As informações disponibilizadas neste capítulo foram extraídas do artigo disponível em https://plato.stanford.edu/entries/carnap/, consultado em 27/07/21 às 9:00. Referências alternativas serão citadas quando forem utilizadas.
De acordo com www.oxfordreference.com (consultado em 21/7 às 9:15) Carnap foi um membro proeminente do Círculo de Viena e um dos principais expoentes do Positivismo Lógico antes da Segunda Guerra Mundial. Logical Syntax of Language é considerada a obra prima de Carnap, esse livro foi fortemente motivado pela busca de uma única linguagem padrão para a ciência. Até o final de 1932, Carnap ainda achava que poderia haver uma linguagem única para a sintaxe lógica, e gastou muito tempo na procura por tal sistema de linguagem. Carnap também imaginava que sua linguagem canônica poderia ser uma linguagem universal, podendo expressar toda a física e todo o conhecimento (apud Carnap 1932b), no entanto, Carnap falhou neste tão sonhado objetivo (apud Awodey & Carus 2007, 2009).
Ao assumir o "Princípio da Tolerância", o qual comentamos na seção anterior, Carnap adota um pluralismo linguístico no qual não há certo ou errado, sua "linguagem universal" passou a ser considerada como apenas um exemplo.
"Na lógica, não há moral. Todos são bem-vindos para estabelecer sua lógica, ou seja, sua forma de linguagem, como bem entender. Se ele quiser discutir isso conosco, entretanto, ele precisa declarar suas intenções claramente e dar especificações sintáticas ao invés de debates filosóficos. (LSS: §17)"
Em seu "Aufbau (1928)" (A estrutura lógica do mundo), Carnap imaginou um sistema de conhecimento que pudesse ser dedutivo. Carnap acabou agindo de forma semelhante a Frege, pois havia sido seu aluno, tal fato é um ponto negativo tendo em vista o que já vimos a respeito de Frege. Carnap também foi estimulado pela teoria de Tarski (http://www.fafich.ufmg.br/~margutti/Rudolf%20Carnap%20-%20Stanford%20Encyclopaedia%20of%20Philosophy.pdf, consultado em 20/07/21 - 20:00
pg. 2), estes fatos nos levam a pensar que Carnap possuía uma tendência a seguir algumas doutrinas com ares formais, apesar de ter um senso crítico mais ativo em relação à filosofia tradicional. De fato, Carnap afirmou que muitos problemas filosóficos são pseudoproblemas resultantes do mau uso da linguagem cuja solução (cujo caráter se de ve à Tarski) seria evitar a linguagem comum e estudar as questões filosóficas em linguagens artificiais (https://iep.utm.edu/carnap/, consultado em 21/7/21 às 9:35)
De acordo com Richardson (1998), o Aufbau foi importante para a história da filosofia analítica e sendo, talvez, o documento crucial na formação do projeto de positivismo lógico e também a "tentativa" mais trabalhada de Carnap para fornecer uma epistemologia geral do conhecimento empírico.
Em 1930, a tendência "wittgensteiniana" do Círculo de Viena entrou em colapso. Carnap passou a noite de 21 de janeiro de 1931 em claro para propor uma base alternativa para o movimento (apud Awodey & Carus, 2009). Carnap abandonou Wittgenstein completamente ao adotar um postura hilbertiana. Isto provocou uma divisão no Círculo entre a "direita" que ainda seguia Wittgenstein e a “esquerda” que seguiu Carnap em sua nova proposta.
O fato de Gödel ter pensado que a abordagem de Carnap para a matemática poderia ser refutada serve de indício para desabonar Carnap caso esqueçamos, por um instante, que Gödel também estava errado e lembrarmos, também por um instante que, apesar disto, ele é considerado um dos quatro lógicos mais importantes da história. Todavia, devo dizer que a seguinte conclusão de Carnap merece um destaque positivo:
"Devemos somente retroceder até o conceito de implicação. Este é um conceito fundamental da lógica que nenhuma pessoa pode criticar ou mesmo evitar: é indispensável em toda filosofia e em todo ramo da ciência." (CARNAP, 1975, pg.150)
Carnap's construction of the world The Aufbau and the emergence of logical empiricism – autor ALAN W. RICHARDSON – editora CAMBRIDGE UNIVERSITY PRESS - 1998 – Cambridge