Leonardo Correia Mota
International Publication Cataloging Data (CIP)
Author
QI9.M917g
Mota, Leonardo Correia, 1984-
Mathematical Genesis
Mathematical Genesis
An Application of Nuclear Theory of Languages/Leonardo Correia Mota.
São Paulo, 2020.
159 p.: 12,50 x 18 cm
Bibliography.
ISBN 979-86-876292-1-8
I. Mathematics II. Logic III. Set Theory IV. First Order Logic V. Metamathematics
I. Title
CDD: 511.3
CDU: 51
أعوذ بٱللهِ
بسم ٱللّٰه ٱلرحمن ٱلرحيم
ٱلحمد لله رب ٱلعلمين
لا إله إلا ٱلله
الله أحد
INTRODUÇÃO
Para realizar um levantamento inicial de ideias fundamentais é preciso utilizar a própria língua para descrever este processo, isto pode ser um problema se pensarmos que tal fato possa tornar nossa análise tendenciosa, pois como analisar um instrumento com o próprio instrumento? Esta dúvida se esvai se imaginarmos a linguagem como um conjunto de instrumentos para diversas situações, desta forma, cabe a nós descobrirmos quais seriam estas situações candidatas.
Este livro tem por objetivo expor ao leitor o processo menos inteligente, porém mais natural de redução da linguagem aos seus elementos básicos constituintes, esta tarefa já foi realizada de forma mais sintética e formal considerando-se apenas as classes gramaticais (Mota, 2020, p.24), naquela ocasião, eu disse que a análise de todos os verbetes de uma língua é algo enfadonho e cansaria o leitor, porém pareceu-me conveniente explicitar isto ainda mais percorrendo este caminho. Partirei de uma lista das 5000 palavras mais utilizadas na Língua Portuguesa que, suponho, sejam suficientes para a fluência de qualquer pessoa. Tal tese pode ser questionada, para isto, basta o leitor crítico expor uma palavra que não possa ser explicada por este conjunto considerável de verbetes. A fonte é www.opensubtitles.org (consultada em 17/11/20) disponível também em https://en.wiktionary.org/wiki/Wiktionary:Frequency_lists/BrazilianPortuguese_wordlist (também consultada na mesma data). O trabalho dos desenvolvedores deste site foi feito partindo da contagem de palavras que aparecem nas legendas de filmes, portanto trata-se de um conjunto que tem a capacidade de expressar as mais variadas situações que refletem a realidade e o pensamento humano. O principal motivo que me fez adotar esta lista foi sua organização que dispõe as palavras por nível de ocorrência, sendo que a primeira será a mais popular e a última será a que menos se utiliza, desta forma, espera-se que os termos mais essenciais sejam, justamente, aqueles que estão no topo da tabela. Os outros motivos que me levaram a adotá-la são:
-seu caráter compacto (mas não incompleto), em comparação posso citar o banco de dados que encontrei no site do Instituto de Matemática e Estatística da USP (https://www.ime.usp.br/~pf/dicios/br-utf8.txt), consultado em 17/11/20, que dispõe de um conjunto imenso de palavras, justamente por incluir palavras tais como “Alcibíades” e diversas outras que não possuem propriedades intrínsecas. Além disso, vemos todas as flexões de gênero, número e grau inclusas;
-ela estar desprovida das definições que um dicionário traz, o que deixaria o texto analisado muito maior do que o que expomos aqui;
-praticidade para não ter que digitá-las.
No apêndice I, temos o conjunto de palavras a serem analisadas, cada coluna representa um milhar. A primeira contém da 1ª à 1000ª palavra, a segunda coluna contém da 1001ª à 2000ª palavra e assim sucessivamente.
Nosso primeiro passo consistirá em analisar a primeira coluna para extrair um esboço das ideias fundamentais, mas, antes, eliminaremos todas as palavras cognatas (de mesma raiz), desta forma deixaremos apenas uma representante da ideia essencial de várias outras, eliminaremos todas as flexões da palavra e discutiremos isto com mais detalhes no primeiro capítulo no qual também traremos uma discussão inicial que levantará uma lista prévia de ideias fundamentais assim como uma terminologia necessária, mas cabe salientar que esta lista já possui as principais flexões em uso.
