quinta-feira, 17 de dezembro de 2020
L3 - Cap1: Terminologia
L3 - Rascunhos e introdução
Leonardo Correia Mota
International Publication Cataloging Data (CIP)
Author
QI9.M917g
Mota, Leonardo Correia, 1984-
Mathematical Genesis
Mathematical Genesis
An Application of Nuclear Theory of Languages/Leonardo Correia Mota.
São Paulo, 2020.
159 p.: 12,50 x 18 cm
Bibliography.
ISBN 979-86-876292-1-8
I. Mathematics II. Logic III. Set Theory IV. First Order Logic V. Metamathematics
I. Title
CDD: 511.3
CDU: 51
أعوذ بٱللهِ
بسم ٱللّٰه ٱلرحمن ٱلرحيم
ٱلحمد لله رب ٱلعلمين
لا إله إلا ٱلله
الله أحد
INTRODUÇÃO
Este livro tem por objetivo expor ao leitor o processo menos inteligente, porém mais natural de redução da linguagem aos seus elementos básicos constituintes, esta tarefa já foi realizada de forma mais sintética e formal considerando-se apenas as classes gramaticais (Mota, 2020, p.24), naquela ocasião, eu disse que a análise de todos os verbetes de uma língua é algo enfadonho e cansaria o leitor, porém pareceu-me conveniente explicitar isto ainda mais percorrendo este caminho. Partirei de uma lista das 5000 palavras mais utilizadas na Língua Portuguesa que, suponho, sejam suficientes para a fluência de qualquer pessoa. Tal tese pode ser questionada, para isto, basta o leitor crítico expor uma palavra que não possa ser explicada por este conjunto considerável de verbetes. A fonte é www.opensubtitles.org (consultada em 17/11/20) disponível também em https://en.wiktionary.org/wiki/Wiktionary:Frequency_lists/BrazilianPortuguese_wordlist (também consultada na mesma data). O trabalho dos desenvolvedores deste site foi feito partindo da contagem de palavras que aparecem nas legendas de filmes, portanto trata-se de um conjunto que tem a capacidade de expressar as mais variadas situações que refletem a realidade e o pensamento humano. O principal motivo que me fez adotar esta lista foi sua organização que dispõe as palavras por nível de ocorrência, sendo que a primeira será a mais popular e a última será a que menos se utiliza, desta forma, espera-se que os termos mais essenciais sejam, justamente, aqueles que estão no topo da tabela. Os outros motivos que me levaram a adotá-la são:
-seu caráter compacto (mas não incompleto), em comparação posso citar o banco de dados que encontrei no site do Instituto de Matemática e Estatística da USP (https://www.ime.usp.br/~pf/dicios/br-utf8.txt), consultado em 17/11/20, que dispõe de um conjunto imenso de palavras, justamente por incluir palavras tais como “Alcibíades” e diversas outras que não possuem propriedades intrínsecas. Além disso, vemos todas as flexões de gênero, número e grau inclusas;
-ela estar desprovida das definições que um dicionário traz, o que deixaria o texto analisado muito maior do que o que expomos aqui;
-praticidade para não ter que digitá-las.
No apêndice I, temos o conjunto de palavras a serem analisadas, cada coluna representa um milhar. A primeira contém da 1ª à 1000ª palavra, a segunda coluna contém da 1001ª à 2000ª palavra e assim sucessivamente.
O terceiro capítulo descreverá o processo de “fragmentação” das classes de palavras já realizado no livro “Teoria Nuclear das Linguagens” e falará, brevemente, a respeito desta teoria.
O quarto capítulo apresentará uma reflexão sobre os problemas e limitações da filosofia e a história do tratamento que os lógicos e matemáticos deram à linguagem. O processo mais burocrático de “redução” será feito no quinto capítulo. Para reforçar, ainda mais, os resultados obtidos por este método, consideraremos o trabalho desenvolvido por Charles Kay Ogden (1930) que reduziu a Língua Inglesa às 850 palavras presentes em http://ogden.basic-english.org/words.html (consultado em 22/11/20), isto será feito no sexto capítulo, aqui também realizaremos o mesmo processo com a intenção de demonstrar que ele não está restrito à Língua Portuguesa.
Sem linguagem a filosofia não existe.
Sem matéria o que existe?
Sem o que existe o que existe?
Língua dos felinos
estrutura de frases e orações. Com e sem >
subordinadas
não é arroganacia, é raiva.
Corpo humano e ações (mente maioria)
segunda-feira, 16 de novembro de 2020
quinta-feira, 15 de outubro de 2020
SURA Nº16 - AS ABELHAS
1- A ordem de Deus irá chegar, então não a apressem, glorificado e exaltado seja Ele, acima do que idolatram.
2- Ele faz as criaturas celestes descerem sobre quem Ele deseja, dentre Seus servos, com a inspiração de Sua ordem: "Avisem que não existe divindade senão Eu, então temei-Me."
3- Ele criou os céus e a terra com a verdade. Exaltado seja Ele acima do que idolatram!
4- Ele criou o ser humano de gota seminal, eis então um adversário declarado.
5- E os rebanhos, Ele os criou, neles vocês têm calor, benefícios e se alimentam deles.
6- E vocês têm beleza neles na hora que os levam para descansar e na hora que os levam para pastar.
7- E eles carregam vossas cargas para uma terra que não poderiam alcançar, a não ser com a dificuldade das almas. Certamente, vosso Senhor é O Mais Bondoso, O Mais Misericordioso.
8- E os cavalos, as mulas e os jumentos para os montarem e como ornamento. E Ele cria o que vocês não sabem.
9- E a Deus cabe o ajuste do caminho e, neste, existem paradas e, se Ele quisesse, certamente vos guiaria a todos.
10- Ele é Quem vos faz descer água do céus, dela bebeis e dela a vegetação brota na qual fazeis marcar.
11- Com ela, Ele vos faz brotar campos de cultivo, oliveiras, tamareiras, videiras e de todos os frutos. Certamente, nisso há um sinal para um povo que reflete.
12- E submeteu-vos a noite e o dia, o sol e a lua. E as estrelas estão submetidas por Seu Comando. Realmente, nisso há sinais para um povo que raciocina.
13- E seja o que for que Ele multiplica para vocês na terra, variadas são suas cores. Certamente, nisto há um sinal para um povo que medita.
14- E Ele é Quem submete o mar para que, dele, vocês comam carne fresca. E, dele, vocês extraem jóias com as quais vocês se enfeitam. E você vê o barco navegando nele para que vocês busquem algo de Seu Favor e para vocês agradecerem.
15- E Ele implantou firmes montanhas na terra para que não se oscilasse* convosco, e rios e caminhos para vocês se guiarem.
*Pode ser que isto seja uma forma de se dizer que as montanhas criam divisões geográficas entre os povos. Caso observemos o sentido de "espalhar" dessa raiz árabe.
16- E pontos de referência, e com as estrelas eles se guiam.
17- Quem cria seria como quem não cria? Então, vocês não meditam?
18- E se vocês contassem as graças de Deus, não poderiam enumerá-las, certamente, Deus é O Mais Perdoador, O Mais Misericordioso.
19- E Deus sabe o que vocês escondem e o que manifestam.
20- E aqueles que eles invocam além de Deus nada criam, enquanto que eles mesmos são criados.
21- São mortos, não vivos e não percebem quando serão ressuscitados*.
* Além de condenar a adoração de ídolos físicos, este trecho parece condenar a invocação de mortos: necromância e espiritismo.
22- Vosso Deus é Um Deus Único, então aqueles que não acreditam na última vida, seus corações rejeitam e eles são orgulhosos.
23- Sem dúvida que Deus sabe o que escondem e o que manifestam. De fato, Ele não ama os orgulhosos.
24- E quando é dito para eles: "O que Vosso Senhor fez descer?" Respondem: "Lendas dos primeiros (antepassados)".
25- Que eles carreguem seus fardos completos no Dia da Ressurreição e dos fardos daqueles que eles desviam sem conhecimento. Ora, que péssimo é o que carregarão!
26- Certamente, aqueles que foram antes deles planejaram, mas Deus chegou à edificação deles pelas fundações, então o teto ruiu sobre eles. E o castigo chegou-lhes por onde não perceberam.
27- Em seguida, no Dia da Ressurreição, Ele os desgraçará e dirá: "Onde estão Meus parceiros pelos quais vocês discordavam (entre si)?" Aqueles aos quais foi concedido o conhecimento dirão: "De fato, hoje a desgraça e o mal serão sobre os renegadores".
28- "Aqueles que os anjos fazem partir (para a morte) enquanto injustos consigo mesmos". Então lançarão a submissão (paz ou rendição): "Não fazíamos mal algum." - Ora, certamente Deus é O Mais Conhecedor do que estavam fazendo.
29- "Então, entrai pelos portões da Geena, nela permanecerão. E, de fato, que péssima é a moradia dos orgulhosos."
30- E será dito para os que temeram (a Deus): "O que Vosso Senhor fez descer?" Responderão: "Um bem". Para os que fizeram o bem neste mundo há um bem. E, realmente, a morada da última vida é melhor. E, de fato, que excelente é a morada dos tementes!
31- Os jardins do Éden nos quais entrarão, abaixo dos quais fluem os rios. Neles terão o que quiserem, assim Deus recompensará os tementes.
32- Aqueles que os anjos fazem partir (para a morte), enquanto benignos, dizendo: "Que a Paz esteja sobre vós, entrai no Paraíso devido ao que estavam fazendo".
33- Não esperam (literalmente "observam") senão que os anjos lhes cheguem ou que venha a Ordem de Teu Senhor? Assim fizeram aqueles antes deles, e Deus não os injustiçou, mas eles foram injustos consigo mesmos.
34- Então, as más obras que fizeram os atingiram, e aquilo que zombavam os envolveu.
35- E os que idolatram dizem: "Se Deus quisesse, não adoraríamos nada além Dele, tanto nós quanto nossos antepassados e nada teríamos proibido ao invés Dele (do que Ele proibiu)." Assim agiram os que foram antes deles. Então, não cabe aos mensageiros senão a evidente divulgação?
36- Realmente, erguemos um mensageiro em cada comunidade que (disse): "Adorem a Deus e evitem as falsas divindades. Então, dentre eles, houve a quem Deus tenha guiado e, dentre eles, houve aquele sobre o qual o desvio se cumpriu. Então, caminhem na terra e observem como foi o fim dos negadores.
37- Se você está zeloso sobre a orientação deles, então, de fato, Deus não orienta a quem Ele desvia, e eles não terão socorredores.
38- E juram por Deus, com seus mais solenes juramentos, que Deus não enviará (de volta) a quem morre. Sim, deveras é promessa que Lhe cabe, mas a maioria das pessoas não sabe.
39- Para que Ele lhes esclarecesse sobre o que discordam e para aqueles que renegam soubessem que, de fato, eram mentirosos.
40- Nosso Dito para uma coisa quando a desejamos é, apenas, que dizemos para ela: "Seja"! Então, ela é.
41- E aqueles que emigraram por Deus depois de terem sido injustiçados, certamente, Nós os estabeleceremos bem na vida terrena e, de fato, a recompensa da última vida maior se eles estão sabendo.
42- Aqueles que têm paciência e confiam em Seu Senhor.
43- E não enviamos, antes de Ti, a não ser homens. Os inspiramos, então pergunte ao povo da lembrança se vocês não sabem.
44- Com as evidências e com os Versos* e te fizemos descer a lembrança para que você esclareça para as pessoas o que foi descido para elas, para que elas reflitam.
*Vide 3:184
45- Então, será que aqueles que planejaram o mal estão seguros de que Deus não encobrirá a terra com eles? Ou de que o castigo lhes chegue por onde não percebam?
46- Ou de que Ele não os apanhará em sua prosperidade? Então não poderiam escapar?
47- O de que Ele não os apanhará gradualmente (com medo)*. Então, de fato, vosso Senhor é O Mais Bondoso, O Mais Misericordioso.
* A raiz original possui sentido de "medo" e está na forma verbal V.
48- E não viram ao que Deus criou de algo? Suas sombras se inclinam à direita e à esquerda, apresentando-se para Deus, enquanto humildes?
49- E se apresenta para Deus o que está nos céus e o que está na terra de ser animal e os anjos, e eles não se orgulham.
50- E temem a Seu Senhor, acima deles, e fazem o que lhes é ordenado.
51- E Deus disse: "Não tomem duas divindades."- Somente Ele é Deus Único. "Então, temam somente a Mim."
52- E a Ele pertence o que existe nos céus e na terra e a Ele pertence a religião constante. E então, vocês temem outro além de Deus?
53- E qualquer graça que esteja com vocês é de Deus, em seguida, quando a adversidade vos toca, é a Ele que rogais.
54- Em seguida, quando Ele vos remove a adversidade, eis um grupo de vós associando (ídolos) a seu Senhor.
55- Para renegarem o que lhes concedemos, então aproveitem, logo vocês saberão.
56- E fazem (destinam) para os que não sabem uma porção daquilo que lhes demos por sustento. Por Deus! Certamente, vocês serão questionados a respeito do que estavam inventando.
57- E fazem (atribuem) para Deus as filhas, Glorificado Seja Ele! E (atribuem) para eles (mesmos) o que desejam.
58- E, quando é dada boas novas para um deles com (o nascimento de) uma fêmea, sua face se torna obscura, enquanto fica angustiado.
59- Escondendo-se do povo por causa do "mal" que lhe fora anunciado. Ele o reterá sobre humilhação ou o enterrará no pó? Ora, que abominável é o que decidem!
60- Para os que não acreditam na última vida o exemplo do mal (o qualitativo ruim), e para Deus seja o exemplo altíssimo (o altíssimo qualitativo). E Ele é O Mais Poderoso, O Mais Sábio.
61- E, se Deus cobrasse as pessoas pela injustiça delas, não deixaria ser vivente algum sobre ela, mas adia-lhes até um tempo determinado. Então, quando seu tempo chegar, não poderão adiá-lo uma hora (sequer), nem adiantá-lo.
62- E fazem (destinam) para Deus aquilo que não gostam e suas línguas alegam a falsidade: que terão o melhor. Sem dúvida que terão o fogo e que serão abandonados.
63- Por Deus! Certamente, enviamos para as nações antes de ti, então Satã lhes aformoseou os feitos deles, então hoje ele é aliado deles. E terão um severo castigo.
64- E não fizemos o livro descer sobre ti, senão para que você lhes esclarecesse aquilo sobre o que discordavam, e como orientação e misericórdia para um povo que acredita.
65- E Deus faz descer água do céu e, com ela, vivifica a terra depois de morta. Realmente, nisto há um sinal para um povo que ouve.
