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sábado, 30 de janeiro de 2021

L3 - Cap3: Flexões das Palavras

 AS FLEXÕES DAS PALAVRAS

Neste capítulo, também justificaremos a eliminação das flexões das palavras, partiremos das pessoas do discurso, pois estas geram um aumento significativo no número de palavras derivadas a partir de determinada raiz que expressa uma ideia central. Tomando, como exemplo, o verbo “escrever”, no presente do indicativo, temos as seguintes conjugações:

eu escrevo 
tu escreves
você escreve
ele/ela escreve
nós escrevemos
vós escreveis
eles/elas escrevem

De uma ideia central surgem 6 palavras derivadas, a primeira pessoa representa aquela que fala (eu/nós), a segunda indica aquela com quem se fala (tu, vós, você)  e a terceira é aquela de quem se fala (ele/eles/ela/elas):

"f" fala "i" para "r" a respeito de "a"

Lembrando que utilizaremos a notação acima na qual "f" é o falante e "i" é a informação passada para o receptor "r" a respeito daquilo que se fala "a". Nos casos acima, f será a 1ª pessoa se f = eu/nós (se sou, ou somos nós que falamos), isto se aplica à situação atual, na qual falo contigo por meio da escrita, logo f = eu, r = você, a = "fundamentos da linguagem" e i = "texto". Portanto, f é a primeira pessoa, r é a segunda e "a" é a terceira. Repare que i é uma representação de "a" (que não precisa ser uma pessoa literalmente), ela pode ser uma escrita, um desenho, uma fala (som) etc. Falar é fazer ter um som que traz uma representação de algo. Portanto temos:

eu escrevo = (x escreve, x = eu)
tu (você) escreves = (x escreve, x = você)
ele/ela escreve = (x escreve, x = ele)
nós escrevemos = (x escreve, x = nós)
vós escreveis = (x escreve, x = vocês)
eles/elas escrevem = (x escreve, x = eles)

Estas situações podem ser imaginadas fisicamente:

         a
         :
         i
f------------>r

Tudo aquilo que pode ser imaginado fisicamente, torna-se não fundamental, pois está contido no universo material estático ou dinâmico, portanto, podemos dizer que "escrever = fazer ter escrita = (>.F)". Reduzir toda a matéria e conceitos físicos a F permite que tenhamos uma melhor compreensão do que é puramente abstrato, neste caso, as pessoas do discurso se mostraram como elementos físicos, pois são nomes (palavras) que surgem para descrever, de forma natural, elementos da situação “f fala i para r a respeito de a", exceto o "a" que, talvez, possa ser algo não físico. Vimos que esta expressão pode ser substituída por "f faz r ter uma informação a respeito de a", ela ficou um pouco mais longa, mas, substituindo faz por ">", ter por "." e informação a respeito de "a" por "ia", temos "f>r.ia" que é uma expressão muito mais compacta. Aqui consideramos que falar significa ">.som" e isso faz ".ia", ou seja, a fórmula completa seria "f>r.som>r.ia", onde "F.som". 
Resumindo, temos que a situação das pessoas do discurso foi reduzida às coisas materiais/físicas (pessoas literais) assim como sons, escrita (impressões gráficas materiais) e também a informação que pode ser guardada em livros, computadores ou cérebros, por meio de processos físicos, o que inclui dizer biológicos e químicos. Desta forma, justifica-se, ainda mais, descartamos as seguintes coisas como candidatas às ideias fundamentais:

- pessoas do discurso;
- informação (representações, fala, sons, escrita, desenhos etc).

