da importância de seus estudos:
"Com efeito, há exceções para uma grande quantidade de regras de transformação dadas acima, talvez mesmo para todas(...)" (RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.116).
Em "A noção de regra de gramática", Chomsky confirma a tese de que suas pesquisas não podem atingir um nível de profundidade desejável, pois nem sequer as ideias fundamentais são abordadas de forma rigorosa:
"A formulação precisa destas regras exigiria uma análise de noções fundamentais que iria muito além da exposição informal acima delineada, e aliás até das versões mais precisas que foram dadas antes." (RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.150).
"(...) quase todas as questões que dizem respeito à capacidade generativa das gramáticas transformacionais (...) continuam inteiramente em aberto, e, de fato, não poderão estabelecer-se enquanto os conceitos em jogo não forem mais esclarecidos." (RUWET&CHOMSKY, 1966, pg.155).
Estes fatos constituem uma grande decepção, pois, segundo Lyons (1970, pg.13): “O sistema de gramática transformativa de Chomsky foi desenvolvido (...) para propiciar precisa descrição matemática de alguns dos mais notáveis traços da linguagem."
"O estudo das propriedades formais e da capacidade gerativa dos vários tipos de gramática se faz como ramo da matemática ou da lógica, independentemente de sua relevância para a descrição das línguas naturais.(...) Até agora, a investigação matemática acerca da gramática transformativa, iniciada por Chomsky, só conseguiu progresso relativamente reduzido." (LYONS, 1970, pg.63)
De fato, Chomsky apresenta um trabalho repleto de detalhes e com um certo trejeitos de ciência exata. Porém, conforme o próprio Lyons afirma (1970, pg.15, ver pg.82), Chomsky é mais famoso devido seus escritos políticos do que por sua contribuição à compreensão da estrutura da linguagem. Na verdade, Chomsky mergulhou num ramo do conhecimento que não é muito bem estruturado e, além disso, utilizou-se de sua frágil estrutura. Portanto, era de se esperar que suas teorias apresentassem sérias deficiências.
"Cabe assinalar que é também informal o tratamento da gramática gerativa em ‘Syntactic Structures’ e na maioria dos trabalhos mais divulgados de Chomsky." (LYONS, 1970, pg.46)
De acordo com Lyons, (1970, pg.46), em Syntactic Structures, Chomsky apresenta três modelos para a descrição da linguagem, o primeiro deles ele demonstrou ser insuficiente para a análise do inglês e demais línguas naturais. O segundo seria muito mais satisfatório (pg.54), porém, Chomsky demonstrou, em seguida, que ele também possuía limitações (pg.57). Diante das dificuldades, ele assume o terceiro modelo "a gramática transformativa" como o melhor (pg.60, 76). Chomsky tentou melhorar seu sistema e, em 1965, na obra Aspects of the Theory of Syntax, ele apresentou uma teoria ampliada da gramática transformativa (LYONS, 1970, pg.46), ao que tudo indica, a mesma também apresenta limitações, pois baseia-se no terceiro modelo.
Lyons (1970, pg.103) afirma que o linguista, que desenvolve uma gramática gerativa de uma língua específica, deseja caracterizar todas suas sentenças. Porém, reforça a tese de que este é um objetivo até agora não alcançado para nenhuma linguagem natural.
Apesar dos problemas expostos, Chomsky acredita que há uma gramática universal: uma estrutura partilhada por todas as línguas (LYONS, 1970, pg.104). Tal fato pode ser constatado se considerarmos que a maioria dos seres humanos são compostos por sentidos, psicologia e fisiologia equivalentes, tais fatores gerariam línguas cuja estrutura reflete a mesma realidade, portanto as línguas possuem um núcleo comum.
"(...) registrei que devemos, pelo menos, encarar a possibilidade de que a teoria da gramática gerativa de Chomsky seja um dia abandonada, por consenso dos linguistas, como irrelevante para a descrição das línguas naturais. Devo acrescentar que pessoalmente acredito (e muitos linguistas partilharão dessa crença) que ainda que se revele falha a tentativa de Chomsky para formalizar os conceitos empregados na análise das línguas, essa tentativa terá aumentado amplamente nossa compreensão daqueles conceitos(...)"(LYONS, 1970, pg.115)
AS IDEIAS DE CHOMSKY - JOHN LYONS - TRADUÇÃO DE OCTANNY SILVEIRA DA MOTA E LEONIDAS HEGENBERG - EDITORA CULTRIX - SÃO PAULO - 3ª EDIÇÃO - 1970
DICIONÁRIO DE MATEMÁTICA- LUIZ F. CARDOSO - EDITORA EXPRESSÃO E CULTURA - 2001 - RJ
A GRAMÁTICA GENERATIVA - NICOLAS RUWET, NOAM CHOMSKY - TRADUÇÃO ISABEL PASCOAL - EDIÇÕES 70 - LISBOA - 1966
quinta-feira, 29 de julho de 2021
L3 - Aristóteles
ARISTÓTELES 384 a.C.-322 a.C.