66- E, de fato, nos rebanhos há uma lição para vós: damos-vos de beber do que há em suas entranhas, dentre fezes e sangue, leite seleto, saboroso para quem o bebe.
67- E dos frutos das tamareiras e das videiras, deles tomais vinho* e um belo sustento. De fato, nisso há um sinal para um povo que pensa.
*Esta raiz possui significado de inebriante, intoxicante.
68- E teu Senhor inspirou as abelhas: "Tomai casas nas montanhas e nas árvores e naquilo que eles constroem."
69- Em seguida, comam de todos os frutos, então entrem, docilmente, nos caminhos de vosso Senhor. De seus ventres sai um líquido, múltiplas são suas cores, nele há cura para as pessoas. De fato, há nisto um sinal para um povo que reflete.
70- E Deus vos criou, em seguida vos fará partir (para a morte) e, dentre vós, há quem é retornado à mais frágil idade* para não saber (mais nada), depois de ter tido algum conhecimento. Certamente, Deus é O Onisciente, O Todo Poderoso.
*Comparação entre um bebê e um idoso que depende das pessoas.
71- E Deus preferiu alguns de vós sobre outros no sustento, então aqueles que são favorecidos não retornam suas provisões ao que suas mãos direitas possuem (aqueles que estão sob seu poder "servos"). Então, nele (sustento) seriam iguais. Então, rejeitam eles a graça de Deus?
72- E Deus vos fez pares de vós mesmos e, de vossos cônjuges, vos fez filhos e netos e vos deu sustento das coisas benignas. Então, eles acreditam na falsidade e renegam a graça de Deus?
73- E adoram, em vez de Deus, o que não possui qualquer sustento para eles, nem dos céus nem da terra e são incapazes.
74- Então não atribuam semelhantes a Deus. Certamente, Deus sabe e vocês não sabem.
75- Deus propõe um exemplo: um servo adquirido, que não tem poder sobre nada, e quem demos por sustento uma boa provisão de Nossa parte, então ele despende dele, em segredo ou publicamente. Podem se igualar? O louvor pertence a Deus, mas a maioria deles não sabe.
76- E Deus propõe um exemplo: dois homens, um dos dois é estúpido, não tem poder sobre nada e ele é um fardo para seu patrão*, aonde quer que ele o envie não chega com nada de bom. Igualam-se ele e quem ordena a justiça está sobre um caminho correto?
*Esta palavra foi escolhida, pois sua etimologia nos remete à ideia de "proteção" que também é abarcada pela raiz original.
77- E a Deus pertence o invisível dos céus e da terra. E a ordem a respeito da Hora não será senão como o piscar de olhos, ou mais rápida* (ainda). Certamente, Deus é O Mais Poderoso sobre todas as coisas.
* Literalmente: mais próxima.
78- E Deus vos faz sair dos ventres de vossas mães sem nada saber*, e Ele vos faz o ouvido, as vistas e os corações para que vocês agradeçam.
*Este trecho refuta a ideia do espiritismo que diz que trazemos lembranças de vidas passadas e que reencarnamos diversas vezes.
79- Eles não viram os pássaros submetidos no espaço do céu? Nada os retêm a não ser Deus, de fato, há nisso sinais para um povo que acredita.
80- E Deus vos faz, de vossas casas, lugar de repouso, e vos faz casas das peles dos rebanhos, que vocês acham leves em vosso dia de viagem e em vosso dia de acampamento. E de sua lã, de sua pelagem e crina há posses e proveito por um tempo.
81- E Deus vos faz sombras daquilo que criou e, das montanhas, vos faz abrigos. E vos faz trajes que vos protegem do calor e trajes que vos protegem de vossa violência (mútua). Assim, Ele completa Sua Graça sobre vós, para que vocês se submetam (se islamizem).
82- Então, se eles derem as costas, apenas te caberá a evidente divulgação (da Mensagem).
83- Eles reconhecem a graça de Deus, em seguida negam-na, e a maioria deles é renegadora.
84- E, um dia, enviaremos uma testemunha de cada comunidade, em seguida não será permitido, para aqueles que renegaram (a Fé), e não serão solicitados a fazer reparações.
85- E quando aqueles que foram injustos virem o castigo, então não lhes será aliviado e não serão olhados.
86- E quando aqueles que idolatraram virem seus parceiros (ídolos), dirão: "Nosso Senhor! Estes são nossos ídolos os quais estávamos invocando ao invés de Ti". Então, lançarão-lhes o dito: "De fato, vocês são mentirosos".
87- E, nesse dia, oferecerão a submissão a Deus, e deles se desviará aquilo que inventavam.
88- Àqueles que renegaram e afastaram do caminho de Deus, lhes acrescentaremos punição sobre a punição por causa da corrupção que espalhavam.
89- E, um dia, enviaremos uma testemunha em cada comunidade, sobre eles, deles mesmos. E te traremos como testemunha sobre estes, e fizemos descer o Livro sobre ti como esclarecimento de todas as coisas, e orientação, misericórdia e boas novas para os submissos (muçulmanos).
90- De fato, Deus ordena a justiça e a bondade e dar aos próximos. E proíbe a imoralidade, o reprovável e a transgressão*. E Ele vos alerta para que vocês reflitam.
*Esta raiz também possui significado de inveja, o que não deixa de ser um tipo de transgressão.
91- E cumpram o pacto de Deus quando já o pactuaram, e não violem os juramentos após terem sido firmados, enquanto que, de fato, vocês fizeram Deus um Fiador sobre vocês. Certamente, Deus sabe o que vocês fazem.
92- E não sejam como aquela que desatava seu fio, depois de firme, em fios desfiados, tomando vossos juramentos como entrada (de forma enganosa) entre vós, por uma comunidade ser mais crescida do que outra comunidade. Deus apenas vos testa com isso. E Ele vos esclarecerá no Dia da Ressurreição o que vocês discordavam a respeito disso.
93- E se Deus quisesse, certamente vos faria uma comunidade única, mas Ele desvia a quem Ele quiser e orienta a quem Ele quiser. E, de fato, vocês serão questionados sobre o que faziam.
94- E não tomem vossos juramentos como entrada (de forma enganosa) entre vós, pois o pé escorregaria o passo após ter sido firme, e vocês experimentariam o mal por afastarem (as pessoas) do Caminho de Deus e teriam um grande castigo.
95- E não negociem o Pacto de Deus por irrisório valor. De fato, o que está junto de Deus é melhor para vocês. Se soubessem...
96- O que está convosco se esgota, mas o que está junto de Deus é permanente. E, certamente, recompensaremos aqueles que forem pacientes com recompensa melhor do que aquilo que faziam.
97- Quem fizer as boas obras, seja macho ou fêmea, sendo ele crente, certamente o faremos viver uma vida benigna. E, de fato, os recompensaremos com recompensa melhor do que aquilo que faziam.
98- Então, quando você lê o Alcorão, então procure refúgio em Deus contra o maldito Satã.
99- Certamente, ele não tem qualquer autoridade sobre aqueles que acreditam e confiam em seu Senhor.
100- Sua autoridade está apenas sobre aqueles que o tomam por aliado e aqueles que, por ele, idolatram.
101- E quando trocamos* um sinal (ou versículo) em lugar de outro sinal, e Deus é O Mais Sabedor do que Ele faz descer, dizem: "Você é apenas um inventor!" Não, mas a maioria deles não sabe.
*Muitas pessoas utilizam o fato de muçulmanos afirmarem que Allah revogou versículos do Alcorão como pretexto para difamar o Islam. O próprio Alcorão diz:
“(…)as palavras de Deus são imutáveis” 10:64
Observei que uma tradução do trecho acima colocou “promessas” no lugar de “palavras”, porém o original كَلِمَاتِ significa palavra ou decreto segundo “A Dictionary and Glossary of Koran”.
Esta doutrina de anulação baseia-se principalmente no seguinte versículo:
“Não ab-rogamos nenhum versículo, nem fazemos com que seja esquecido (por ti), sem substituí-lo por outro melhor ou semelhante. Ignoras, por acaso, que Deus é Onipotente?” 2:106 (compare como a tradução feita aqui).
A palavra آيَة “ayat” foi traduzida por “versículo”, porém ela pode ser traduzida como “sinal”, “exemplo”, “milagres” e “versículo” segundo o próprio Alcorão:
“Concedemos a Moisés nove sinais آيَاتٍ evidentes – pergunta, pois, aos israelitas, sobre isso -; então o Faraó lhe disse: Creio, ó Moisés, que estás enfeitiçado!” 17:101
“E afogamos o povo de Noé quando desmentiu os mensageiros, e fizemos dele um sinal آيَة para os humanos; e destinamos um doloroso castigo aos iníquos.” 25:37
“Ó Senhor meu, faze-me um sinalآيَةً! Disse-lhe: Teu sinal consistirá em que não poderás falar com ninguém durante três noites.” 19:10
“(Eis) um Livro Bendito, que te revelamos, para que os sensatos recordem os seus versículosآيَاتِهِ e neles meditem.” 38:29
Vimos que a palavra traduzida por “versículos” em 2:106 pode ter outros significados de acordo com o próprio Alcorão. Tomando um destes significados, as palavras do versículo 2:106 ficariam em harmonia com 10:64. A parte em 2:106 que fala “sem substituí-lo por outro melhor ou semelhante” está de acordo com a seguinte passagem referente aos sinais que Allah deu a Moisés:
“E nunca lhes mostramos prodígio آيَة algum que não fosse mais surpreendente do que o anterior. Mas surpreendemo-los como castigo, para que se voltassem contritos.” 43:48
Enfim, de acordo com os fatos apresentados, podemos concluir que a interpretação menos lógica é dizer que o Alcorão teve versículos anulados, também não faria o menor sentido ter versículos anulados em um Livro de Deus que muitos decoram… Creem em uma parte do Livro e renegam outra?!
102- Diga: "O Espírito Sagrado o fez descer de teu Senhor com a verdade, para tornar firmes aqueles que acreditam e como orientação e boas-novas para os muçulmanos.
103- E, de fato, sabemos que eles dizem: "Apenas um ser humano o ensina." (Ora) A língua daquele a que se referem é estrangeira, enquanto este está em língua árabe, clara.
104- Certamente, aqueles que nos Sinais de Deus não acreditam, Deus não os guiará e terão um severo castigo.
105- Apenas inventam a falsidade aqueles que não acreditam nos Sinais de Deus, e esses são os mentirosos.
106- Quem renegar a Deus, depois de ter tido fé (será reprovado), a não ser quem for forçado, enquanto seu coração estiver satisfeito com a fé. Mas quem abre seu peito para a renegação, sobre eles será a Ira de Deus e terão um grande castigo.
107- Isto porque eles amam mais a vida mundana do que a última vida. E Deus não guia ao povo renegador.
108- Esses são aqueles que Deus colocou um selo sobre seus corações, ouvidos e vistas. E estes são os desatentos.
109- Não há dúvida de que eles serão os perdedores na última vida.
110- Em seguida, de fato, teu Senhor, será para aqueles que emigraram, depois de terem sido provados, em seguida lutaram e tiveram paciência. Certamente, teu Senhor, após isso, será O Mais Perdoador, O Mais Misericordioso.
111- Um dia, toda alma virá argumentando por si mesma. E cada alma será compensada com o que fez, e eles não serão injustiçados.
112- E Deus apresenta um exemplo: uma cidade que era segura, tranquila. Seu sustento chegava-lhe em abundância de todos os lugares, mas renegou as graças de Deus, então Deus a fez experimentar o traje da fome e do medo devido ao que edificavam.
113- E, certamente, chegou-lhes um mensageiro, (vindo) deles, mas o rejeitaram, então o castigo os apanhou, enquanto injustos.
114- Então comam daquilo que Deus vos deu por sustento, sendo lícito e bom, e agradeçam a Graça de Deus se apenas a Ele vocês servem.
115- Ele apenas vos proibiu o animal (encontrado) morto, o sangue, a carne de porco e aquilo que foi dedicado (em sacrifício) para outro além de Deus. Mas quem for forçado, sem ser desobediente nem transgressor, então, de fato, Deus é O Mais Perdoador, O Mais Misericordioso.
116- E não digam, devido à mentira que vossas línguas alegam: "Isto é lícito e isto é proibido." Para inventarem a mentira a respeito de Deus. De fato, aqueles que inventam a mentira a respeito de Deus, não são bem-aventurados.
117- (Têm) um pequeno proveito, mas terão uma dolorosa punição.
118- E para os que são judeus, proibimos o que te narramos antes. E não os fomos injustos com eles, mas eles foram injustos contra eles mesmos.
119- Em seguida, de fato, teu Senhor para aqueles que fizeram o mal, por ignorância, depois se arrependem e se endireitam, depois disso, de fato, teu Senhor é O Mais Perdoador, O Mais Misericordioso.
120- Certamente, Abraão era (de) uma comunidade devota a Deus, direito. E não foi dos idólatras.
121- Grato por Suas Graças, Ele o elegeu e o guiou a um caminho direito.
122- E o concedemos um bem na vida terrena. E, de fato, na última vida, ele será dos íntegros.
123- Em seguida te revelamos: "Siga a crença de Abraão, (um homem) direito. E ele não era dos idólatras."
124- O sábado foi prescrito somente para aqueles que dele divergiram. E, de fato, teu Senhor julgará, entre eles, no dia da ressurreição naquilo que estavam divergindo.
125- Convoque ao caminho de teu Senhor com a sabedoria e a boa recomendação, e discuta com eles da melhor forma. Realmente, teu Senhor, Ele é O Mais Conhecedor de quem se desvia de Seu caminho e Ele é O Mais Sabedor dos guiados.
126- E se vocês afligirem, então retaliem com o mesmo com que foram afligidos. E, de fato, se vocês forem pacientes, realmente isso é melhor para os perseverantes.
127- E seja paciente, e tua paciência não é senão com a ajuda de Deus. E não se entristeça por eles e não esteja em angústia pelo que planejam.
128- Certamente, Deus é com aqueles que são tementes e com aqueles que são benfeitores.
sábado, 10 de outubro de 2020
SURA Nº15 - AL-HIJR*
*Algumas acepções para a palavra "hijr": rocha, proibido, um vale entre Al Madinah e a Síria. Talvez podemos relacionar rocha com proibição pelo fato de que o muros eram feitos a partir de pedras.
1- Álif, Laam, Rá. Esses são os versículos do Livro e claro Alcorão (A Leitura/A Recitação).
2- Provavelmente os que renegam desejem ter sido muçulmanos (submissos).
3- Deixe eles comerem e aproveitarem e (deixe) a esperança distraí-los, então logo saberão.
4- E não destruímos cidade alguma sem que ela tivesse um decreto determinado.