No segundo capítulo, fixaremos um conjunto de palavras e ideias fundamentais obtido de uma linguagem minimalista chamada “Toki Pona”, este conjunto nos permitirá definir quais palavras são fundamentais: se uma palavra puder ser escrita em termos destes verbetes fundamentais, então ela poderá ser descartada, pois pode ser construída.
O terceiro capítulo descreverá o processo de “fragmentação” das classes de palavras já realizado no livro “Teoria Nuclear das Linguagens” e falará, brevemente, a respeito desta teoria.
O quarto capítulo apresentará uma reflexão sobre os problemas e limitações da filosofia e a história do tratamento que os lógicos e matemáticos deram à linguagem. O processo mais burocrático de “redução” será feito no quinto capítulo. Para reforçar, ainda mais, os resultados obtidos por este método, consideraremos o trabalho desenvolvido por Charles Kay Ogden (1930) que reduziu a Língua Inglesa às 850 palavras presentes em http://ogden.basic-english.org/words.html (consultado em 22/11/20), isto será feito no sexto capítulo, aqui também realizaremos o mesmo processo com a intenção de demonstrar que ele não está restrito à Língua Portuguesa.
O terceiro capítulo descreverá o processo de “fragmentação” das classes de palavras já realizado no livro “Teoria Nuclear das Linguagens” e falará, brevemente, a respeito desta teoria.
O quarto capítulo apresentará uma reflexão sobre os problemas e limitações da filosofia e a história do tratamento que os lógicos e matemáticos deram à linguagem. O processo mais burocrático de “redução” será feito no quinto capítulo. Para reforçar, ainda mais, os resultados obtidos por este método, consideraremos o trabalho desenvolvido por Charles Kay Ogden (1930) que reduziu a Língua Inglesa às 850 palavras presentes em http://ogden.basic-english.org/words.html (consultado em 22/11/20), isto será feito no sexto capítulo, aqui também realizaremos o mesmo processo com a intenção de demonstrar que ele não está restrito à Língua Portuguesa.
Iniciamos analisando a primeira coluna eliminando o seguinte conjunto de palavras:
- todas as palavras que indicam ou descrevem espaço e tempo;
- nomes próprios e pronomes;
- abreviações;
- cognatos (palavras com mesma raiz) ou seja: possuem mesmo significado intrínseco;
- substantivos concretos com ou sem utilidade, construídos (gerados) ou não;
- sentimentos;
- laços de parentesco;
- conceitos físicos: som, imagem, cor, temperatura, sensações, sabor, energia, velocidade, locais, biológicas, químicas, ações físicas, força;
- número;
- funções (trabalho);
- títulos, patentes (doutor, tenente e etc.);
Sem linguagem a filosofia não existe.
Sem matéria o que existe?
Sem o que existe o que existe?
Língua dos felinos
estrutura de frases e orações. Com e sem >
subordinadas
não é arroganacia, é raiva.
Corpo humano e ações (mente maioria)
Ordem direta da sentença: sujeito+verbo+objeto/adj adverbiais
Ferreira, Aurélio Buarque de Holanda Miniaurélio Séc. XXI: o minidicionário da língua portuguesa Rio de Janeiro, Nova Fronteira 2000, 4ed rev ampliada
Pensando fisicamente, somos levados a imaginar que um objeto possa ser dividido em infinitas partes ainda mais com a descoberta de subpartículas cada vez menores que acompanha o avanço tecnológico, mas isto é algo em aberto que é limitado por nossas condições científicas atuais. Seria possível provar que todas as coisas podem ser divididas infinitamente? Vejamos: seja x um elemento existente qualquer, suponha, por absurdo, que x tenha sido dividido em um conjunto finito de n partes x1, x2, ..., xn e que não seja possível continuar tal divisão. Desta forma, se tentarmos dividir um xi qualquer, teremos que retirar uma parte própria y de xi, isto é "xi.y e y°.xi". Mas, pela suposição, isto é impossível, pois teríamos dividido x em n+1 partes, logo todo y nesta situação não existe. Portanto, xi não possui partes próprias "(xi.y, y°.xi)>°.y", já que x = (x1x2...xn), temos que x é formado por n "átomos" indivisíveis.
Fizemos esta reflexão, pois o processo de contagem nos remete a uma ideia de retirar elementos de um conjunto contando um a um, a divisão é um processo de subtração no qual os elementos são dispostos em quantias iguais ou não.