Aristóteles é considerado o pai fundador da lógica formal (MORTARI, 2016, p. 46), a influência de sua lógica permaneceu intacta por mais de dois milênios e ainda possui grande importância para os estudos recentes. Suas ideias básicas estão presentes na lógica contemporânea, apesar de formuladas de um jeito diferente:
"Gostaríamos que nossa definição fizesse justiça às intuições que seguem a concepção clássica aristotélica da verdade(...)"(TARSKI, 2007, p. 160) - Ver p.187 como acréscimo.
De acordo com Haack (2002, p. 306, 309), Kant confiava na lógica aristotélica porque esta abarcaria as "formas de pensamento" as quais delimitariam todos os tipos de raciocínio que podemos ter. Kant acreditava que, desde Aristóteles, a lógica não avançara nenhum passo significativo, ela estaria pronta e seria perfeita (MORTARI, 2016, p. 50). Ele criticou duramente os filósofos que tentaram aumentá-la com capítulos psicológicos etc., afirmando que seriam ignorantes a respeito da natureza peculiar da ciência lógica. Foi uma atitude radical por um lado e muito otimista pelo outro, já que nestes primórdios da formalização do raciocínio havia poucos recursos e métodos pouco avançados.
Para Aristóteles os 10 predicados supremos são: substância, quantidade, qualidade, relação, lugar, tempo, situação, estado, ação, paixão (KNEALE & KNEALE, 1980, p.25), convenientemente há também 10 classes gramaticais (MESQUITA & MARTOS, 1994, P.26). Será que Aristóteles foi redundante ao compor estas classes? Pois bem, podemos entender substância como um substantivo concreto, paixão (vontade) como um substantivo abstrato, ação como verbo, qualidade como adjetivo, lugar e tempo como advérbios, quantidade como números – todas estas classes gramaticais podem ser descritas como composições de elementos mais simples (MOTA, 2020a), reveremos isto oportunamente. O caso das relações pode ser entendido como um conjunto de pares ordenados que também pode ser expresso por elementos mais básicos (MOTA, 2020b). Quanto à situação (circunstância) e ao estado, parecem indicar uma série de elementos que se relacionam com algo específico, portanto podem ser descritos por meio de relações.
Kant inspirou-se em Aristóteles para derivar suas tábuas dos juízos apresentando a seguinte tabela para a organização de todos os juízos possíveis com funções lógicas:
Quantidade | Qualidade | Relação | Modalidade |
Universal | Afirmativo | Categórico (inerência) | Problemático |
Particular | Negativo | Hipotético | Assertivo |
Singular | Infinito (ilimitado) | Disjuntivo | Apodítico (irrefutável) |
Podemos reparar algumas redundâncias como os pares particular/singular e afirmativo/assertivo, isto já seria o bastante para justificar evitarmos maior aprofundamento, no entanto, devemos ser compreensivos dado que a filosofia é um espaço voltado para discussões e suposições que não possui um método exato nem objetiva respostas definitivas, no entanto, Kant demonstrou um otimismo exagerado com sua classificação:
“Com efeito, através de tais funções o entendimento é completamente exaurido e sua faculdade inteiramente medida” (KANT, 1996, p. 108).
Kant também afirmava que o princípio da não contradição era o fundamento principal de todo os juízos analíticos (KNEALE & KNEALE, 1980, p. 362), isto converge com aquilo que vimos a respeito dos paradoxos, pois todos eles apresentam ou são capazes de gerar uma contradição. Apesar de haver um número reduzido de ideias contidas nesta tabela, Kant afirmava que há apenas duas formas de sensibilidade “o espaço e o tempo” que independem da experiência sensível, diante disto, podemos entender o espaço-tempo como o domínio sobre qual o conhecimento se manifesta. Concebendo que todas as ideias sejam a respeito do espaço-tempo, somos levados a questionar se elas podem ser encaradas como um elemento do espaço-tempo, pois podemos considerar a mente como algo presente no cérebro (que pertence ao espaço-tempo). Mais adiante, Kant derivou a tábua das categorias a partir da tábua dos juízos (KANT, 1996, p.9):
Quantidade | Qualidade | Relação | Modalidade |
Totalidade | Realidade | Inerência e subsitência | Possibilidade |
Pluralidade | Negação | Causalidade e dependência (causa e efeito) | Existência |
Unidade | Limitação | Comunidade (ação recíproca) | Necessidade |
Para Kant, estas categorias sintetizam todos os conceitos puros que o entendimento contém em si a priori:
“A procura desses conceitos fundamentais constitui um plano digno de homem perspicaz como Aristóteles. Entretanto, por não possuir nenhum princípio catou-os como se lhe deparavam, reunindo primeiramente dez, que denominou categorias (predicamentos). A seguir, creu ter encontrado ainda mais cinco conceitos que acrescentou sob a denominação de pós-predicamentos.” (KANT, 1996, p.109). Segundo KNEALE & KNEALE (1980, p. 28) estes pós-predicamentos eram, na verdade, seis: oposição, privação, prioridade, simultaneidade, movimento e posse. Não há uma explanação do processo de extração destes “átomos”, portanto não há motivos para crer que Kant tenha exagerado quando disse que Aristóteles “catou” tais princípios como lhes ocorriam, de forma que temos aqui o resultado de um processo não muito meticuloso. O mesmo pode ser dito de Kant, já que boa parte de seu trabalho inspirou-se nestes resultados imprecisos, apesar de ter limitado a extensão do êxito de Aristóteles:
“(...)denominam-se conceitos puros do entendimento (...), coisa que a lógica geral (de Aristóteles) não pôde efetuar” (KANT, 1996, p. 108).