5- Nenhuma cidade antecipa seu tempo nem o atrasa.
6- E eles dizem: "Oh você sobre o qual a Recordação foi descida! Certamente você é um possuído*!"
*Gênios podem possuir seres humanos? Se isso fosse possível, então como é que uma pessoa seria capaz de realizar suas ações cotidianas, e como ela prestaria conta de suas ações no Dia do Juízo sendo que a maior parte do mal teria sido feito pelo gênio? A ideia de possessão está vigente em muitas religiões, porém não encontra fundamento no Alcorão. O que existe são relatos de sussurros/tentações e até ensinamentos falsos feitos por criaturas malignas que podem ser homens ou gênios, elas não podem entrar em alguém e tomar conta das ações da pessoa, esta ainda continua a ter seu livre arbítrio para escolher ou não fazer os atos sussurrados. Estas criaturas acabam se tornando, muitas vezes, “companheiras/acompanhantes” dessas pessoas. Novamente: Não há relatos de pessoas que tenham perdido o controle de suas ações para seres “dentro” delas. O versículo acima retrata a fala dos renegadores, portanto é de se esperar que não esteja de acordo com a realidade.
7- Por que você não nos faz vir os anjos se você é dos verídicos?
8- Não fazemos os anjos descerem senão com a verdade, então (nesse caso) não haveria adiamento.
9- Realmente, Nós fizemos a Recordação descer e, de fato, dela Somos Protetores.
10- E, de fato, antes de ti enviamos (a mensagem) para as seitas dos primeiros.
11- E não lhes chegou mensageiro algum sem que estivessem zombando dele.
12- Assim Nós a inserimos nos corações dos criminosos.
13- Não acreditarão nela e, de fato, se passaram os procedimentos dos primeiros.
14- E mesmo se abríssemos uma porta do céu sobre eles e seguissem elevando-se a ela.
15- Certamente diriam: "Apenas nossas vistas turvam-se, aliás, somos um povo enfeitiçado."
16- E, de fato, fizemos constelações no céu e o embelezamos para os observadores.
18- Exceto quem tenta roubar um ouvir, então uma evidente chama ardente o segue.
19- E prolongamos a terra e nela implantamos montanhas firmes e, nela, fizemos germinar de toda coisa, na medida certa.
20- E, nela, fizemos meios de subsistência para vocês e para quem vocês não são sustentadores.
21- E não há qualquer coisa, sem que seus cofres estejam juntos de Nós, e não a fazemos descer senão na medida determinada.
22- E enviamos os ventos fecundantes, então fazemos descer água do céu e damos ela de beber a vocês, e vocês não são seus retentores.
23- E, certamente, Nós damos a vida e causamos a morte e Nós somos O Herdeiro.
24- E, de fato, sabemos dos antepassados de vós e, de fato, sabemos dos sucessores.
25- E, certamente, Teu Senhor os reunirá. Realmente, Ele é O Mais Sábio, O Onisciente.
26- E, de fato, criamos o ser humano de argila de barro modelável.
27- E antes criamos os gênios do fogo de Samum*.
* Raiz com significado de poros, pequeno orifício. Talvez tal fogo seja tão intenso que penetre os poros.
28- E quando Teu Senhor disse para as criaturas celeste: "Certamente, criarei um mortal de argila de barro modelável."
29- Então, quando Eu o tiver formado e nele tiver soprado algo de Meu Espírito, então venham a ele apresentados.
30- Então, todas as criaturas celestes se apresentaram juntas.
31- Exceto Iblis, ele recusou estar com os que se apresentaram.
32- (Deus) Disse: "Oh Iblis! Por que você não está com os que se apresentam?"
33- Ele respondeu: "Não era (admissível) para me apresentar a um mortal que você criou de argila de barro modelável".
34- (Deus) disse: "Então saia dele e, de fato, és maldito".
35- E, certamente, sobre você será a maldição até o Dia da Religião."
36- Ele disse: "Me Senhor! Conceda-me um prazo até o dia no qual serão ressuscitados."
37- (Deus) respondeu: "De fato, serás dos que receberão prazo".
38- "Até o dia do tempo determinado."
39- Ele disse: "Meu senhor! Por causa do mal ao qual me condenaste, certamente, aformosearei, para eles, (o mal) na terra e farei todos eles fazerem o mal."
40- "Exceto os prediletos dentre Teus servos."
41- (Deus) respondeu: "Este é um caminho certo que Me impende."
42- "Certamente, você não terá nenhuma autoridade sobre os Meus servos, a não ser sobre quem te seguir dentre os que incorrerem no mal."
43- "E, de fato, a Geena será o lugar prometidos deles todos."
44- "Ela tem sete portas, para cada porta haverá uma porção distribuída deles."
45- "Certamente, os tementes estarão entre jardins e fontes."
46- "Entrem nele em paz e segurança."
47- E removeremos o que houver de rancor em seus peitos, serão (como) irmãos sobre leitos, frente a frente.
48- Nele não os tocará cansaço algum, nem dele serão retirados.
49- Informe Meus servos que Eu Sou O Mais Perdoador, O Mais Misericordioso.
50- E que minha punição é a dolorosa punição.
51- E os informe a respeito dos hóspedes de Abraão.
52- Quando entraram junto a ele e disseram: "Paz!" Ele respondeu: "De fato, estamos com receio de vocês."
53- Disseram: "Não tenha medo, realmente te anunciamos um filho instruído."
54- Ele disse: "Vocês me anunciam (um filho), sendo que a velhice me tocou? Então sobre o que vocês anunciam?"
55- Responderam: "Te anunciamos a verdade, então não seja dos que se desesperam".
56- Ele disse: "E quem se pode se desesperar da Misericórdia de Seu Senhor, a não ser os descaminhados?"
57- Disse (mais): "Então qual é a vossa intenção, oh mensageiros?"
58- Responderam: "De fato, fomos enviados para um povo criminoso."
59- "Exceto à família de Ló. Certamente, nós a salvaremos toda."
60- "Exceto sua mulher, determinamos que ela, certamente, será dos que ficarão para trás".
61- Então, quando os Mensageiros chegaram à família de Ló,
62- Ele disse: "Realmente, sois um grupo desconhecido."
63- Responderam: "Mas chegamos a ti com aquilo que eles estão contestando."
64- "E te trouxemos a verdade e, de fato, somos verídicos".
65- "Então vá embora com tua família durante a noite e siga suas pegadas, e que nenhum de vós olhe para trás. E passem por onde quer que sejam ordenados."
66- "E transmitimos esta ordem para ele: que os remanescentes deles seriam ceifados ao amanhecer."
67- E o povo da cidade chegou alegrando-se.
68- Ele disse: "De fato, estes são meus hóspedes, então não me envergonhem."
69- "E temam a Deus e não me desonrem."
70- Disseram: "Não te coibimos (de hospedar pessoas) dos mundos?"
71- Ele respondeu: "Estas são minhas filhas se vocês forem fazer".
72- Por tua vida! Realmente, estavam em sua embriaguez, vagando às cegas.
73- Então, o Grito os apanhou ao nascer do sol.
74- Então as reviramos de cima para baixo, e fizemos chover pedras de sijjil sobre eles.
75- Certamente, nisso há sinais para os que marcam.
76- E, de fato, elas estavam em um caminho que (ainda) permanece.
77- Realmente, nisso há um sinal para os crentes.
78- E, certamente, os companheiros de Al-Aykah (floresta densa) eram injustos.
79- Então, nos vingamos deles e, de fato, ambas estão em uma rota evidente.
80- E, de fato, os companheiros de Al-Hijr rejeitaram aos Mensageiros.
81- E lhes concedemos Nossos Sinais, então estavam lhes dando as costas.
82- E escavavam, em segurança, casas nas montanhas.
83- Então, o Grito os apanhou, logo ao amanhecer.
84- E de nada lhes valeu o que estavam conseguindo.
85- E não criamos os céus e a terra e o que está entre ambos, senão com a verdade. E, de fato, a Hora está vindo, então tolere com bela tolerância.
86- Realmente, teu Senhor é O Criador, O Onisciente.
87- E, de fato, te concedemos sete dos reiterativos e o magnífico Alcorão.
88- Não cresças teus olhos ao que fizemos, com isso, desfrutar (algumas) categorias* dentre eles, e não se entristeça por eles, e baixe tua asa aos crentes.
*Literalmente cônjuges/esposas.
89- E diga: "Certamente, sou o evidente alertador."
90- Como o que fizemos descer sobre os que partilharam.
91- Que fizeram o Alcorão em partes*.
*Esta palavra possui raiz com apenas esta ocorrência dentro do Alcorão.
92- Então, por teu Senhor! Iremos questionar a todos eles,
93- A respeito do que faziam.
94- Então proclame o que te é ordenado e se afaste dos idólatras.
95- Certamente, Nós te bastamos contra os zombadores.
96- Que fazem outra divindade junto a Deus, então em breve saberão.
97- E, em verdade, sabemos que teu peito se constrange com o que dizem.
98- Então, glorifique a Teu Senhor com louvor e seja dos que se apresentam.
99- E adore a Teu Senhor até a certeza te chegar.
quinta-feira, 3 de setembro de 2020
Rudimentos da TNL
ÍNDICE
Relação de Símbolos Utilizados
Introdução
1. A Teoria Nuclear da Linguagens
1.1 Construção dos números naturais
1.2 Definições prévias
2. Lógica
2.1 Linguagem
2.1.1 Variáveis
2.1.2 Conectivos
2.1.3 E
2.1.4 Ou
2.1.5 Implicação
2.1.6 O não e o primitivo
2.1.7 Quantificadores
2.1.8 Delimitadores
2.1.9 Igualdade e constantes
2.1.10 Símbolos relacionais e funcionais
2.1.11 Conclusão
2.2 Semântica
2.3 Axiomática
2.4 Metamatemática
3. Teoria dos conjuntos
AGRADECIMENTOS
RELAÇÃO DE SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES UTILIZADOS
∀x Para todo x
∃x Existe x
∄x Não existe x
x∈y x pertence a y
x∉y x não pertence a y
x⟶y x implica y
▄ Como queríamos demonstrar
~x x é um conceito derivado (não primitivo/gerado pela TNL)
x(y, z) x é um conceito derivado de y e z
TNL Teoria nuclear das linguagens
LP Lógica proposicional
LPO Lógica de primeira ordem
LN Linguagem natural
TC Teoria dos conjuntos
LLPO Linguagem da lógica de primeira ordem
SLPO Semântica da lógica de primeira ordem
ALPO Axiomática da lógica de primeira ordem
INTRODUÇÃO
A ideia central deste livro é proporcionar a construção da Matemática utilizando a Teoria Nuclear das Linguagens (TNL) que fornece um pequeno conjunto de palavras capazes de gerar todas as linguagens, códigos e conceitos. Em linhas gerais, a TNL proporciona uma formalização da linguagem natural (LN) e esta é capaz de gerar a lógica de primeira ordem (LPO) e a Teoria dos Conjuntos (TC) que, juntas, podem formalizar toda a matemática:
TNL⟶LN⟶(LPO+TC)⟶Matemática
O livro “Teoria Nuclear das Linguagens” demostra o processo de obtenção deste núcleo extraído da linguagem e o confronta com os fundamentos da Matemática e da Física, estes não puderam provar ser mais fundamentais do que a TNL, ela foi capaz de reescrever ou demonstrar inclusive axiomas. Este fato coloca esta teoria como ponto de partida obrigatório para a formalização de conceitos os quais, costumeiramente, se escoram demasiadamente sobre a linguagem natural. Iniciaremos com um capítulo que versará sobre as principais características e resultados da TNL, isto servirá de ferramenta para que fragmentemos os conceitos da LPO e da TC por meio da TNL, escrevendo-os em função do núcleo gerador da LN. A implicação TNL⟶LN já foi demonstrada no livro sobre a TNL, aqui provaremos que TNL⟶(LPO+TC), pois já é um fato reconhecido que (LPO+TC)⟶Matemática, assim como LN⟶(LPO+TC):
“Qualquer sistema lógico que é apropriado para analisar línguas naturais, precisa de uma estrutura muito mais rica que a lógica de primeira ordem".
(Gamut 1991, p. 75).
Após a apropriação dos fundamentos e principais resultados da TNL, analisaremos as particularidades da LPO que se organiza em três partes fundamentais: linguagem, semântica e axiomática. Mostraremos que a TNL pode gerar esta linguagem e que esta, por sua vez, gera a semântica e a axiomática. De acordo com o contexto apresentado, utilizaremos a expressão “x(y, z)” quando x for um conceito artificial não primitivo, ou seja, derivado dos conceitos mais fundamentais y e z (pode haver mais conceitos dentro dos parênteses). Nesse momento do livro já teremos:
TNL⟶LLPO⟶(SLPO+ALPO)
Já que LPO=(LLPO+SLPO+ALPO), então teremos a possibilidade de simplificar a análise e compreender a artificialidade dos teoremas metamatemáticos de Gödel compondo uma crítica ao caráter prolixo, ambíguo e redundante de definições que se mesclam formando a base dos estudos metamatemáticos do último século. Desta forma, restará apenas fazermos o mesmo para a TC, isto já foi feito com os axiomas de Zermelo Fraenkel no livro sobre a TNL, aqui retomaremos parte do que já foi feito, mas faremos isto com um pouco mais de detalhes e atenção voltada para os conceitos de relação, função, ordem e equivalência. Também daremos uma atenção especial para o axioma da escolha. Finalizando este processo, teremos formalizado toda a matemática que se mostrará limitada em comparação com a TNL, pois é resultado de uma limitação da LN e está restrita a algumas peculiaridades que iremos expor.
Portanto, tendo em mente que os fundamentos das ciências estão organizados de forma intuitiva e empírica, o objetivo proposto se mostra vital para a formalização e fundamentação sólida desta ciência que, historicamente, serve de base para as demais.
1. A TEORIA NUCLEAR DAS LINGUAGENS
Neste capítulo apresentaremos um resumo das principais características e resultados da TNL. Ela afirma que todas as palavras e ideias podem ser geradas mediante combinações dos conceitos fundamentais ter e fazer, os quais aplicam-se aos substantivos produzindo todas as linguagens e códigos. Estes seriam os únicos conceitos fundamentais. A linguagem é entendida como uma representação da realidade e surgiu em um momento histórico, portanto não deve ser vista como algo primordial já que foi sendo construída ao longo do tempo.
Sua simbologia utiliza apenas dois caracteres fundamentais (. e >), o ponto indica o ter e a "seta" indica o fazer. O “não” foi descartado como um possível candidato para este núcleo, pois seria uma forma de expressar, de forma sintética, todo um conjunto maior de fatos, exemplo: a casa não é verde = a casa é amarela ou vermelha ou branca ou azul ou rosa… Também, ao dizermos que uma casa é amarela, estamos dizendo que ela não é azul, nem roxa nem qualquer outra cor diferente da cor amarela.