Restrigindo-nos à terminologia, teríamos as seguintes expressões para as pessoas do discurso:

eu escrevo = f>r.i(f>.F), #f = 1
tu escreves = f>r.i(r>.F ou f.i(r>.F)), #r = 1
você escreve = f>r.i(r>.F ou f.i(r>.F)), #r = 1
ele/ela escreve = f>r.i(x>.F, r °= x, f °= x), #x = 1
nós escrevemos = f>r.i(f>.F), #f maior do que 1
vós escreveis = f>r.i(r>.F ou f.i(r>.F)), #r maior do que 1
eles/elas escrevem = f>r.i(x>.F, f °= x, r °= x), #x maior do que 1

Os casos oblíquos podem ser derivados a partir das pessoas do discurso, resolvi escrevê-los de forma coloquial para facilitar a escrita e leitura:

me faz ter x = >eu.x 
te faz ter x = >tu.x
lhe faz ter x = >ele.x
o/a faz ter x = >ele.x
se faz ter x = ele>ele.x
nos faz ter x = >nós.x
vos faz ter x = >vós.x
lhes faz ter x = >eles.x
os/as faz ter x = >eles.x
faz x para mim = >x, .^eu.[x]
x está comigo = /eu.x 
faz x para ti = >x, .^tu.[x]
x está contigo = /tu.x
faz x para si = ele>x, ele.^(ele.[x])
x está consigo = /ele.x
x está conosco = /nós.x
convosco = /vós.x
eles fizeram x para si = eles>x, eles.^(eles.[x])

As palavras também podem flexionar-se em gênero (feminino, masculino), número (singular e plural) e grau (aumentativo e diminutivo para os substantivos) e grau (comparativo e superlativo para os adjetivos). A questão do gênero pode englobar um fato biológico (físico) ou a escrita de determinadas palavras:

- "carro" é masculino, pois termina com a letra "o" e por convenção (parâmetro "p = terminar com a letra 'o' e pessoas articularem a palavra no masculino, exemplo: o carro é feio");
- "bicicleta" é feminina, pois termina com a letra "a" e por convenção;
- "vegetal" não se encaixa nas regras acima, mas por convenção é uma palavra masculina;
- "gerente" pode ser feminina ou masculino (comum de dois gêneros);
- "elefante" (epiceno), pode ser elefante fêmea ou macho (fato biológico);
- "capital' (gênero vacilante), "a capital" tem um significado e "o capital" possui outro sentido, este tipo de gênero também possui casos nos quais o significado não muda como na palavra "alface";
- "pessoa" (sobrecomum), neste caso tanto faz se a pessoa é macho ou fêmea, pois a expressão a ser utilizada será "a pessoa";

Portanto, pode-se descartar o conceito de gênero como candidato à ideia fundamental, pois resume-se à questão física da biologia ou convenções de fala e escrita (coisas físicas) construídas para algumas palavras específicas, ter um artigo definido antes de uma palavra masculina, faz este artigo ser "o", as convenções podem ser descritas por meio de ideias mais fundamentais:

- x carro e x é artigo >x = o;
- x pessoa e x é artigo >x = a;
- x gerente e x é homem >x = o;
- o carro é feix > x = o, pois "carro" é masculino (concordância nominal).

Discutiremos a questão do número restrita à concepção da gramática, para um tratamento mais rigoroso consulte (MOTA, 2020). Temos o singular e o plural, se nos referimos a algo que é mais do que um, então temos um plural, caso contrário um singular:

- singular: abelha;
- plural: abelhas.

O "s" ao final da palavra, que deve respeitar as questões de concordância, indica que o número de abelhas é maior do que 1:

- o homem trabalha = h>.F, #h = 1 (neste caso também temos que  (°.h)>°.F, pois só há um trabalhador);
- os homens trabalharam = h>.F, #h maior do que 1;
- (x trabalhay, #x maior do que 1)>y = m.

O conceito de grau pode indicar quantidade, tamanho ou intensidade, ele se aplica aos substantivos (aumentativo e diminutivo) e aos adjetivos (comparativo e superlativo). O grau pode ser representado pela própria palavra como o "muito", ou também pode ocorrer numa flexão (carro, carrinho e carrão), a última possibilidade é utilizar uma expressão composta por mais de uma palavra (forma analítica): mais fácil (comparativo), muito pequeno, tão devagar, etc. as respectivas formas sintéticas seriam facílimo (superlativo), pequenino e devagarzinho. Podemos descartar este conceito como possível ideia fundamental, pois ele pode ser descrito em relação a um parâmetro da seguinte forma:

muito = mais do que p = #x ou _x maior do que p;
muitíssimo = mais do que P = #x ou _x maior do que P, p menor do que P;
carrão = tamanho maior do que p = _carro maior do que p (pode indicar beleza);
carrinho = tamanho menor do que p = _carro menor do que p (pode indicar potência, beleza, etc.); 
muito pequeno, pequenino = tamanho menor do que k onde  p é maior do que k = _x menor do que k (talvez haja um sentimento "s" envolvido, assim como no aumentativo);
x mais bonito do que y = _x maior do que _y. Aqui a medida se refere ao conceito de beleza que pode ser reduzido a um padrão geométrico que envolve simetria (um tipo de verificação de proximidade) ou biológico, hormonal, etc. 
bonitíssimo = _x maior do que P, P maior do que p.

Podemos reparar que utilizamos o conceitos de medida/quantidade e maior/menor juntamente com um parâmetro que deve ser reconhecido e, mais ou menos, convencionado pelo grupo de falantes. 

MODOS VERBAIS

Existem três modos verbais, no modo indicativo a pessoa que relata algo o faz como se ele fosse um fato:

f diz "a" para r (no caso indicativo) = f>r.i(a, f.i(.a), f.s), aqui s indica um possível sentimento de certeza, ou seja: (x>f.i(°.a))>(°.x, °(f.i(°.a)));

No caso subjuntivo o emissor expressa a ideia de dúvida ou desejo: 

dúvida = não saber = não ter (representação mental) = °.i(.a ou °.a)

desejo = sentimento (algo físico, um impulso) = ^, s e F

O modo imperativo (ou jussivo) é empregado quando a atitude do enunciador exprime ideia de ordem ou pedido, aqui fica implícito um possível prejuízo para quem recebe a ordem e não venha a cumpri-la ou um caráter de favor pessoal no caso de um pedido: 

f>r.i(f.^(r>a)) no imperativo = f>r.i(f.^(r>a), (r°>a)'>r.m)

f>r.i(f.^(r>a)) por favor = f>r.i(f.^(r>a), (r°>a)'>f.m), aqui m seria uma tristeza, desapontamento, etc.

Cabe ressaltar que os modos verbais se relacionam com os tempos e pessoas e diversas outras coisas que consideraremos isoladamente para não fazermos uma análise dispersa.

Os tempos verbais apresentam-se combinados aos modos verbais, basicamente se dividem em passado (pretérito), presente e futuro que representamos, respectivamente, por 'x, x e x' de acordo com a terminologia estabelecida. O pretérito pode ocorrer de 3 formas diferentes no modo indicativo, vejamos como isto acontece:

1. O pretérito perfeito do indicativo representa uma ação concluída: '(x>y), .y = x fez y e tem y;
2. O pretérito imperfeito do indicativo descreve uma ação ainda não acabada: '(x>y), x>y = x fez (ou fazia) y e x (ainda) faz y;
3. O pretérito mais-que-perfeito descreve uma ação anterior a outra já terminada: '(x>y), ''(z>w). Utilizamos '' para indicar que o momento no qual z fez w é anterior ao momento passado ' no qual x fez y.

O futuro pode ocorrer de 2 formas diferentes no modo indicativo, vejamos como isto acontece:

1. O futuro do presente representa uma ação que irá se realizar: f>r.i(a');
2. O futuro do pretérito descreve uma ação futura, mas que depende de outra já concluída. f>r.i('x>a');

Os verbos também podem flexionar-se em voz, ela indica se o sujeito pratica ou sofre a ação, as vozes verbais são 3: 