A tentativa de justificar as categorias da analítica transcendental de Kant (unidade, pluralidade, totalidade, realidade, negação, limitação, substância, causa, comunidade, possibilidade, existência e necessidade) foi o objeto central da analítica transcendental que tentou mostrar que todo o conhecimento seria proveniente de combinações destas categorias em conjunto com os dados obtidos pela intuição sensível espaço-temporal. Kant tentou explicar as relações entre o entendimento e o espaço-tempo, desenvolvendo a teoria do esquematismo transcendental, na “crítica da razão pura”, cuja dificuldade ele explicita ao dizer:
“(...)se trata de uma arte oculta nas profundidades da alma humana, cujos modos reais de atividade a natureza não nos permite jamais descobrir” (KANT, 1996, p.11).
Isto pode ser entendido como a dificuldade de estabelecer relações entre coisas diferentes: categorias e fenômenos, então qual seria a ligação entre conceitos e realidade? Kant denomina esta ligação de “esquema transcendental”: não seria possível conhecer as coisas em si mesmas (noumenon), mas apenas os fenômenos que são as aparências. Esta frase de Kant também nos leva a crer que seu trabalho não apresenta uma conclusão, nem seguiu um método isento de misticismos.
Segundo Kant, o termo “analítico” indica a situação na qual o predicado está incluso no sujeito (por exemplo: um quadrado tem 4 lados), já “sintético”, grosso modo, seria um juízo não analítico que pode ser sintetizado (formado ou construído) com a junção de outros elementos. Este foi mais um ponto que suscitou críticas por parte de outros estudiosos, por exemplo:
-Quine atacou a distinção entre analítico e sintético (HAACK, 2002, p. 229);
- Gauss, o príncipe da matemática (TENT, 2008) disse, em carta para Schumacher de 1 de Novembro de 1844: “Mas mesmo com Kant a situação não é melhor; na minha opinião, a sua distinção entre proposições analíticas e sintéticas é uma daquelas coisas que acabam por ser triviais ou falsas”(KNEALE & KNEALE, 1980, p. 363), Kneale ainda ressalta que não é difícil encontrar literatura atual na qual os filósofos tentam explicar a natureza da verdade lógica usando a palavra “analítico”, embora a única definição moderna e precisa pressuponha a lógica;
- Frege não aceitava a distinção das duas espécies de juízo de Kant (KNEALE & KNEALE, 1980, p. 451);
Um caso interessante, útil para compreendermos o tipo de raciocínio que Kant apresentava, é sua refutação do argumento da existência de Deus (originário de Santo Anselmo no século XI e retomado por Descartes no séc. XVII) que nos diz que Deus tem que existir porque a essência de Deus envolve a existência. Kant contrariou esta afirmação dizendo que a existência não é um atributo ou uma determinação de qualquer coisa e, portanto, não pode estar envolvida na essência de nada. De acordo com Kneale & Kneale (1980, p. 363), infelizmente Kant não expôs satisfatoriamente as proposições existenciais, de fato temos que concordar diante do argumento acima, pois ele não chega a prová-la. Uma refutação evidente seria dizer que a existência é um atributo de tudo o que existe e que tudo aquilo que foi criado teve sua existência determinada, outras questões residuais:
1) Se a existência não é essência de nada e a verdade é diferente de nada, então a verdade não possui essência existente?
2) Se a existência não é atributo nem essência de nada, então ela não existe?