EXEMPLOS DE FÓRMULAS DA TNL
x.y=x tem y;
x>y=x faz y;
x.(>y)=x tem fazer y / x pode fazer y;
x>(y>z)=x faz y fazer z / x utiliza y para fazer z;
(y.z)>(z.x.z) = Apenas x é y / y tem z faz z ser igual à x;
°x=não x/complementar de x;
x°.y=x não tem y;
x.=x tem algo, ou “x e o ter”.
Observação: inserimos um símbolo para o “não” por uma necessidade prática.
Lista de resultados matemáticos e metalinguísticos da TNL:
Definição precisa de conceitos sem a necessidade de entes primitivos;
Refutação dos teoremas de Kurt Gödel;
Fórmula exata para o conceito de existência: ∃x equivale a afirmar que x∈x;
Demonstração de axiomas, crítica e refutação de alguns axiomas de Zermelo-Fraenkel;
Construção dos números naturais, axiomática de Peano e respectivas operações;
Demonstração da existência do conjunto de todas as coisas;
Construção das classes de palavras.
A TNL demonstrou ser uma teoria mais fundamental do que a Matemática, pois pôde confrontar até seus axiomas e conceitos mais básicos, desta forma, esta obra apontará algumas inconsistências, ambiguidades e redundâncias presentes na formalização desta disciplina.
1.1 CONSTRUÇÃO DOS NÚMEROS NATURAIS
A TNL nos permite construir os números naturais e operações aritméticas, isto é vital para os propósitos deste trabalho, pois são conceitos que estão enraizados na LPO e TC:
| = Unidade identificada por um traço;
||.2.|| = ||.2 e 2.|| (|| = | e |);
|||.3.||| (||| tem 3 e 3 tem |||);
(...)
(|.x)>x.| (Por definição a unidade é indivisível para os números naturais);
A soma, por exemplo, pode se derivar a partir da TNL da seguinte forma:
Soma: a+b = °(0.b.0)>(a.| b°.|)
“Se b não é zero, então faça a ter | e b não ter |”.
A construção dos números naturais se dá pelos axiomas de Peano que demonstraremos a seguir:
1) 0 é um número natural:
Aqui temos uma afirmação resultante da construção dos naturais e não algo proveniente de uma demonstração, tal fato poderia ser indicado por (0°.| N.0) (Zero não tem a unidade e os naturais têm zero. Logo o zero é um símbolo que indica a ausência de unidade, sua presença em determinada casa decimal representa que o número não possui valor nesta casa, o número 2037, por exemplo, não possui valor na casa das centenas.▄
2) Todo número natural n possui um sucessor s(n):
Novamente temos um resultado proveniente da construção do naturais que pode ser escrito pela fórmula .|>.|| (ter | faz ter outro | ao lado dele). Esta fórmula recursiva gera todos os naturais:
.|>.||>(.|)|>(.||)|>.||| = 1>2>3…
Ou seja, N.n>N.n| ▄
3) 0 não é sucessor de nenhum número:
Este fato pode ser demonstrado se considerarmos os aspectos da construção dos números naturais. Suponha, por absurdo, que exista um n natural tal que s(n) = 0, então n| = 0 o que implica que n|.0.n|, mas, por definição, zero não possui a unidade, absurdo.▄
4) Se s(n) = s(m), então n = m:
Prova: Suponha, por absurdo, que n é diferente de m, por simplicidade tomaremos um x pertencente à m que não seja elemento de n, logo m.x e n°.x. Portanto m|.n|.m|.x>n|.x> n.x ou |.x, mas n°.x o que implica que |.x, já que | é indivisível, isto indica que x não existe ou que x = |, neste último caso teríamos n°.m>n|°.m|, absurdo, pois n|.m|.▄
5) Seja S um subconjunto dos números naturais que possui as seguintes propriedades:
a) 0 pertence à S;
b) Se n pertence à S, então s(n) pertence à S.
Então, S é o conjunto de todos os números naturais.
Temos um axioma recursivo, a demonstração é semelhante ao axioma 2. Das propriedades "a" e "b", temos que S.s(o)>S.s(s0)>S.s(s(s(0)))... O que equivale a escrevermos S.0>S.|>S.||>S.|||... Logo, S pode ter um n tão grande quanto se queira. ▄
1.2 DEFINIÇÕES PRÉVIAS
Antes de inciarmos o estudo da LPO definiremos, por meio da TNL, mais alguns conceitos que serão vitais para sua formalização, pois ela os utiliza de forma intuitiva sem rigor:
Sequência finita e função: uma sequência finita será uma função com domínio S, onde S é um subconjunto de N que é diferente de N, ou seja N.S°.N. Onde f: A→B é uma função, se e somente se:
(A.x)>(.f(x),B.f(x)) ou B.(f(A))
(B.f(x), B.b, b.f(x) ) > f(x).b> b=f(x)O valor de f(x) é único, trataremos este conceito com maior rigor no capítulo sobre a TC;
Menor ou maior: x será maior do que y se >x°.y>N.x, ou seja: fazer x não ter y faz x ainda ser um natural, caso contrário será menor do que y, se for zero então será igual;
N-ário: quando se refere a uma n-upla que é um conjunto de n variáveis representadas de forma ordenada por (x1,x2,…,xn). Para construir uma n-upla, basta fazermos isto para cada n natural: N.n>.(x1,x2,…,xn). O conceito de variável será formalizado mais adiante;
Uma relação entre dois conjuntos A e B pode ser entendida como um subconjunto qualquer do produto cartesiano entre estes dois conjuntos que nada mais é do que o conjunto de todos os pares (a,b), onde a∈A e b∈B. Na TNL temos:
(A.a,B.b)>(AXB).((a,b))
Uma função nada mais é do que um tipo particular de relação. Uma forma sintética de se escrever isto seria:
R é uma relação de A com B <>
.A .B A.a>(.b B.b aRb)
Repare que a ideia de ordem está embutida aqui, pois escrevemos aRb e não bRa.
2. LÓGICA
A teoria dos conjuntos e a lógica de primeira ordem podem formalizar toda a matemática, porém ambas dependem da linguagem natural para se fundamentar, é neste ponto que a TNL age, pois sistematiza as linguagens e códigos. Existem outros tipos de lógica, para o leitor que tiver interesse, indicamos o livro “Lógica Matemática” do Professor Rogério Augusto dos Santos Fajardo (2017), tais “lógicas” não serão consideradas aqui, pois todas suas variantes baseiam-se em ideias que já foram diluídas no livro sobre a TNL, por exemplo: necessidade, possibilidade, causa, efeito e probabilidade.
A lógica de primeira ordem se divide em 3 partes:
Linguagem: símbolos e regras de escrita (sintaxe/formação);
Semântica: significação da linguagem (interpretação);
Axiomática: provar teoremas a partir de outras afirmações.
Percorreremos estas três partes com detalhes, mas antes cabe salientar que a lógica de primeira ordem é dita ser “livre de contexto”, portanto é inferior à linguagem natural por possui uma sintaxe controlada, ou seja: limita o arranjo de símbolos para evitar paradoxos. A linguagem da matemática é a lógica e a linguagem da lógica é a própria linguagem natural (de forma controlada e limitada).
Não seria possível provar um teorema conhecendo apenas a sintaxe, pois toda sintaxe possui um significado atrelado. Muitas vezes isto não é percebido, e os símbolos são utilizados de forma automática sem que se reflita a respeito deles o que, por sua vez, contrasta com sua importância na fundamentação da teoria.
O uso da sintaxe controlada evita o surgimento de paradoxos, este é um ponto crucial a ser tratado, pois a limitação da sintaxe evitou o desenvolvimento de um completo entendimento da linguagem natural, isto só veio a ser corrigido com a TNL. O argumento de Gödel foi uma variação do paradoxo do mentiroso “esta frase é falsa”, ora, se ela é falsa, então ela é verdadeira e, se é verdadeira, então é falsa. Ele baseou-se nisto para sustentar seus teoremas, porém, de acordo com a TNL, esta frase indica algo que não existe, não é real e não é verdadeiro: todos conceitos equivalentes. Temos, nada mais nada menos, do que algo análogo ao paradoxo de Russel que se baseia numa representação de uma coisa que não existe “x°.x” (x não tem x). Devemos lembrar que o “não” indica, automaticamente, que a afirmação não é válida (não existe), daí deduz-se o princípio do terceiro excluído: toda afirmação é verdadeira ou falsa, não existe a possibilidade dela ser as duas coisas simultaneamente. Portanto, x°.x elimina x.x e vice-versa, dizer que algo é verdadeiro equivale a dizer que não é falso. Não se pode conceber algo que exista e não exista ao mesmo tempo, porém podemos considerar este pensamento com símbolos, fazendo representações de coisas que não existem. Logo, só porque podemos representar algo, não quer dizer que ele exista necessariamente.
2.1 A LINGUAGEM DA LÓGICA DE PRIMEIRA ORDEM
A lógica de primeira ordem é expressiva o suficiente para formalizar toda a matemática, mas não é capaz de gerar toda a linguagem natural. O inverso é verdadeiro, pois LN→LPO. Desta forma, é necessário limitar o contexto da linguagem à qual estamos nos referindo. Portanto, a linguagem da LPO não é única já que alguns de seus símbolos são comuns a todas as linguagens, mas outros são específicos de cada universo considerado.
O “alfabeto” da linguagem da LPO sempre é o mesmo, independente da limitação contextual à qual a LPO esteja submetida, o alfabeto é formado pelos seguintes símbolos:
Variáveis: x, y, z... Também podem ser indexadas por números naturais: x1, x2...;
Conectivos: ↔, ¬, ⋀, ⋁, →;
Quantificadores: ∃ e ∀;
Delimitadores: ), ( e , ;
Igualdade: =;
Símbolos relacionais (ou de predicado): Para cada número natural há uma lista (que pode ser vazia) de símbolos relacionais n-ários que costumam ser representados por letras maíusculas, estas também podem ser indexadas pelos números naturais;
Símbolos funcionais: Para cada número natural há uma lista (que pode ser vazia) de símbolos funcionais n-ários que costumam ser representados por letras maíusculas, estas podem ser indexadas pelos números naturais;
Constantes: Uma lista, que também pode ser vazia, de símbolos, normalmente letras minúsculas do início do alfabeto que podem ser indexadas pelos naturais.
O conjunto de símbolos funcionais, relacionais e constantes são particulares do universo considerado, os demais símbolos são comuns à todas as demais LPO’s. Podemos notar que a LLPO não se trata de uma linguagem fundamental, pois não define o significado de seus símbolos de forma não empírica e independente de outros conceitos. Discutiremos como cada um dos “símbolos” acima poderia ser explicado pela TNL considerando tanto as interpretações limitadas da LPO quanto as mais gerais concernentes à LN.
2.1.1 VARIÁVEIS
O conceito da palavra variável confunde-se com a ideia do axioma da escolha que veremos com mais detalhes no capítulo sobre teoria dos conjuntos. Se x varia dentro de um conjunto universo U, então seu valor (ou identidade) depende de uma escolha, a não especificação implica em indefinição que é um conceito caracterizado pela TNL como uma carência de dados (representações). Outra possibilidade seria a generalização o que nos levaria a mais uma redundância, agora envolvendo o ∀ (para todo), pois dizer que para todo x vale y equivale a falar que x pode “variar” que sempre ocorrerá y.
Podemos considerar o universo da linguagem natural como exemplo a fim de entendermos a definição de variável dentro da LPO. Aqui elas seriam os pronomes da LN os quais representam indivíduos indefinidos dentro do universo: ele, ela, um, algum e etc. O “valor” destas variáveis muda conforme a situação relatada.
Uma variável x deve pertencer ao universo U da linguagem a qual estamos nos referindo. Desta forma, o conceito de variável da LPO seria definido da seguinte forma pela TNL:
(U.y, °(x.y.x))>(x.>(x.y.x))
Observe que a variável x apresenta a propriedade de poder alterar sua identidade/valor dentro de U para qualquer elemento diferente de x que também pertença a U. Em outras palavras: x pode admitir qualquer identidade dentro de U.
Sabemos que x=F faz x≠V e x=V faz x≠F. Note que tal entendimento não se importa com a essência das sentenças, basta saber se o “valor” delas é V ou F, por exemplo: se x= “papai noel existe”, a lógica não considera esta possibilidade na realidade, nem que x seja apenas a frase escrita (conjunto de letras) ou os substantivos em sua essência, ela limita seu contexto em torno da interpretação de x , ou seja: x=V ou x=F. Já que a TNL é capaz de expressar o conceito de variável da linguagem da LPO, temos que este não é um ente primitivo. Portanto, temos as seguintes concepções para uma variável:
Para todo x em U vale y: aqui podemos simplesmente dizer que U está dentro do conjunto dos conjuntos onde vale y, ou (U.x>.y);
Escolha: podemos pensar a variável x como um espaço vazio “__” que é preenchido a partir de uma escolha de elementos de U feita por um sujeito y, a fórmula da TNL seria y>(__.x), U.x;
Indefinição: como o valor/identidade de x varia, podemos dizer que não temos informações exatas sobre quem é x realmente, o único dado que temos é que U.x. Na LN este x poderia ser substituído pela frase “um elemento de U”. A carência de dados é relativa, depende do número de características que temos a respeito de algo, neste caso das variáveis temos apenas uma característica que é U.x, se U possuir apenas um elemento então será uma informação suficiente, porém, conforme a cardinalidade de U aumentar, teremos um consequente aumento da indefinição;
A última concepção (U.y, °(x.y.x))>(x.>(x.y.x)) afirma que x pode ter qualquer valor/identidade dentro de um conjunto U. Repare que todas as possibilidades se referem a um conjunto universo, isto demonstra uma sobreposição de definições com o quantificador ∀, mas nos dispusemos a escrevê-las dentro da TNL para que não restassem lacunas.
2.1.2 CONECTIVOS
Os cinco conectivos listados pela lógica de primeira ordem podem ser reduzidos a apenas dois: ¬ e ⋀. O significado destes conectivos pode ser expresso pela linguagem natural:
↔: equivalência;
¬: negação;
⋀: e;
⋁: ou;
→: implicação.
Já que todos os conectivos podem ser reduzidos à apenas ¬ e ⋀, vejamos como os demais conectivos derivados podem ser escritos em função destes dois:
Equivalência: A↔B = (A→B)⋀(A→B)
Ou: A⋁B = ¬((¬A)⋀(¬B))
Implicação: A→B = (¬A)⋁B ou seja: A→B = (¬A)⋁B = ¬((¬¬A)⋀(¬B)) = ¬((A)⋀(¬B))
Nota: poderíamos utilizar ¬ e ⋁ para os mesmos fins de redução.