1. A voz ativa é usada quando o sujeito gramatical pratica a ação: "eu pulei a corda" = "f>.F"; 
2. A voz passiva aparece quando o sujeito gramatical sofre a ação verbal: "a corda foi pulada por mim" = "f>.F", isto talvez pudesse ser dito da forma "eu fiz a corda ter um pulo sobre ela";
A voz passiva pode ser analítica "a corda foi pulada por mim" ou sintética "pulou-se a corda", ambos casos já estão contemplados mediante nossa explanação dos oblíquos presentes nas pessoas do discurso com o acréscimo do conceito de indefinição "°D" para a voz passiva sintética;
3. A voz reflexiva é utilizada quando o sujeito faz a ação sobre si mesmo: "eu me alimentei" = "f>f.F"; 

Portanto, a voz verbal é apenas uma característica da linguagem que possui algumas configurações que podem ser traduzidas estruturalmente com nossa terminologia. Se desejássemos fazer isto considerando os fonemas e a morfologia das palavras, teríamos que descrever cada caso e cada verbo com sua respectiva conjugação que pode variar (por exemplo: falado e caído). O final "ada" é um exemplo de configuração presente na voz passiva, isto poderia ser expresso por "x foi + verbo+ada". 

Os verbos podem ocorrer, também, no infinitivo, gerúndio e particípio. O infinitivo indica a ação em si, a trata como um substantivo, por exemplo, "andar" não indica tempo ou modo, mas apenas o nome da ação que pode ser tratado como substantivo: "o andar faz bem para a a saúde" = "F>.b". O infinitivo pode ser identificado por 3 terminações (conjugações verbais):

1ª conjugação = -ar (andar)
2ª conjugação = -er (fazer)
3ª conjugação = -ir (imprimir)

Apesar disso tudo, o infinitivo não precisa ser necessariamente impessoal (como aparece nos dicionários), ele pode ocorrer sob um sujeito: para eu andar.

O gerúndio apresenta a terminação "ndo", ele indica uma ação em andamento (o presente): "construindo" = ">.F";

O particípio regular apresenta as terminações  "ado" (1ª conjugação) e "ido" (2ª e 3ª conjugações), ele indica uma ação finalizada (passado). Em português, um particípio sempre ocorre em conjunto com um ou mais verbos auxiliares (ser, estar, ter ou haver). Exemplo: "foi falado" = '(>.F).

O particípio irregular pode ocorrer em alguns verbos que apresentam, também, a forma regular, por exemplo: pago e pagado indicam uma ação finalizada.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

L3 - Cap 2: Teste com Toki Pona

Toki Pona é uma língua minimalista formada por apenas 14 fonemas e 125 palavras, ela foi criada pela linguista e tradutora canadense Sonja Elen Kisa em 2001 (Mota, 2020).  Quando analisei este idioma no livro "Teoria Nuclear das Linguagens", pude extrair um conjunto de 30 ideias fundamentais, vamos comparar e confrontá-las com a terminologia sugerida, que possui 17 ideias, nosso propósito é aperfeiçoá-la e testá-la:

1) Espaço/Tempo/Matéria: sentimento, vontade, tempo, movimento, energia, força, medir, luz, som, calor. 
Comentário: este caso já está contemplado pelos símbolos Ω, F, s, ^, 'x, x e x';

2) Ou: x ou y = °x>y, °y>x “não x faz y e não y faz x”.
Comentário: o "ou" também já está inserido como parte de nossa terminologia;

3) Necessidade: necessita de alimento para ter força, necessidade é um conceito que se refere a algo. “x.alimento>x°.fome>x.força”.
Comentário: em linhas gerais, podemos simplificar esta noção com a expressão "xNyPz = x necessita de y para z = (x°.y ou x°.[y])>(x°.z ou x°.(>z) e x.^z. Apesar de termos descrito esta ideia com elementos mais essenciais, enriqueceremos nosso vocabulário com a expressão xNyPz, pois acredito que ela será útil para simplificarmos nosso trabalho, caso contrário, teríamos que escrever esta fórmula toda vez que esta ideia aparecesse;  

4) Não: nascer em Nova York = não ter nascido no Brasil, Canadá, China, etc. O “não” é uma forma simples derivada de um conjunto de fatos. x.(abc)>x°.y “x ter a, b e c faz x não ter y”.
Comentário: o não também já está inserido em nosso vocabulário;