Deixemos Kant de lado e retornemos nossa atenção para Aristóteles. De acordo com Mortari (2016, p. 48, 197, 483), a teoria do silogismo foi a primeira teoria lógica na história constituindo o núcleo da lógica aristotélica. Silogismo é um tipo de argumento que sempre tem duas premissas e uma conclusão, também deve haver apenas um tipo específico de proposição: as categóricas. Estas podem ser resumidas em 4 tipos:
- todo x + (é/não é) + y
- nenhum x + (é/não é) + y
- algum x + (é/não é) + y
- nem todo x + (é/não é) + y
Existem 24 formas válidas de silogismos, razão pela qual esta teoria é considerada limitada, contudo isto não diminui sua importância. Alías, para sermos justos, devemos dar crédito aos megáricos e estóicos que desenvolveram uma lógica diferente da de Aristóteles a qual forma a base para a lógica proposicional e cuja extensão é a lógica moderna (MORTARI, 2016, p. 49).
O DESENVOLVIMENTO DA LÓGICA -1980 – 2ª EDIÇÃO Fundação Calouste Gulbenkian LISBOA – WILLIAM KNEALE, MARTA KNEALE – TRADUÇÃO DE M. S. LOURENÇO
OS PENSADORES – KANT, I. - EDITORA NOVA CULTURAL – TRAD VALÉRIO ROHDEN E UDO BALDUR MOOSBURGER – 1996
BREVE GRAMÁTICA DO PORTUGUÊS CONTEMPORÂNEO – CELSO CUNHA, LINDLEY CINTRA – 1985 – ED NOVA FRONTEIRA – 6ªEDIÇÃO
GRAMÁTICA DESCRITIVA DO PORTUGUÊS – MÁRIO A. PERIRI – ED ÁTICA – 4ªEDIÇÃO- 2005 – SÃO PAULO - SP
PORTUGUÊS – LINGUAGEM E REALIDADE – ROBERTO MELO MESQUITA E CLODER RIVAS MARTOS – 1994 – 3ªED. SÃO PAULO – SARAIVA
quarta-feira, 28 de julho de 2021
L3: Wittgenstein
Algumas pessoas consideram Ludwig Wittgenstein (1889-1951) o maior filósofo do século XX, ele desempenhou um papel central, embora controverso, na filosofia analítica do século XX
https://plato.stanford.edu/entries/wittgenstein/Ludwig Wittgenstein (consultado em 29/07/21 às 10:20), portanto, é vital nos aprofundarmos em seu pensamento para constatar se há algum vestígio de algo que possa ser aproveitado para justificar a filosofia analítica, o positivismo lógico ou a filosofia em si.
Faremos uma resenha do livro “Os Pensadores - Wittgenstein” citando apenas as páginas, da mesma forma que fizemos com Russell. Acredito que isto tornará a leitura mais objetiva e fundamentará as observações pontualmente.
Wittgenstein sentia-se deprimido devido a um sentimento de proximidade da morte que o impediria de concluir seus trabalhos em lógica, apelou para várias seções de hipnose para buscar respostas mais claras sobre lógica (pg.6).
Ele resumiu seu objetivo na seguinte frase: “todo meu trabalho consiste em explicar a natureza das sentenças”, em particular, admitia que havia um paralelismo (um tipo de isomorfia) completo entre o mundo dos fatos reais e as estruturas da linguagem, as sentenças possuiriam a mesma “forma” da realidade que representam (pg.9).
“(...) algo semelhante a uma última análise das nossas formas de linguagem, portanto uma forma de expressão totalmente decomposta(...) Isto se expressa na questão relativa à essência da linguagem(...)”(pg.62).
Esta visão está de acordo com a concepção de linguagem como uma representação da realidade que apresentei no início deste livro.
“Os temas do Tractatus estão agrupados em 7 proposições com nível crescente de complexidade”(pg.6)
1- O mundo é tudo o que ocorre;
2- O fato é o subsistir de estados de coisas;
3- Pensamento é a figuração lógica dos fatos;
4- O pensamento é a proposição significativa;
5- A proposição é uma função de verdade das proposições elementares;
6- A forma geral da função de verdade é [p,ξ,Ñ(ξ)];
7- O que não se pode falar, deve-se calar.
Entre 1 e 2 há uma redundância, pois “tudo o que ocorre” é o conjunto dos “estados de coisas”. O mesmo problema ocorre entre 3 e 4, pois “figuração lógica” é sinônimo de “proposição significativa” já que coisas sem significado são coisas sem lógica. Wittgenstein nos diz:
“Algo vermelho pode ser destruído, mas o vermelho não, e por isso a significação da palavra ‘vermelho’ é independente da existência de uma coisa vermelha”(pg.49).
Esta dedução, relacionada à questão dos universais, está incorreta, pois o vermelho não existiria se coisas vermelhas não existissem: se não houvesse a frequência e comprimento de onda que caracterizam o vermelho, não teríamos objetos refletindo a cor vermelha, portanto ele não existiria.