2.1.3 ⋀
Diferente do que ocorre na implicação, o "e" não indica, necessariamente, uma interdependência entre os termos. Se for interpretado como uma intersecção, ele indica que um elemento x pertence a dois conjuntos A e B ao mesmo tempo, em TNL: A.x, B.x. Podemos ver que não foi necessário dizer que “A.x e B.x”, basta a menção das construções lado a lado, pois “X e Y” equivale à “X, Y”. Dizer “a casa é verde e bonita” equivale a dizer “a casa é verde, a casa é bonita”, portanto o “e” não deve ser visto como algo primitivo, mas apenas como mais um recurso prático da linguagem que pode ser explicado pela TNL.
Escrever AB deve pode ser entendido como uma referência à A e a B como um conjunto único, portanto, neste caso temos uma união dos conjuntos, pois (AB).A e (AB).B.
No contexto limitado da lógica de primeira ordem, o que importa é apenas o valor de cada fórmula, portando A⋀B possui as seguintes possibilidades:
V⋀V = V
V⋀F = F
F⋀V = F
F⋀F = F
Nota-se que A⋀B só poderá ser verdadeira se A e B forem ambas verdadeiras, logo, tal expressão refere-se à validade de AB: a união de A e B como um todo. Pode ocorrer que parte de A ou B seja falsa, por exemplo: se B é a frase “São Paulo está no Brasil e existem triângulos com quatro lados”, então apenas uma parte de B é verdadeira, logo, não podemos afirmar que todo o conjunto AB é verdadeiro. O ⋀ lógico possui esta ideia intrínseca de todo verdadeiro ou de junção, união de conjuntos o que pode se confundir com o “ou” que veremos adiante.
Portanto temos as seguintes possibilidades de concepção para o ⋀:
Intersecção: A.(A∩B), B.(A∩B), (A.x, B.x)>(A∩B).x; Um x não especificado implica um x qualquer que apenas possui a propriedade de estar em A e B simultaneamente, repare que a última parte também pode ser escrita de forma invertida ((A∩B).x)>(A.x, B.x);
União: (A e B).(AB).(A e B), a soma também pode ser incluída aqui, pois 2 + 3 = 2 e 3 no sentido de união; (AB).B, (AB).A, ((AB).x, B°.x)>A.x, ((AB).x, A°.x)>B.x. Esta ideia de junção é muito interessante, pois pode formar quaisquer coisas mediante a junção de suas partes integrantes;
Validade simultânea de A e B, neste caso: (.A, .B)>.(AB), (.A, °.B)>°.(AB), (°.A, .B)>°.(AB), (°.A, °.B)>°.(AB). Note que abreviamos A.A “existe A ou A tem A” por .A “tem A”.
2.1.4 ⋁
O “ou” pode indicar uma interdependência entre termos, por exemplo: na frase “ela é rica ou feliz”, se ela é rica, então não é feliz e, se é feliz, então não é rica; ambas as frases interferem uma na outra. Na TNL escreveríamos (x>°y, y>°x).
Se for interpretado como uma união de conjuntos “x pertence à união de A com B”, equivaleria a dizer que x pertence a A ou a B, desta forma o “ou” indicaria que um elemento x pertence ao conjunto A ou ao conjunto B, em TNL: ((A∪B).A, (A∪B).B), ((A∪B).x, A°.x)>B.x, ((A∪B).x, B°.x)>A.x (note que A∪B=AB). Neste caso, o “ou” cumpre uma função de junção assim como o ⋀ também é capaz de fazer, este tipo de consideração de ambiguidades carece de atenção por parte da bibliografia atual, veremos que existe uma intersecção conceitual não vazia e opaca entre a TC e a lógica.
Imagine um y que não possa ser decomposto em partes menores, então não existem w e z, diferentes de y, tais que y=w⋀z=wz ou, analogamente, y=w∪z=wz; y não teria partes próprias, em outras palavras: y.p>p.y, ou (y.(wz).y, °(w.z.w))>(°.w, °.z), se isto é possível não se sabe, mas a TNL pode expressar.
No contexto limitado da lógica de primeira ordem, o que importa é apenas o valor de cada fórmula, portando A⋁B possui as seguintes possibilidades:
V⋁V = V
V⋁F = V
F⋁V = V
F⋁F = F
Nota-se que A⋁B só poderá ser verdadeira se A ou B for verdade. Portanto a frase: “São Paulo fica no Brasil ou existem triângulos com quatro lados” seria verdadeira, o oposto do que ocorreria se o “ou” fosse substituído por “e”.
Temos as seguintes concepções para o ⋁:
Exclusividade: (A⋁B).(°A>B, °B>A).(A⋁B);
Pertencimento a uma união de conjuntos: ((A∪B).A, (A∪B).B), ((A∪B).x, A°.x)>B.x, ((A∪B).x, B°.x)>A.x;
Validade de A ou B: (.A, .B)>.(A⋁B), (.A, °.B)>.(A⋁B), (°.A, .B)>.(A⋁B), (°.A, °.B)>°.(A⋁B).
Também havíamos visto que A⋁B = ¬((¬A)⋀(¬B)) o que equivale a dizer que não pode acontecer de nem A e nem B ocorrerem.
O ou “inclusivo” poder ser facilmente definido adicionando a fórmula “.(A∩B)” (a intersecção é não vazia) no final da fórmula 3 acima.
2.1.5 IMPLICAÇÃO E EQUIVALÊNCIA
A equivalência pode ser descartada como um conectivo primitivo logo de início, pois (A↔B)=(A→B, B→A) ou A→B→A, nada mais é do que uma forma simplificada de se escrever duas implicações.
A implicação pode ser substituída pelo > o “fazer” da TNL, pois possui a mesma ideia de causa e efeito, exemplos:
x+1=2→ x=1, na TNL: (x+1=2)>(x=1), para mais detalhes sobre a fragmentação do processo de resolução de equações sugerimos a leitura do livro sobre TNL;
x∈N→x∈R, na TNL: (N.x)>(R.x);
Todo humano é mortal→Jesus é mortal, na TNL: (M.H, H.J)>M.J, onde M=conjunto dos mortais; H= conjunto dos homens e J=Jesus. Este caso será importante para desenvolvermos o quantificador ∀.
No caso limitado da lógica de primeira ordem, temos que nos ater apenas aos valores de A e B, a tabela verdade de A→B é:
V→V=V
V→F=F
F→V=V
F→F=V
Os diagramas de Venn-Euler, quando indicam variáveis proposicionais, devem ter intersecção não vazia. Imaginar que A e B são independentes não é válido, portanto podemos ver isto como uma forma de se dizer que de algo existente (verdadeiro) só podem sair coisas existentes. A primeira, segunda e quarta linha da tabela verdade aceitam esta interpretação, porém a terceira linha nos diz que de algo não existente sai algo existente, a única forma disto ser verdade é se entendermos A sendo parcialmente verdadeira, desta forma, dizer que de algo parcialmente verdadeiro (ou seja falso) pode sair algo verdadeiro justificaria a tabela. Nesta interpretação, teríamos:
(.x, .y)>.(x>y)
(.x, °.y)>°.(x>y)
(°.x, .y)>.(x>y)
(°.x, °.y)>.(x>y)
O fato de que a TNL nos permite expressar esta tabela verdade independe de sua existência ou viabilidade em situações reais. Conforme dissemos, esta tabela é melhor interpretada se for entendida como a possibilidade de algo verdadeiro ser gerado por outro conjunto, mesmo ele sendo verdadeiro em parte: o falso pode ser parcialmente verdadeiro, mas o verdadeiro é integralmente verdadeiro.
Vimos também que, para a lógica de primeira ordem, A→B=¬((A)⋀(¬B)), ou seja: não pode acontecer de A ocorrer sem a ocorrência de B, dizer que “A implica B” equivale a dizer que “é falso que A é verdadeiro e B é falso”.
2.1.6 O ¬ E O PRIMITIVO
Vimos que todos os conectivos podem ser gerados pela TNL, portanto não devem ser encarados como entes primitivos, além disso, também pudemos observar que eles podem ser reduzidos apenas a ¬ e ⋀, seriam estes os entes primitivos?
Como o caso do “não” e do “e” já foram discutidos por nós anteriormente, nesta seção iremos ampliar nossa visão sobre o que de fato é primitivo segundo a TNL. Seriam o “ter” e o “fazer” os únicos elementos primitivos de fato? Ou seriam somente uma representação de algo mais primitivo? O seguinte teorema alega que não pode existir um conjunto de todas as coisas:
Teorema (Paradoxo de Russell): Não existe conjunto de todos os conjuntos, ou seja ∀x∃y tal que y∉x.
Demonstracão: Suponha, por absurdo, que exista um conjunto y tal que, para todo x, x∈y. Utilizando o axioma da separação para a fórmula x∉x, existe z tal que, para todo x, x∈z↔(x∈y e x∉x). Já que x∈y é verdadeiro para todo x temos que x∈z↔x∉x. Tomando z no lugar de x, temos z∈z↔z∉z, absurdo.▄
Aqui vemos a utilização do axioma do esquema de separação de Zermelo-Fraenkel para uma fórmula "x∉x" que toma um x inexistente e o admite como se fosse existente, porém, isto faz com que as hipóteses do teorema não sejam válidas, pois deve-se pressupor que ∀x refira-se a todo x existente, portanto os argumentos que tomam "x∉x", admitindo-o como algo existente, contrariam a definição de existência descoberta pela TNL.
Teorema: O Conjunto Ω de todas as coisas existe e é único.
Prova: Pela definição de Ω, temos que ∃x↔x∈Ω, o que equivale a dizer que ∄x↔x∉Ω. Suponha, por absurdo, que ∃y e y∉Ω↔∄y, temos, então, um absurdo, pois ∃y→ ∄y, portanto ∃Ω. Seja T outro conjunto de todas as coisas, se ∃T, então T∈Ω, já que Ω existe, então Ω∈T, logo Ω=T, portanto Ω existe e é único. ▄
Já que Ω existe, quando utilizamos o “ter” e o “fazer”, o fazemos para coisas que pertencem a Ω, isto nos leva a admitir que este conjunto é o ente primitivo de fato. O “núcleo” da TNL serve para a representação da característica “estática (ter)” enquanto que o “fazer” expressa qualquer modificação, portanto o “não” é uma forma simplificada de se dizer que algo não está em Ω. Os elementos de Ω podem indicar, inclusive, um recorte não estático deste conjunto universal.
2.1.7 QUANTIFICADORES: “∃ EXISTE” E “∀ PARA TODO”
Existem frases que não podemos dizer se são verdadeiras ou falsas se não tivermos mais informações, por exemplo: “x fez mais de 1000 gols”. Esta frase depende de x, portanto dizemos que se trata de uma função proposicional. Escrevemos p(x) para representar uma proposição aberta que depende da variável x∈U, onde U é denominado “o universo de discurso”, se x=Pelé, então teremos que p(x) será verdadeira.
Os quantificadores permitem transformarmos uma proposição aberta em proposições fechadas:
∃x∈N; x+3=4;
∀x∈N; x+0=x.
Estas expressões podem ser reescritas nas seguintes formas:
Existe x∈U tal que p(x) é verdadeira;
Para todo x∈U temos p(x) verdadeira.
Admitindo estas formas genéricas de ocorrência, podemos dizer que o quantificador existencial ∃ sempre ocorre na forma ∃x∈U:p(x) “existe x pertencente a U tal que p(x) é verdadeira”, na TNL teríamos (.x, U.x, .p(x)). Repare que as únicas especificações de x são que ele existe e que está contido em U, em princípio, não se sabe se ele é o único que faz com que p(x) seja verdadeira ou mais detalhes a seu respeito.
Quando queremos dizer que existe um único x tal que p(x) é verdadeira, utilizamos o símbolo ∃!. Para expressarmos “∃!x∈U:p(x)”, na TNL, basta escrevermos:
.(p(y))>(x.y.x, U.x)
Aqui também há uma única especificação inicial de y que é p(y) ser verdadeira, como não estamos generalizando com o uso do quantificador universal ∀, então estamos especificando, apesar de termos poucas informações.
Interpretar a indefinição como total falta de especificação pode não estar correto, pois ao dizermos "uma mulher ganhou na loteria" estamos nos referindo a uma mulher específica. Aqui o pronome indefinido “uma” pode ser entendido como a unidade, mas também pode-se supor que o ganhador da loteria seja sempre unitário. Temos a informação de que se trata de uma mulher e isto é um dado parcial, portanto, as indefinições costumam ser, nada mais, do que especificações parciais.
Cabe relembrar que a TNL define o conceito de existência de forma mais fundamental do que esta aplicação restrita da lógica de primeira ordem. O quantificador existencial também pode ser descartado pela lógica como um símbolo primitivo, pois pode ser escrito em termos de outros símbolos: ∃xA=¬∀x¬A “existe x tal que A é verdadeira é igual a dizer que não é verdade que para todo x, A é falso”.
O quantificador universal ∀ também pode ser fragmentado pela TNL. Dizer que para todo x∈U temos p(x) verdadeira “∀x∈U:p(x)” equivale a (U.x)>.(p(x)) “U ter x faz ter p(x)”. Observando esta última fórmula, podemos concluir que o quantificador universal pode ser resumido a uma implicação lógica, por exemplo: “∀ homem ∃ uma morte” equivale a dizer que os homens estão contidos no conjunto dos mortais o que é o mesmo que dizer que se x é homem, então x é mortal. Dizer “para todo x real temos p(x)” equivale a dizer que “se x é real, então vale p(x)”, em resumo temos que a implicação lógica, a relação de pertinência da teoria dos conjuntos e o ∀ são conceitos equivalentes. Pode parecer estranho afirmar que isto vale para a implicação, o exemplo que demos anteriormente diz que x+1=2→ x=1, poderíamos afirmar que a equação x+1=2 está no conjunto C das equações que possuem o 1 como solução, logo C.(x+1=2)>(x=1). Aqui temos algo que é intrínseco ao conjunto Ω de todas as coisas: se Ω.x, então x terá as características determinadas pela intersecção dos conjuntos que o contém com todas as suas implicações intrínsecas.