As proposições 5 e 6 aludem à concepção da lógica moderna de que há fórmulas atômicas à partir das quais originam-se fórmulas compostas, ele cita a visão expressa por Sócrates sobre o fato de que a única coisa possível a se fazer com os elementos primitivos seria nomeá-los (pg.43): estes seriam os “individuals” de Russell e os “objetos” de Wittgenstein. A expressão 7 parece legitimar o princípio verificacionista do empirismo lógico, em minha opinião, a forma como foi escrito implica uma atitude delimitadora para a obtenção do conhecimento. Acredito que, após estas constatações, é simplesmente impossível consertar os fundamentos do “Tractatus” e ele mesmo apoia esta visão ao ter dito, mais tarde, que o Tractatus é “extremamente insatisfatório”(pg.13). A teoria de Wittgenstein baseia-se na ideia de que a linguagem representa a realidade (pg.90), porém, como vimos acima, ele não pôde desenvolver uma teoria adequada devido sua incompreensão das sutilezas da linguagem, o que o levou a cometer erros e redundâncias. Apesar disso, sua visão a respeito da contradição como algo impossível (pg.11), que não representa a realidade, está correta. Isto serve de apoio para refutar Gödel que construiu sua teoria sobre uma contradição.
Wittgenstein afirma que nem as tautologias, nem as equações matemáticas dizem algo sobre o mundo e que todos os acontecimentos são acidentais. Além disso, para ele, o que há no mundo não seria nem bom nem mal e que estes seriam conceitos existentes apenas em relação ao sujeito (pg.12). De fato, a matemática trabalha com propriedades genéricas, os próprios números expressam isto, pois desconsideram as características de coisas diferentes limitando-se às suas quantidades. Sua concepção de bem e mal também está correta, são conceitos relativos (MOTA, 2020a), porém sua ideia de que todos os acontecimentos são acidentais carece de elementos que a sustentem.
Acredito que o fato de haver tantas inconsistências levou Wittgenstein a abandonar sua orientação logicista que caracteriza o “Tractatus”. Por exemplo: ele afirma que “existe com certeza o indizível” (pg.13), porém, esta frase diz algo sobre o indizível. Surgiu um “segundo Wittgenstein” que dizia ser preciso desfazer-se de superstições atreladas à linguagem, portanto a principal tarefa da filosofia deveria ser a eliminação dos feitiços que a linguagem poderia fazer contra o pensamento.
O 2º Wittgenstein afirma que não cabe questionar sobre o significado das palavras, mas apenas sobre suas funções práticas e aquilo que conhecemos por linguagem é, na verdade, um conjunto de “jogos de linguagem”. Além disso, para ele, a linguagem não poderia ser unificada com uma única estrutura lógica e formal (pg.14, 27), que é algo que demonstrei ser inválido (MOTA, 2020a). Wittgenstein criticou a postura dos filósofos que, para ele, deixaram-se levar pelo desejo de descobrir a essência da linguagem: algo oculto por detrás dela. A filosofia deveria mudar esta postura, seu objetivo deveria ser apenas ensinar aos homens como ver as questões, ela não pode explicar nada nem deduzir coisa alguma (pg.15). Devemos concordar com esta proposta, pois, de acordo com o que temos visto, a filosofia, realmente, não é capaz de explicar ou deduzir nada.
Alguns admiradores de Wittgenstein o consideram o pai da filosofia linguística (pg.16). Diante do que já vimos, somos levados a ver este ramo da filosofia como algo completamente destinado ao fracasso. Seria bom ver o que o próprio Wittgenstein ruminou a respeito disso, para que não cometamos nenhum falso testemunho:
“Após várias tentativas fracassadas para condensar meus resultados num todo assim concebido, compreendi que nunca conseguiria isso, e que as melhores coisas que poderia escrever permaneceriam sempre anotações filosóficas, que meus pensamentos logo se paralisavam, quando tentava contra a tendência natural, forçá-los em uma direção (...) As anotações filosóficas deste livro são, por assim dizer, uma porção de esboços de paisagens que nasceram nestas longas e confusas viagens” (pg.25).
“Com efeito, desde que há dezesseis anos comecei novamente a me ocupar de filosofia, tive de reconhecer os graves erros que publicara naquele primeiro livro (...) Gostaria realmente de ter produzido um bom livro. Tal não se realizou, mas passou-se o momento em que poderia tê-lo corrigido - Cambridge, Janeiro de 1945” (pg.26).