A fórmula do ∀ na TNL “(U.x)>.(p(x))” traz apenas uma especificação inicial para x que é “U.x”, portanto não devemos entender o ∀ como uma generalização indiscriminada, pois ele está se referindo a elementos de um conjunto específico. Se escrevêssemos “.p(x)>U.x” (p(x) ser válida faz U ter x) não estaria correto, pois podem existir elementos fora de U tais que p(x) seja válida. Concluímos que o “para todo” sempre se refere aos elementos de um conjunto, logo pode ser resumido a uma relação de pertinência. Portanto temos as seguintes fórmulas na TNL:
∀x∈U:p(x)=(U.x)>.(p(x));
∃x∈U:p(x)=(.x, U.x, .p(x));
2.1.8 DELIMITADORES ), ( e ,
Os delimitadores podem ser utilizados para indicar a junção de elementos, escrever (xy) faz com que estejamos nos referindo à união de x com y, portanto “xy.z” deve ser lido como “x e y tem z” enquanto que “(xy).z” significa que xy tem z. Muitas vezes o contexto é claro e a aplicação dos parênteses é negligenciada, o mesmo ocorre para as vírgulas, mas, dependendo da situação, elas podem ser úteis para a organização de expressões mais complexas, “xy” indica “x e y; já “x, y” costuma indicar a listagem ou menção lado a lado de duas coisas que não precisam ser consideradas unidas ou relacionadas.
A expressão (x, °.y) “x, não tem y” significa “x e não tem y”, sem a vírgula ficaria (x°.y) “x não tem y” o que mudaria completamente o significado da expressão. A TNL não impõe nenhuma limitação para a organização dos delimitadores, pois entende que isto amplia a expressividade da linguagem e impede o cerceamento de questões que podem surgir. A linguagem da lógica de primeira ordem não admite que escrevamos (x.,) “x tem vírgula” ou )( “parênteses direito e parênteses esquerdo”, isto limita um aprofundamento na metalinguagem e implica numa superficialidade no domínio dos fundamentos metamatemáticos.
O livro sobre a TNL discute, com detalhes, as possíveis combinações e interpretações dos elementos do núcleo da linguagem, por exemplo: “x..” pode ser lido como “x tem o ter” ou “x tem ter”, no segundo caso temos a posse de uma posse o que poderia ser entendido como x tendo algo, logo “x..= x.”, ele tem o ter algo equivale a dizer que ele tem este algo. Outra possibilidade de entendimento seria dizer que o próprio conceito fundamental de pertinência pertence à x.
De qualquer forma, os delimitadores não devem ser vistos como elementos primitivos da linguagem, a vírgula pode ser substituída por uma combinação de parênteses, pela menção dos elementos lado a lado, por espaços vazios ou por qualquer sinal gráfico:
x, y e wz=x, y, wz=(x)(y)(wz)=x y wz
Até os parênteses podem ser fragmentados pela TNL, eles possuem a função de mencionar um conjunto de elementos como um todo, “(xy)” pode ser entendido como o conjunto que possui x e y como elementos. Vejamos o caso dos parênteses mediante um conjunto de fórmulas:
(x).x°.(x)
(xy).x
(xy).y
2.1.9 IGUALDADE E CONSTANTES
A igualdade também é fixada como um símbolo primitivo da linguagem de primeira ordem, porém isto não se faz necessário pois “x=y” pode ser reescrito como “x.y.x”. No entanto, o igual também pode significar a equivalência entre quantidades ou características de dois objetos que podem não ser o mesmo, ao dizermos que todos os humanos são iguais, podemos estar nos referindo a seus direitos e deveres, ou seja: “direitos e deveres de Valéria”=“direitos e deveres de Márcia”, neste caso faz sentido dizermos que “Valéria=Márcia” apesar de serem pessoas diferentes. Isto também ocorre para as quantidades, os números desprezam a identidade das coisas e objetos aos quais se referem, se número de homens “h” e o número “m” de mulheres num local é o mesmo, então escrevemos “m=h” apesar de que todas as pessoas são diferentes uma das outras ao considerarmos suas identidades e local que ocupam no espaço. Tratamos esta questão com rigor durante a demonstração dos axiomas de Peano.
A utilização do = no alfabeto da lógica ajuda a termos uma escrita mais prática, porém seria bom ressaltar que este símbolo não é um conceito primitivo essencial para a construção da teoria.
Na lógica de primeira ordem, as constantes são definidas como uma lista, vazia ou não, de símbolos que normalmente são letras minúsculas do início do alfabeto que podem ser indexadas pelos números naturais. Esta definição faz referência aos números naturais de forma intuitiva sem construí-los, tal dependência contrasta com a alegação de que a Lógica e a Teoria dos Conjuntos podem gerar toda a Matemática de forma independente, pois depende do conceito de número natural. Como alegar que a LPO e a TC podem construir a matemática se ambas teorias fazem uso dos números naturais que estão contidos dentro da matemática? Seria como construir algo que já está inserido implicitamente tanto na teoria construtora quanto na construída.
Na LN, uma constante individual se refere a um substantivo, por exemplo: Cléber, casa, a vizinha da minha avó. Uma constante de predicado se refere aos atributos que podem ser aplicados às constantes individuais, por exemplo: “A casa é bonita”, neste caso a constante individual é “A casa” e a constante de predicado “é bonita”, poderíamos escrever isto simbolicamente com “B(c)”. A TNL descreve as constantes individuais como substantivos que podem ser abstratos ou concretos, os casos de constantes de predicado também são gerados pela TNL, o exemplo específico “B(c)” seria representado por c.b “a casa tem beleza”. Além dessas possibilidades, talvez a mais natural de todas seria dizer que uma constante é algo que não muda, não possui alguém que a modifique e não possui a modificação, isto pode ser escrito na TNL:
c é constante =
c°.>
(y>c.)>°.y
As constantes, assim como os símbolos relacionais e funcionais que veremos a seguir, são símbolos específicos da linguagem que estamos considerando, se estivéssemos tratando da LN, as constantes representariam os substantivos concretos ou próprios: objetos, de certo modo, estáticos e bem definidos. Para a LPO o mais natural é definir uma constante como o contrário de variável:
(U.y, °(c.y.c))>c°.>(c.y.c)
Ou seja: se y está no universo e é diferente de c, então c não pode ser y.
2.1.10 SÍMBOLOS RELACIONAIS E FUNCIONAIS
Já consideramos a maior parte dos elementos que constituem a linguagem da lógica de primeira ordem, restam apenas dois:
Símbolos relacionais: Para cada número natural há uma lista, vazia ou não, de símbolos relacionais n-ários, costumam ser representados por letras maíusculas que também podem ser indexadas por números naturais;
Símbolos funcionais: Para cada número natural há uma lista, vazia ou não, de símbolos funcionais n-ários, costumam ser representados por letras maíusculas e podem ser indexadas por números naturais;
Estas definições são feitas de forma genérica, aqui, o que mais chama a atenção é que elas fazem referências a conceitos que não são próprios da Lógica, pois o conceito de relação é definido pela Teoria dos Conjuntos, sendo que toda função é um tipo específico de relação conforme vimos anteriormente. Também cabe salientar, novamente, a dependência destes conceitos em relação aos números naturais.
Fragmentaremos os conceitos de relação e função com maior profundidade no capítulo sobre a Teoria dos Conjuntos. Nesses símbolos específicos também há uma dependência em relação ao quantificador universal, simbolicamente temos o seguinte:
Símbolo relacional: ∀n∈N ∃Ln , onde Ln é uma “lista”, vazia ou não, de símbolos relacionais n-ários;
Símbolo funcional: ∀n∈N ∃Fn , onde Fn é uma “lista”, vazia ou não, de símbolos funcionais n-ários.
Ambas as definições são muito parecidas, ainda mais se considerarmos que toda função é um tipo específico de relação. Pela TNL, poderíamos definir os símbolos relacionais conforme segue:
N.n>.Ln
Ln.R>(R ser uma relação n-ária)
Como já definimos o que significa “n-ário”, relação e função, podemos concluir que todo o alfabeto da LLPO demonstrou poder ser derivado a partir da TNL: LLPO(TNL).
2.1.11 CONCLUSÃO
Após este tortuoso processo de definição da linguagem da lógica matemática, surgem outras definições artificiais tais como: termos, fórmulas (que dependem da definição de termo), grau de complexidade de termos e fórmulas, subtermos, subfórmulas, variáveis livres, substituição de variável por termo, e etc. Isto causa uma grande prolixidade e névoa conceitual que impede uma visão clara das coisas, também permite o surgimento de falácias que costumam ser encaradas como verdades bem fundamentadas pela maioria dos matemáticos que, infelizmente, são treinados para seguir as definições sem questionamentos, apenas atentando-se para a sintaxe e regras de inferência. Alguns autores corroboram este pensamento ao escrever que discutir o sistema de axiomas faz parte da filosofia, ora isto impede que a matemática tenha um aprofundamento em suas raízes limitando-a a um mero conjunto de consequências, úteis ou não, de regras cujas validades não são postas à prova.
Podemos expor os elementos da LLPO como um recorte da linguagem natural, as concepções podem ser resumidas conforme segue:
Variáveis: (U.y, °(x.y.x))>(x.>(x.y.x));
O “e” expressa a validade simultânea de A e B, neste caso: (.A, .B)>.(AB), (.A, °.B)>°.(AB), (°.A, .B)>°.(AB), (°.A, °.B)>°.(AB);
O “ou” expressa a validade de A ou B: (.A, .B)>.(A⋁B), (.A, °.B)>.(A⋁B), (°.A, .B)>.(A⋁B), (°.A, °.B)>°.(A⋁B);
A implicação pôde ser expressa por:
(.x, .y)>.(x>y), (.x, °.y)>°.(x>y), (°.x, .y)>.(x>y), (°.x, °.y)>.(x>y);
O “não” é uma forma simplificada de se dizer que algo não está em Ω;
A fórmula do ∀ na TNL se refere a um conjunto universo U: “(U.x)>.(p(x))”, ou também podemos dizer que U pertence ao conjunto dos elementos que fazem valer p;
Para o ∃ também temos um conjunto universo U ao qual ele se refere, na TNL teríamos (.x, U.x, .p(x));
Vírgula e parênteses:
x, y e wz=x, y, wz=(x)(y)(wz)=x y wz
(x).x°.(x)
(xy).x
(xy).y
Em resumo: a vírgula indica uma separação e os parênteses indicam uma junção;
c é constante: c°.>, (y>c.)>°.y;
Símbolo relacional:
N.n>.Ln
Ln.R>(R ser uma relação n-ária);
Símbolo funcional:
N.n>.Ln
Ln.F>(F ser uma função n-ária);
Igualdade: x.y.x que pode se referir apenas a uma característica comum aos elementos o que poderia ser indexado: xc.yc.xc.
Agora vejamos as demais definições que surgem dentro da LLPO com o objetivo de provar que elas são todas derivações dos símbolos do alfabeto:
Termos: são sequências finitas de símbolos do alfabeto que representam indivíduos do universo em questão. Os termos obedecem a estas regras:
As variáveis são termos;
As constantes são termos;
Se t1,...tn são termos e F é um símbolo funcional n-ário, então F(t1,…,tn) é um termo;
Todos os termos têm uma das formas acima.
Podemos reparar que esta definição não se faz necessária, pois trata-se de uma sequência de símbolos que a TNL foi capaz de reduzir. Isto apenas causa mais poluição informacional e sobrecarrega a sintaxe dentro da lógica. Utilizado a notação que estabelecemos no início do livro, temos:
termo (sequência finita, alfabeto da linguagem da LPO, números naturais)
Constatamos que se trata de um conceito derivado com um grau de dependência considerável em relação a outras definições que também são derivadas. Neste caso particular, todos os conceitos que geram a definição de termo já foram fragmentados, continuemos:
Fórmulas: são sequências finitas de símbolos do alfabeto que representam afirmações sobre os indivíduos (termos). As fórmulas obedecem a estas regras:
Se t e s são termos, (t=s) é uma fórmula;
Se t1,…,tn são termos e R é um símbolo relacional n-ário, então R(t1,…,tn) é uma fórmula;
Se A e B são fórmulas, então (¬A), (A→B), (A⋀B), (A⋁B) e (A↔B) são fórmulas;
Se A é fórmula e x é uma variável, então ∃xA e ∀xA são fórmulas;
Todas as fórmulas têm uma das formas acima.
A palavra “fórmula” já foi utilizada anteriormente com significado do senso comum, a definição acima restringe-se à LPO. É interessante notar que expressões com significado tais como “¬ →” e “↔ ⋀ →” são ignoradas, o que impede um aprofundamento metamatemático.
Tanto termos quanto fórmulas são definidos como sequências de símbolos e, já que a TNL foi capaz de construir tais símbolos, estas definições também acabam sendo construídas por meio dela:
fórmula (sequência finita, alfabeto da linguagem da LPO, números naturais).
Podemos constatar que se tratam de definições recursivas. Fazendo um paralelo entre a LN e a LPO, as fórmulas seriam as frases que podem ser classificadas em verdadeiras ou falsas. A igualdade e os símbolos relacionais corresponderiam aos verbos (ou locuções verbais), vejamos alguns resultados obtidos a partir destas definições:
É possível demonstrar que vale a unicidade na representação de termos e fórmulas;
“Indução” na complexidade de termos e fórmulas.
Estes resultados permitem um “fechamento” e dão uma sensação de que a teoria tem um caráter abrangente e fundamentado, certamente que as definições recursivas contribuíram fortemente para isto. Ainda temos que considerar mais algumas definições para terminar de retratar esta visão geral da linguagem da LLPO:
Grau de complexidade de termos:
Se t é uma variável ou constante, então g(t)=0 “t tem grau de complexidade igual a zero”;
Se t é um símbolo funcional F(t1,…,tm), então g(t)=n+1, onde n é o maior dos graus de complexidade de t1,…,tm.
Grau de complexidade de fórmulas:
• Se A é uma fórmula atômica, então g(A)=0;
• Se A é da forma ¬B ou ∀xB, então g(A)=g(B)+1;
• Se A é da forma B⋀C, então g(A)=n+1, onde n é o máximo entre g(B) e g(c).
Logo:
g.c. de termos (alfabeto da LPO, maior, naturais, soma)
g.c. de fórmulas (alfabeto da LPO, fórmula, naturais, soma, maior)
Estas definições de complexidade poderiam ser mais rigorosas segundo Fajardo (2017), podemos notar um uso indiscriminado da aritmética sem construí-la o que contrasta, novamente, com o alegado rigor. Quando a palavra “atômica” aparece em textos de lógica, somos levados a imaginar algo indivisível o que denota a limitação desta ciência em comparação com a TNL. Mais definições:
Subtermos:
• Se t é uma variável ou constante, então t é o único subtermo de si;
• Se t é forma F(t1,…,tn), então os subtermos de t são t e os subtermos de t1,…,tn.
Subfórmulas:
• Se A é uma fórmula atômica, então A é a única subfórmula de si mesma;
• Se A=¬B ou A=∀xB, então as subfórmulas de A são A e as subfórmulas de B;
• Se A=B⋀C, então as subfórmulas de A são A e as subfórmulas de B e C.