Finalizamos este capítulo com o trecho que atesta tudo o que foi argumentado aqui:
“Aqui encontramos a grande questão que está por trás de todas essas considerações. Pois poderiam objetar-me: “Você simplifica tudo! Você fala de todas as espécies de jogos de linguagem possíveis, mas em nenhum momento disse que o que é essencial do jogo de linguagem, e portanto da própria linguagem. O que é comum a todos esses processos e os torna linguagem ou partes da linguagem. Você se dispensa pois justamente da parte da investigação que outrora lhe proporcionara as maiores dores de cabeça, isto é, àquela concernente à forma geral da proposição e da linguagem. E isso é verdade.” (pg.52).
Apenas citar: https://plato.stanford.edu/entries/carnap/, consultado em 27/07/21 às 9:00
Os Pensadores - Wittgenstein - Tradução de José Carlos Bruni - Editora Nova Cultural - 1999 - São Paulo
terça-feira, 27 de julho de 2021
L3: O Círculo de Viena
O Círculo de Viena
De acordo com https://iep.utm.edu/viennacr/ (consultado em 29/7/21 às 8:49), o Círculo de Viena foi um grupo de filósofos organizado por Moritz Schlick em 1922. O Círculo contou com a participação de Rudolf Carnap, K. Gödel, Wittgenstein, dentre outros. O Círculo de Viena foi muito ativo na publicidade do positivismo lógico, contando com diversos congressos de epistemologia e filosofia da ciência sediados em localidades economicamente privilegiadas. O Círculo de Viena se dispersou quando o nazismo chegou ao poder, muitos deles emigraram para os EUA. Schlick decidiu permanecer na Áustria, mas em 1936 foi morto na Universidade de Viena por um estudante simpatizante do nazismo.
Devido Moritz Schlick ter liderado o Círculo de Viena sob a influência de Wittgenstein (CARNAP et al, 1975, pg.128), consideramos importante estudarmos a seu respeito durante boa parte deste capítulo, mas dedicaremos um capítulo separado para Wittgenstein. Nota-se, inicialmente, que sua visão a respeito da filosofia tradicional era negativa, pois, segundo ele, ela chegara a um estado caótico devido sua falta de rigidez para selecionar as questões que realmente faziam sentido, além disso, ela também utilizaria métodos diferentes das demais ciências (SCHLICK et al, 1975, pg.49), o que, de alguma forma, contribuia para sua desorganização. Apesar desta postura crítica, ele acabou recorrendo aos métodos que ele mesmo se opunha ao assumir que a crítica de Kant contra a “prova ontológica da existência de Deus” possuía fundamento (SCHLICK, 1975, pg.58). Ele admitiu, sem qualquer prova ou raciocínio lógico, que a existência não pode ser uma propriedade. Se admitirmos que uma propriedade é qualquer coisa que se refira a uma coisa, então a existência seria uma propriedade, pois ela se aplica a qualquer coisa existente. Se Deus existir, então ela será uma propriedade a Ele relacionada ou um será predicado: que é a mesma coisa. Apesar de cometer este erro, devo concordar com sua ideia básica a respeito da existência (se isolada do que foi dito acima). Tenho tratado o conceito de existência de forma reiterativa em meus escritos, pois o vejo como uma fonte constante de enganos e definições imprecisas que acabam gerando diversos problemas e pseudo conclusões, diante disto, constatei que Schlick chegou a uma conclusão condizente com aquela que apresentei (MOTA 2020a):
“’Existe x’ equivale a dizer que ‘x é real’, que ‘x é uma realidade’” (SCHLICK et al, 1975, pg.58)
Apesar desta convergência de pensamentos, Schlick comete mais dois enganos relacionados à existência:
1°- Ao dizer que a frase de Descartes “eu existo”, em referência aos conteúdos da consciência, é “completamente desprovida de sentido, não exprime nada, não contém conhecimento algum” (SCHLICK, 1975, pg.61). Notamos que, se a fala de Descartes não exprime nada, então não conseguiríamos nem ao menos falar sobre ela. Esta declaração é uma crítica totalmente desprovida de argumentos que se assemelha a um ataque pessoal:
“Não cabe dúvida alguma de que Descartes não adquiriu nenhum conhecimento com o seu enunciado, senão que depois dele permaneceu tão inteligente ‘com antes’”(SCHLICK, 1975, pg.61)
2°- Schlick defendeu, de forma ríspida, que só podemos discutir sobre coisas cuja existência pode ser verificada (verificacionismo). Portanto, seu outro engano a respeito da existência consiste em limitá-la ao que pode ser verificado por nossos sentidos ou por extensões físicas (artificiais) destes:
“Quem, não obstante isto, acredita em tal coisa, ou melhor, quem pensa acreditar nela, só pode fazê-lo calando-se.” (SCHLICK, 1975, pg.68)
Esta segunda questão relaciona-se com a afirmação de que “limitar-se ao que é ‘dado’ (pode ser verificado) é um fundamento do positivismo lógico” (CARNAP et al, 1975, pg.197). Apesar de defender este princípio, Schlick foi um crítico de sua formulação:
“Entretanto, o mencionado princípio raramente foi formulado com clareza dentro das referidas correntes, sendo com frequência mesclado com tantas proposições inaceitáveis, que se impõe uma purificação lógica do mesmo.” (SCHLICK et al, 1975, pg.68, 69)
OS PENSADORES XLIV – MORITZ SCHLICK, RUDOLF CARNAP, KARL POPPER – 1ªED - ED. ABRIL - SÃO PAULO – 1975
domingo, 25 de julho de 2021
Sura n°19 - Maria
1- Kaaf, Haa, Yaa, Ain, Sóod.