Um subtermo próprio de A é um subtermo de A que é diferente de A. Analogamente se definem as subfórmulas próprias. Portanto:
subtermo(alfabeto da LPO)
subfórmula(fórmula, alfabeto da LPO)
Variáveis Livres: Dizemos que x é uma variável livre em uma fórmula A se não ocorre dentro de uma subfórmula da forma ∀xB. Quando não é livre, dizemos que é ligada. Logo:
variável livre(alfabeto da LPO, fórmula, subfórmula)
Ocorrência de variável: Se refere à ocorrência de um símbolo em uma subfórmula atômica não considerando as variáveis que aparecem ao lado do quantificador. Ou seja:
Ocorrência de variável(alfabeto da LPO, subfórmula, atômica)
Substituição de variável por termo:
Substituição de variável por termo(termo, alfabeto da LPO, substituição)
Adiante ainda teríamos a fórmula obtida substituindo todas as ocorrências livres da variável x pelo termo t: [A]tx.
[A]tx(alfabeto da LPO, termo, fórmula, variável livre)
Sentença é uma fórmula sem variável livre.
sentença(fórmula, variável livre, não)
Para ficar mais claro que TNL→LLPO, consideremos os conceitos derivados substituindo “alfabeto da LPO”, números naturais, sequência finita e maior por TNL, pois já verificamos que estes conceitos são derivado da TNL:
termo (TNL, TNL, TNL)
fórmula (TNL, TNL, TNL).
g.c. de termos (TNL, TNL, TNL, soma)
g.c. de fórmulas (TNL, fórmula, TNL, soma, TNL)
subtermo(TNL)
subfórmula(fórmula, TNL)
variável livre(TNL, fórmula, subfórmula)
Ocorrência de variável(TNL, subfórmula, atômica)
Substituição de variável por termo(termo, TNL)
[A]tx(TNL, termo, fórmula, variável livre).
sentença(fórmula, variável livre, não)
Repare que termos, fórmulas e subtermos são derivados da TNL, substituindo suas ocorrências junto com alguns elementos do alfabeto que estão mencionados de forma isolada, teremos:
termo (TNL)
fórmula (TNL).
g.c. de termos (TNL, soma)
g.c. de fórmulas (TNL, TNL, TNL, soma, TNL)
subtermo(TNL)
subfórmula(TNL, TNL)
variável livre(TNL, TNL, TNL)
Ocorrência de variável(TNL, TNL, atômica)
Substituição de variável por termo(TNL, TNL)
[A]tx(TNL, TNL, TNL, variável livre).
sentença(TNL, variável livre, TNL)
Lembrando que a TNL pôde construir a soma e observando que o conceito de variável livre pode ser derivado apenas da TNL, teremos:
termo (TNL)
fórmula (TNL).
g.c. de termos (TNL, TNL)
g.c. de fórmulas (TNL, TNL, TNL, TNL, TNL)
subtermo(TNL)
subfórmula(TNL, TNL)
variável livre(TNL, TNL, TNL)
Ocorrência de variável(TNL, TNL, atômica)
Substituição de variável por termo(TNL, TNL)
[A]tx(TNL, TNL, TNL, TNL).
sentença(TNL, TNL, TNL)
A única componente que restou foi a palavra atômica que se refere às fórmulas da forma P(t1, …, tn) para um predicado(relação) P com termos ti. Portanto:
fórmula atômica(LLPO)→fórmula atômica(TNL)
Portanto TNL→LLPO.
2.2 Semântica
O foco da semântica é propor uma interpretação para o significado das fórmulas da LPO a partir de um universo ao qual a linguagem se refere. Interpreta-se as constantes como elementos desse universo, os símbolos relacionais como relações e os símbolos funcionais como funções deste mesmo universo, estes elementos formam um modelo para a LLPO. Logo:
modelo(LLPO, conjunto não vazio, relação, função)
Vimos que os termos representam elementos do universo, mais formalmente, a interpretação de termos é uma função que relacionará cada termo a um objeto do universo, temos:
interpretação(LLPO, modelo, valoração)
A valoração se aplica às variáveis, ela estabelece um valor para cada variável no universo, logo:
valoração(modelo, universo, função, variável)
Para interpretar termos, devemos estender a valoração das variáveis para todos os termos. O modelo proporciona uma interpretação para as constantes e símbolos funcionais, logo:
interpretação de termos(modelo, valoração, função, termo, LLPO)
A definição de verdade a seguir foi concebida por Tarski 1944; 1957. Ela pode ser representada da seguinte forma:
verdade(modelo, valoração, fórmula, termo, LLPO, elemento)
Escrevemos “(M, v)⊨A” quando a fórmula A é verdadeira no modelo M para uma valoração v. Na TNL, tudo isto seria substituído por “.A”. Dizemos que M “satisfaz” a fórmula A quando (M, v)⊨A para toda valoração v, neste caso escrevemos M⊨A. Ou seja:
satisfatibilidade(verdade, para todo)
Até este momento provamos que TNL→LLPO, precisamos provar que LLPO→SLPO para prosseguirmos a fim de demonstrar que LLPO→ALPO, pois SLOP+ALPO=LPO. Considerando os conceitos derivados extraídos acima, temos que todos os elementos constituintes podem ser derivados pela TNL, por exemplo:
modelo(LLPO, conjunto não vazio, relação, função)→
modelo(TNL), pois:
LLPO(TNL);
conjunto não vazio(TNL) “definição de existência .C”;
relação(TNL);
função(TNL).
Portanto, substituindo “modelo” por “TNL”, temos:
interpretação(LLPO, TNL, valoração)
valoração(TNL, universo, função, variável)
interpretação de termos(TNL, valoração, função, termo, LLPO)
verdade(TNL, valoração, fórmula, termo, LLPO, elemento)
satisfatibilidade(verdade, para todo)
Podemos fazer o mesmo para LLPO, universo(conjunto), função, variável, termo, fórmula, elemento e “para todo”:
interpretação(TNL, valoração)
valoração(TNL)
interpretação de termos(TNL, valoração)
verdade(TNL, valoração)
satisfatibilidade(verdade, TNL)
Basta observarmos que valoração(TNL) e substituirmos valoração por TNL, para concluir que todos os conceitos são derivados da TNL:
interpretação(TNL)
valoração(TNL)
interpretação de termos(TNL)
verdade(TNL)
satisfatibilidade(TNL)
Portanto, acabamos de provar que TNL→SLPO.
2.3 Axiomática
Já provamos que TNL→(LLPO+SLPO), resta provarmos que TNL→ALPO. A axiomática da LPO é utilizada para tentar formalizar a ideia de demonstração matemática que deve atender às seguintes condições:
Deve existir um conjunto de fórmulas denominadas axiomas;
Deve haver um conjunto finito de relações n-árias dentro das fórmulas, estas relações são chamadas de regras de inferência;
Existe um algoritmo capaz de determinar se uma fórmula é um axioma ou não por meio de um número finito de etapas;
Existe um algoritmo capaz de determinar se uma n-upla de fórmulas pertence a uma regra de inferência ou não por meio de um número finito de etapas;
Uma sequência finita de fórmulas é uma demonstração se, e somente se, toda fórmula A desta sequência é um axioma ou existem fórmulas na sequência A1,…,An-1, anteriores a esta fórmula dada, tais que A1,…,An-1, A pertence a alguma regra de inferência.
Um teorema é qualquer fórmula que ocorre em uma demonstração. Adicionando as definições de instância e ocorrência livre de termo na listagem acima, teremos:
regras de inferência(conjunto, relações)
axioma(fórmula, conjunto)
algoritmo(?)
n-upla(TNL)
demonstração(sequência finita, menor, fórmula, LLPO, axioma, regra de inferência)
teorema(fórmula, demonstração)
instância(fórmula da LPO, lógica proposicional(LP), fórmula atômica da LP, LLPO, substituição)
ocorrência livre(fórmula, termo, variável, subfórmula, LLPO)
Substituindo os elementos que já demonstramos ser derivados da TNL, teremos:
regras de inferência(TNL)
axioma(TNL)
algoritmo(?)
n-upla(TNL)
demonstração(TNL, ~axioma, ~menor, ~regra de inferência)
teorema(TNL, ~demonstração)
instância(TNL, LP, fórmula atômica da LP, substituição)
ocorrência livre(TNL)
Restaram apenas os conceitos de algoritmo, LP, fórmula atômica da LP e substituição, tratemos cada um individualmente:
A lógica proposicional(LP) possui um alfabeto que está contido na LLPO, de fato, a segunda é uma extensão da primeira. A LLPO adiciona os quantificadores à LP. Já que ~LLPO, então devemos ter ~LP, pois a LPO abrange a LP, mas isto só será encerrado quando tivermos ~ALPO;
As fórmulas atômicas da LP nada mais são do que fórmulas que não contém conectivos, logo fórmula atômica da LP(fórmula da LP, conectivo). Onde fórmula da LP(variável, não, conectivos), logo ~fórmula da LP;
Quando falamos em substituição, estamos nos referindo a um “lugar” no sentido de substituir um x num lugar y por um z. Na TNL temos (>y°.x, >y.z);
Restou apenas o conceito de algoritmo que veremos mais adiante, pois ele se refere aos axiomas. Analisemos os axiomas lógicos válidos para qualquer teoria que utilize a LPO, eles são compostos por 5 axiomas e 2 regras de inferência:
A1) As instâncias de tautologia são axiomas: aqui temos que A1(~instância, ~tautologia) logo ~A1. Cabe lembrar que uma tautologia é uma fórmula que é verdadeira para qualquer valoração, ou seja tautologia(~fórmula, ~verdade, ~valoração);
A2) Se A e B são fórmulas e x é uma variável que não ocorre livre em A, então (∀x(A→B))→(A→∀xB). Logo A2(~fórmula, ~variável livre, ~não, ~→, ~∀, ~parênteses), portanto ~A2.
A3) Se A é uma fórmula, t um termo e x uma variável com todas ocorrências livres em A sendo também livres para t, então ∀xA→[A]tx é um axioma. Logo A3(~fórmula, ~termo, ~variável, ~ocorrência livre, ~[A]tx, ~→, ~∀, ~axioma), portanto ~A3;
A4) Para toda variável x temos x=x. Logo A4(~variável, ~igualdade, ~∀), ou seja ~A4;
A5) Se x e y são variáveis, e A e B são fórmulas onde B origina-se de A por meio da substituição de uma ocorrência de x por y, desde que estas ocorrências de x e y sejam livres, então (x=y)→(A→B) é um axioma. Logo A5(~variável, ~fórmula, ~substituição, ~ocorrência livre, ~=,~→), ou seja ~A5;
I1) Modus ponens: de A e A→B infere-se B. Logo I1(~fórmula, ~→, ~e), ou seja ~I1. O verbo “inferir” pode ser substituído por “implica”. Esta regra nos diz que se A é válida e A→B, então B será válida. Porém isto já está presente na definição de A→B constituindo uma redundância banal que expressa V→V=V;
I2) Generalização: se x é uma variável, então de A infere-se que ∀xA. Logo I2(~variável, ~fórmula, ~∀, ~→), ou seja ~I2. Se A é verdadeira, então A vale para todas variáveis. Já que, dentro de fórmulas, podem aparecer variáveis, então se uma fórmula é válida, é de se esperar que isto independe de suas variáveis.
Pode-se demonstrar muitos teoremas a partir do conjunto de axiomas e regras de inferência apresentados, porém, pode-se esperar que tal tarefa não seja muito prática devido a característica burocrática evidenciada acima. Por exemplo, para se provar que (x=y)→(y=x), a bibliografia consultada utiliza A5 com x=x no lugar da fórmula A e y=x no lugar de B. Na TNL bastaria escrever x.y.x>y.x.y. Outro teorema diz que “se A→B e ∀xA são teoremas, então ∀xB é um teorema”, livros de lógica combinam os axiomas e regras acima e fornecem uma demonstração “sucinta” com poucas linhas, na TNL uma linha basta: (.A, .A>.B)>(.B). Se para todo x A é válido, então expressar o x é uma redundância, pois A sempre é válido.
Forma normal prenexa(fórmula, subfórmula,∧,∀).
Para encerrar este capítulo, consideremos o conceito de algoritmo por meio da seguinte definição:
Uma fórmula A é um teorema da LPO se existe uma sequência finita de fórmulas (Ai)0≤i≤n de modo que A=An e ∀i≤n vale uma das seguintes condições:
Ai é um axioma;
∃ j<i e uma variável x tal que Ai=∀xAj;
∃ j, k<i tais que Ak=Aj→Ai.
Esta definição descreve um conjunto finito de requisitos(ou etapas) para verificarmos se uma fórmula é um axioma ou se pertencente a uma regra de inferência ou não. Este conjunto de etapas é o algoritmo descrito inicialmente, podemos reparar que já mostramos que todos seus elementos constituintes são derivados da TNL.
2.4 Metamatemática
Concluímos as etapas que provam que TNL→LPO, pois TNL→(LLPO+SLPO+ALPO). A metamatemática costuma se referir à parte da matemática que estuda os teoremas sobre lógica.
validade(fórmula, LLPO, modelo, verdade, ∀)
consequência semântica(conjunto, fórmula, linguagem, ∀, modelo, verdade, →)
consequência sintática(LLPO, fórmula, conjunto, demonstração, sequência, números naturais, ∀, ∃, menor, verdade, pertence, axioma, variável, implicação)
consistente(conjunto, fórmula, não, =, consequência sintática) – esta definição diz que x diferente de x não pode ser consequência sintática de um conjunto de fórmulas consistente 𝚪. AQUI Q MORA O PERIGO
Sentença indecidível(sentença, conjunto, fórmula, não, consistente)- esta definição diz que se A e não A são consistentes num conjunto de fórmulas, então a sentença A é indecidível.
Relativamente consistente(conjunto, fórmula, consistente, não, união)
Sentença independente(sentença, conjunto, fórmula, não, relativamente consistente)
Resultado: consequência sintática equivale à consequência semântica
Teorema da Compacidade: Se todo subconjunto finito de um conjunto de fórmulas 𝚪 é consistente, então 𝚪 é consistente.
Teorema da correção: consequência sintática implica consequência semântica (axiomática implica somente fórmulas válidas) O sistema de axiomas prova apenas fórmulas válidas
Teorema de Henkin: Todo conjunto consistente de sentenças é validado por algum modelo.
Teorema da completude: consequência semântica implica consequência sintática (toda fórmula válida pode ser provada, se é válida então a axiomática pode provar)
Teorema de Löwenheim-Skolem: Se 𝚪 é um conjunto consistente de sentenças, então existe um modelo M cujo domínio é finito ou enumerável e tal que M⊨𝚪.