sábado, 24 de julho de 2021
L3: Empirismo Lógico
Nesta seção, apresentaremos um resumo do artigo presente em https://plato.stanford.edu/entries/logical-empiricism/, consultado em 21/7/21 às 9:30.
O empirismo lógico estaria mais próximo de um movimento filosófico do que um conjunto de doutrinas, ele teve diversos líderes diferentes cujas opiniões se modificaram, até mesmo divergiam, com o passar do tempo. Provavelmente não exista consenso sobre algo importante entre todos os empiristas lógicos. Este caráter disperso contrasta com o adjetivo "lógico" adotado pelo grupo, na verdade, o termo "empirismo lógico" não tem fronteiras muito precisas e nada muito claro que o distinga da expressão "positivismo lógico" e "é duvidoso que qualquer limite de princípios possa ser traçado ao longo de linhas doutrinárias ou sociológicas." (apud Uebel 2013). Todos estes problemas parecem ter sido postos em segundo plano, pois o que os manteve unidos foi uma preocupação compartilhada relativa à metodologia científica e o papel da ciência na reformulação da sociedade. Hans Hahn, Moritz Schlick, Rudolf Carnap e Otto Neurath eram líderes do Círculo de Viena e Kurt Gödel comparecia regularmente a suas reuniões. A lista de seus membros, visitantes e interlocutores é impressionante, incluindo WV Quine, Alfred Tarski, Ludwig Wittgenstein, dentre diversos outros. Nem todos admitiram fazer parte do movimento empirista lógico, mas pode-se argumentar que todos fizeram contribuições para ele, mas, apesar de toda estas participações prestigiadas, o empirismo lógico provavelmente nunca obteve a aprovação da maioria dos filósofos do mundo e, em 1970, o movimento estava claramente encerrado - Karl Popper (1902-1994) chegou a afirmar ter “matado” o positivismo lógico. Em 1967, John Passmore disse: "O positivismo lógico está morto, ou tão morto quanto um movimento filosófico pode se tornar." (1967, 57), ele igualava o positivismo lógico ao empirismo lógico, portanto, consequentemente, ele também estava morto.
quinta-feira, 22 de julho de 2021
B
babaquice- y, (x>y)>(.s.m, .^(x°>y));
babar- F ou (x^y, _x^y maior do que p);
baboseira- ~babaquice;
bacana- x, x>.s.b;
bacharel- x, x.iy, _iy maior do que p;
backup- x.iy, k>z.iy, z°=x;
baderna- ~algazarra, ~anarquia;
bafafá- F, s, _F e _s maiores do que p;
bagaceira- /l, /l°.b;
baratear- x.i((x>y.[w])>(y>x.[z])), y>x.i((x>y.[k])>(y>x.[z]), _k menor do que _w), ;
barbada- F ou x>.i(.z', °.z'>x>y.[w]), y>.i(°.z', .z'>y>x.[w]), x.i(.z'), .z';
barra pesada- ~bandido;
barrar- ~afastar ou (x>y.i(x^>/l.x) ou x>/l.x)>y>(x°>/l.x);
barreira- ~barragem;
barulho- F;
basbaque- ~pessoa x, x.i(.y), °.y;
base- (x, /~abaixo.x) ou (y é base para z = °.y>°.z, .y>.z ou .iy>.iz ou .iy>w.i(.z));
baseado- (z está baseado em y = °.y>°.z, .y>.z ou .iy>.iz ou .iy>w.i(.z));
básico- ~base ou (a informação y é básica para o conhecimento de z = x°.iy>x°.iz);
batalha- F, m, (x^(x.[z], y°.[z]) e y^(y.[z], xº.[z])>(x>y.m, y>x.m) ou ('x>y.m)>(y>x.m)>(x'>y.m);
bateboca- f>r.(i(.x), s.m)>r>f.(i(°.x), s.m);
beleza- F, x, x>.s.b, (y.ix)>y^(y.[x]);
beneplácito- ~aprovação= x>y.i(x^.i(y^x>z ou y°^x>z)) ou x>y.i(x^>z, x^.i(x'>z>(y.s.b ou y.s.m)), y>x.i(y^x'>z);
bloquear- (x~c)>(/l°.x ou x.i(x°.[>/l.x]));
boato- i(.x), º.x, #(y.ix) maior do que p;
bolar- x^(.y'), x>x.i(z, >z>.y');
bônus- x.i((x>y)>z>x.[w]), x>y, z>x.[k], _k maior do que _w;
boquiaberto- x.i(º.y'), .y'>x'.s, _s maior do que p;
quarta-feira, 21 de julho de 2021
L3: Carnap
As informações disponibilizadas neste capítulo foram extraídas do artigo disponível em https://plato.stanford.edu/entries/carnap/, consultado em 27/07/21 às 9:00. Referências alternativas serão citadas quando forem utilizadas.