1° Teorema da incompletude de Gödel: Qualquer tentativa de axiomatização da matemática será incompleta. Ou seja, sempre haverá uma sentença que não pode ser provada nem refutada.
2° Teorema da incompletude de Gödel: Um sistema consistente capaz de axiomatizar a matemática não pode provar sua própria consistência.
3. TEORIA DOS CONJUNTOS
Vimos que a LPO depende de alguns conceitos da TC, neste capítulo confirmaremos que o contrário também é verdadeiro o que vai contra a suposta força destas teorias, o objetivo central será demonstrar ~TC.
A TC não considera que os conjuntos A={a,e,i,o,u} e B={{a},{e},{i},{o},{u}} sejam iguais, os elementos de A são as vogais, e os elementos de B são os conjuntos unitários cujos elementos são vogais, em resumo, considera-se que {u} seja diferente de u. Aqui podemos dizer que X={a,e,i}⊂A, mas não que X∈A, esta diferença se baseia no fato de que o ∈ considera cada elemento de forma individualizada. As chaves são encaradas como uma espécie de invólucro que deve ser considerado, pois {u}∉u, mas u∈{u}. Isto pode ser questionado, pois podemos afirmar que as chaves não necessitam ser consideradas, assim os elementos de B seriam apenas as vogais. Vejamos outra possibilidade: seja C={1,2}, logo o conjunto das partes de C será P(C)={∅,{1},{2},{1,2}}, o {1} poderia ser encarado como uma cópia/representação de 1, ou seja, P(C) poderia ser visto como um tipo de conjunto de cópias de elementos de C, pois 1∉C, mas {1}∈C.
O termo “família de conjuntos” é redundante e nada mais significa do que um conjunto de conjuntos, na axiomática dos conjuntos tudo é conjunto. A axiomática de Zermelo-Fraenkel (ZFC) da TC pode ser utilizada para formalizar toda a matemática, inclusive os teoremas metamatemáticos, essas formalizações apresentam algumas limitações, pois na LPO não podemos quantificar sobre conjuntos, funções e sequências de elementos do universo. A TC se apresenta como uma teoria unificadora que utiliza uma LLPO e é aceito que a ZFC pode definir os conceitos matemáticos fundamentais como pares ordenados, produto cartesiano, funções, números naturais e reais. As outras teorias matemáticas surgiriam a partir destes conceitos como a geometria euclidiana que pode ser interpretada em R3.
3.1 ∈ e ⊂
O único símbolo específico da ZFC é o ∈ “pertence” o qual faria parte do núcleo da TNL, pois representaria o conceito de “ter”, desta forma teríamos, de certo modo, que (∈=.). Este é um fato muito interessante, pois, considerando a ZFC como uma “teoria unificadora” da matemática, é de se admirar que esta possua apenas um símbolo primitivo, para o qual temos ~∈. Para esclarecer esta derivação é necessário considerar um aspecto da TC que já comentamos anteriormente: Sejam D={0,1} e E={0,1,2}, então temos que D⊂E, mas D∉E. Na TNL escrevemos “E.D”, pois não costumamos considerar as chaves, a não ser que seja explicitado que elas fazem parte do conjunto, caso contrário, seus elementos serão apenas o interior das chaves.
Para a TC o ∈ carrega a ideia de indivíduo que se difere de conjunto por estar dentro de outro invólucro (chaves) além das que cercam o conjunto ao qual pertence o elemento. Na TNL temos:
x∈X = (X.x,°(.Y, X.Y, .Z, Y={Z}, Z.x))
Ou seja, x é elemento de X se X tem x, mas não é verdade que existem Y e Z, tais que X.Y e Y={Z} com Z.x. Se isto fosse verdade teríamos X.({Z}).x, o que faria {Z}.x, logo x estaria dentro de outro par de chaves e não poderia ser descrito como elemento de X por meio do símbolo ∈.
O ⊂ estabelece uma relação entre conjuntos, ou seja, o objeto à esquerda do símbolo deve estar dentro de um par de chaves além das que cercam o termo à direita:
x⊂X = (X.x,(.Y, X.Y, .Z, Y={Z}, Z.x))
Ou seja, x é subconjunto de X se X tem x e existem Y e Z, tais que X.Y e Y={Z} com Z.x. Logo X.({Z}).x o que faz {Z}.x, portanto x está dentro de outro par de chaves e não pode ser descrito como elemento de X por meio do símbolo ∈, pois se trata de um subconjunto segundo a TC.
(falar de menor)
fazer observação sobre o uso do =
aprofundamento das peculiaridades mat… e restriçoes
O vazio ∅°.∅ é sinônimo do que não existe
União
⋃F={x:∃X∈F, x∈X}
: é o e
Intersecção
∩F={x∈F:∀X∈F, x∈X}
F é um conjunto tudo é conjunto aqui
Subtração
Definição de AxB: É o conjunto dos pares ordenados (x,y) tais que x∈A e y∈B.
Em TNL: (A.a B.b)>(AxB).(a,b) quando não especifica, generaliza.
A tem um a e B tem um b, então AxB tem (a,b).
igualdade de p ordenads
ordenado x não ordenado
Definição de relação: (AxB).R, então R é uma relação. Portanto todo subconjunto do produto cartesiano é uma relação(binária). (a,b)∈R pode ser escrita aRb
O A.E é uma relação?
R é uma relação de A com B <=>
.A .B
A.a>[.b B.b aRb]
RELAÇÃO
R é uma relação de A com B <=>
.A .B
A.a>[.b B.b aRb](relacionar com AE)
Definição de Função: É um tipo de relação específico.
Funções: f: A→B é uma função, se e somente se:
∀x∈A ∃!y∈B: (x,y)∈f onde f(x)=y
(A.x)>(.f(x),B.f(x))
ou B.(f(A))
(B.f(x), B.b, b.f(x) ) > f(x).b>
b=f(x), ou seja, o valor de f(x) é único.
Injetora f(x)
sobrejetora
contradominio
dominio
imagem
inversa
equipotente se existe bijeção entre
enumerável se é equipotente a um subconjunto de N
finito se é enumerável não e equipotente a N
sequencia é uma funcao cujo dominio é N ou um subconjnto de N
operação n-aria f de An em A
Definição de ordem: Também é um tipo específico de relação binária em A que obedece às seguintes propriedades:
∀a,b,c∈A : a≼a(se não valer é antireflexiva)
a≼b e b≼a => a=b(se não valer é assimetria)
a≼b e b≼c => a≼c
pode acontecer de haver x e y que não possam ser comparados(seria uma ordem parcial)
Em TNL:
A.a>a≼a
(A.(ab) a≼b b≼a)>a.b.a
(A.(abc) a≼b b≼c)>a≼c
O nome "parcial" significa que nem todo elemento de A precisa ser comparável. Quando se tem a propriedade adicional "∀a,b∈A => a≼b ou a≼c ou a=b", dizemos que A é totalmente ordenado.
Em TNL: A.(b c)>[b≼c ou c≼b ou b=c], lembrando que "ou" e "=" já foram reduzidos na TNL.
Se ∀B⊂A,∃b∈B:(∀x∈B, b≼x) A é um conjunto bem-ordenado. Em outras palavras: todo subconjunto de A possui primeiro elemento.
Em TNL: A.B>[(.b B.b) (B.x>b≼x)]
Confrontando estes conceitos com a TNL, podemos perceber que a ideia de ordem depende da igualdade na propriedade 2 e esta, por sua vez, depende do conceito de pertinência "ter" da TNL. O fato é que o ≼ pode ser substituído pelo "ter" o "." da TNL, o que implica em equivalência conceitual:
∀a∈A : a.a
a.b e b.a => a=b
a.b e b.c => a.c
No exemplo abaixo temos b≼a, c≼a, d≼b, d≼c e e≼d; b não se relaciona com c.
Este caso parece fugir da conceito de "ter", porém existe uma comparação estabelecida de forma visual pelos elementos que estão mais acima. Aqui não temos um conjunto totalmente ordenado, mas apenas uma relação genérica cuja definição já foi descrita na TNL.
Quanto aos números, a relação de ordem se resume à uma inclusão, por exemplo, dizer que 2<3 equivale a dizer que 3.2, pois |||.||
Definição de relação de equivalência: R é uma relação de equivalência em XxX se:
xRx para todo x∈X
xRy então yRx
xRy e yRz então xRz
Em TNL:
X.x>xRx
xRy>yRx
xRy, yRz > xRz
equivalencia com o =?
As classes de equivalência dividem um conjuto em partes disjuntas
para cada x em X definimos
[x]r={y∈x:xRy}
Realidade => linguagem => Matemática => Física
x.dx>(x.y.dx y°.x) Definição de dx
Ordem: 2<3 =>3.2
O Lema de Zorn é equivalente ao axioma da escolha em ZF
O axioma da escolha diz que se você tiver uma coleção de cestas, cada qual contendo pelo menos um objeto, então é possível afirmar a existência de um conjunto, o conjunto de escolha, que contém exatamente um objeto de cada cesta—mesmo que haja um número infinito de cestas e não haja nenhuma regra que estabeleça qual objeto de cada cesta deve ser escolhido para formar parte desse conjunto. Ele equivale ao lema de Zorn.
Em TNL: (A.A A.x)>(x.x)
O x é uma escolha dentro de A, esta escolha é algo que se relaciona com o conceito de vontade delimitado pela TNL.
o par ordenado é igual ao conjunto? nã
Suponha que C seja uma colação(conjunto) de conjuntos não vazios. Então, C.a>(.ã a.ã ãRa), pois a é não vazio. Neste caso R significa justamente a relação de pertinência.
A distinção entre ∊ e ⊂ permite a concepção da ideia de conjunto de conjuntos. Às vezes isso vem com o nome de família de conjuntos. Isto permite o surgimento dos conjuntos das partes definido como segue:
P(A)={x: x⊂A} "O conjunto das partes de A é formado pelos subconjuntos de A".
A TNL afirma que a diferenciação entre ∊ e ⊂ é indevida, o que implica A = P(A). Este tipo de artimanha se faz necessária para a formulação de conceitos artificiais que se fundamentam na ideia de família de conjuntos:
Cardinais: Seja 𝝰 uma família de conjuntos equivalentes a A. Portanto, 𝝰 é chamado de n° cardinal de A, expresso por 𝝰=|A|.
Ordinais: Seja A um conjunto bem ordenado e 𝝀 uma família de conjuntos bem ordenados semelhantes à A, então 𝝀 é um n° ordinal, expresso por ord(A).
Os conceitos acima dependem dos termos "equivalentes", "semelhantes", "bem ordenado" e "família". Os dois primeiros derivam da ideia de função que já foi reduzido pela TNL. Dois conjuntos A e B são equivalentes se existe uma função bijetora entre eles, o conceito de conjuntos semelhantes traz embutida a ideia de que A e B devem ser bem ordenados, este também é um conceito que já foi reduzido pela TNL.
Já definimos precisamente o conceito de relação dentro da TNL, uma ordem parcial ≼, em A, é um tipo de relação que obedece às seguintes propriedades:
∀a∈A : a≼a
a≼b e b≼a => a=b
a≼b e b≼c => a≼c
Em TNL:
A.a>a≼a
(A.(ab) a≼b b≼a)>a.b.a
(A.(abc) a≼b b≼c)>a≼c
O nome "parcial" significa que nem todo elemento de A precisa ser comparável. Quando se tem a propriedade adicional "∀a,b∈A => a≼b ou a≼c ou a=b", dizemos que A é totalmente ordenado.
Em TNL: A.(b c)>[b≼c ou c≼b ou b=c], lembrando que "ou" e "=" já foram reduzidos na TNL.
Se ∀B⊂A,∃b∈B:(∀x∈B, b≼x) A é um conjunto bem-ordenado. Em outras palavras: todo subconjunto de A possui primeiro elemento.
Em TNL: A.B>[(.b B.b) (B.x>b≼x)]
Confrontando estes conceitos com a TNL, podemos perceber que a ideia de ordem depende da igualdade na propriedade 2 e esta, por sua vez, depende do conceito de pertinência "ter" da TNL. O fato é que o ≼ pode ser substituído pelo "ter" o "." da TNL, o que implica em equivalência conceitual:
∀a∈A : a.a
a.b e b.a => a=b
a.b e b.c => a.c
No exemplo abaixo temos b≼a, c≼a, d≼b, d≼c e e≼d; b não se relaciona com c.
Este caso parece fugir da conceito de "ter", porém existe uma comparação estabelecida de forma visual pelos elementos que estão mais acima. Aqui não temos um conjunto totalmente ordenado, mas apenas uma relação genérica cuja definição já foi descrita na TNL.
Quanto aos números, a relação de ordem se resume à uma inclusão, por exemplo, dizer que 2<3 equivale a dizer que 3.2, pois |||.||
PARTIÇÃO
A.P.A
[P.(x y) °(x.y.x) x.z y.z]>(z°.z)
Axiomas de Zermelo-Fraenkel: Este conjunto de sentenças fundamenta a Teoria dos Conjuntos, aplicaremos a TNL para demonstrá-los ou para apontar possíveis inconsistências:
• Axioma da extensão: Dois conjuntos são iguais se eles possuem os mesmos elementos. - Temos aqui uma obviedade que pode ser resumida da seguinte forma como um mero resultado da TNL: A=B ↔ A.B.A ▄
• Axioma da regularidade: Todo conjunto não-vazio x contém um elemento y tal que x e y são disjuntos (não possuem elementos em comum). - Este axioma produz a seguinte contradição:
°(x.Ø.x)>(.y x.y y.z>x°.z x.w>y°.w )
(x.y.z>x.z) absurdo. ▄
• Axioma do par: Se A e B são conjuntos, então A Ս B (a união dos dois conjuntos) é um conjunto. - Podemos resumir este fato da seguinte forma: (AB).A (AB).B ▄
• Axioma da união: Para todo conjunto A existe um conjunto B tal que todo elemento que pertence a um elemento de A é um elemento de B. - Esta sentença nos leva a concluir que B.A, vejamos: A.x.z>B.z>B.x>B.A. A existência do conjunto de todas as coisas também implica neste fato.▄
• Axioma da potência: Para todo conjunto A existe um conjunto B que tem como elementos os subconjuntos de A. - Novamente temos aqui algo incoerente que decorre da diferenciação entre elemento e conjunto, isto nos levará à conclusão de que B.A ▄
SÍNTESE ESQUEMÁTICA
Preface to Logic, Language and Meaning, by L. T. F. Gamut, University of Chicago Press, 1991.



