De acordo com www.oxfordreference.com (consultado em 21/7 às 9:15) Carnap foi um membro proeminente do Círculo de Viena e um dos principais expoentes do Positivismo Lógico antes da Segunda Guerra Mundial. Logical Syntax of Language é considerada a obra prima de Carnap, esse livro foi fortemente motivado pela busca de uma única linguagem padrão para a ciência. Até o final de 1932, Carnap ainda achava que poderia haver uma linguagem única para a sintaxe lógica, e gastou muito tempo na procura por tal sistema de linguagem. Carnap também imaginava que sua linguagem canônica poderia ser uma linguagem universal, podendo expressar toda a física e todo o conhecimento (apud Carnap 1932b), no entanto, Carnap falhou neste tão sonhado objetivo (apud Awodey & Carus 2007, 2009).
Ao assumir o "Princípio da Tolerância", o qual comentamos na seção anterior, Carnap adota um pluralismo linguístico no qual não há certo ou errado, sua "linguagem universal" passou a ser considerada como apenas um exemplo.
"Na lógica, não há moral. Todos são bem-vindos para estabelecer sua lógica, ou seja, sua forma de linguagem, como bem entender. Se ele quiser discutir isso conosco, entretanto, ele precisa declarar suas intenções claramente e dar especificações sintáticas ao invés de debates filosóficos. (LSS: §17)"
Em seu "Aufbau (1928)" (A estrutura lógica do mundo), Carnap imaginou um sistema de conhecimento que pudesse ser dedutivo. Carnap acabou agindo de forma semelhante a Frege, pois havia sido seu aluno, tal fato é um ponto negativo tendo em vista o que já vimos a respeito de Frege. Carnap também foi estimulado pela teoria de Tarski (http://www.fafich.ufmg.br/~margutti/Rudolf%20Carnap%20-%20Stanford%20Encyclopaedia%20of%20Philosophy.pdf, consultado em 20/07/21 - 20:00
pg. 2), estes fatos nos levam a pensar que Carnap possuía uma tendência a seguir algumas doutrinas com ares formais, apesar de ter um senso crítico mais ativo em relação à filosofia tradicional. De fato, Carnap afirmou que muitos problemas filosóficos são pseudoproblemas resultantes do mau uso da linguagem cuja solução (cujo caráter se de ve à Tarski) seria evitar a linguagem comum e estudar as questões filosóficas em linguagens artificiais (https://iep.utm.edu/carnap/, consultado em 21/7/21 às 9:35)
De acordo com Richardson (1998), o Aufbau foi importante para a história da filosofia analítica e sendo, talvez, o documento crucial na formação do projeto de positivismo lógico e também a "tentativa" mais trabalhada de Carnap para fornecer uma epistemologia geral do conhecimento empírico.
Em 1930, a tendência "wittgensteiniana" do Círculo de Viena entrou em colapso. Carnap passou a noite de 21 de janeiro de 1931 em claro para propor uma base alternativa para o movimento (apud Awodey & Carus, 2009). Carnap abandonou Wittgenstein completamente ao adotar um postura hilbertiana. Isto provocou uma divisão no Círculo entre a "direita" que ainda seguia Wittgenstein e a “esquerda” que seguiu Carnap em sua nova proposta.
O fato de Gödel ter pensado que a abordagem de Carnap para a matemática poderia ser refutada serve de indício para desabonar Carnap caso esqueçamos, por um instante, que Gödel também estava errado e lembrarmos, também por um instante que, apesar disto, ele é considerado um dos quatro lógicos mais importantes da história. Todavia, devo dizer que a seguinte conclusão de Carnap merece um destaque positivo:
"Devemos somente retroceder até o conceito de implicação. Este é um conceito fundamental da lógica que nenhuma pessoa pode criticar ou mesmo evitar: é indispensável em toda filosofia e em todo ramo da ciência." (CARNAP, 1975, pg.150)
Carnap's construction of the world The Aufbau and the emergence of logical empiricism – autor ALAN W. RICHARDSON – editora CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS - 1998 – Cambridge