5) Indefinido: não possui representação, informação.
Uma casa = tem representação genérica/esboço e não tem localização, etc.
Comentário: esta é uma ideia que pode ser expressa por "°.ix" = "não ter informação a respeito de x", logo também podemos descrever o conceito de indefinição em nosso vocabulário. Se pensarmos que algo definido é aquilo que temos informação sobre suas partes integrantes e local, então podemos dizer que "x é definido = (x.y)>.iy e .i/x". Acrescentaremos Dx "x é definido" a nossa terminologia, repare que "°Dx" indicará que x é indefinido;

6) Diferente: x.z, y°.z , logo x e y são diferentes.
Comentário: outra forma seria escrever que °(x.y.z), porém, limitando-nos à terminologia, temos que "x é diferente de y" = "x°=y";

7) Poder: x.>y = x pode fazer y.
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia;

8) Adequado: dentro do padrão.
empresa.y>y.uniforme, (empresa.y, y°.uniforme)>y.crítica.
Comentário: podemos dizer que "r recebe uma crítica de f" = "f>r.i((r°.uniforme)>f.s.m)". Um padrão também pode indicar uma generalização, no caso da empresa E, temos que "(E.x, x~funcionário)>(x.uniforme ou x.m)", não irei inserir um novo símbolo para a terminologia a fim de abarcar esta ideia, pois acredito que ela não seja tão recorrente;

9) Utilidade: x usa y para fazer z = x>(y>z).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

10) Unir: x unido com y = z, ou seja, z = (xy)
z.x z.y °(z.w>x.w)>y.w °(z.w>y.w)>x.w
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

11) Dever: fazer é bom – conceito relativo. ">x>.benefício"
Comentário: podemos traduzir "x deve fazer y" por "(x>y)>.b", outro sentido seria "x deve fazer y para obter o resultado z" que seria o mesmo que dizer xN(>y)Pz. Não irei inserir um novo símbolo à terminologia a fim de abarcar esta ideia de dever, pois sua expressão não é complexa o suficiente, podemos reproduzi-la facilmente;

12) Causa-Efeito: x>y “x é causa e y é efeito”.
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

13) Representação: imagem, som, imagem mental (coisas físicas).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia "i", é interessante notarmos que qualquer coisa escrita é uma informação, pois é uma imagem que pode representar algo pela forma gráfica ou pelo som correspondente a um nome, por exemplo: x>y.i'(x>z) significa que x faz y ter a informação de que x fará z, creio que isto seja redundante e poderia ser substituído por "x faz y ter que x fará z" = x>y.'(x>z), pois a própria expressão '(x>z) é uma informação de que x fará z, no entanto utilizaremos o "i" na maioria das vezes, pois ele explicita a mensagem; 

14) Confiar: confiar que x fará y = .(x>y) no futuro “ter que x fará y”.
Comentário: podemos simplificar o caso acima escrevendo .i(x>y)', outra possibilidade de significado seria "x confiar que y sempre faz o bem e ter um sentimento bom sobre y" = (x.i(y>m)')>°.m, (x.iy)>x.sb; 

15) Relativo: deve-se estabelecer um parâmetro reconhecido pela maioria das pessoas. x.1milhão>ricos.x
Comentário: este caso se encaixa no conceito de "p" que já fixamos anteriormente;

16) Bom: benefício é um conceito relativo, x estar em lugar com tubarões é ruim para ele, mas bom para os tubarões (mar.você)>(tubarão.alimento, você°.vida).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

17) Disputa: x>x.y, z>z.y ação simultânea.
Comentário: creio que esta fórmula pode ser melhor expressa por (x>x.y, z>z.y)>(x.y ou z.y), o y pode ser qualquer coisa, inclusive uma posse legal; 

18) Conhecimento: possuir a representação de um processo.
Comentário: o conhecimento é a posse de informação sobre algo "ix";

19) Introdutor de objeto direto: ele pintou a casa = fez a superfície da casa ter tinta.
Comentário: temos aqui a descrição de uma necessidade dos verbos transitivos diretos (verbos que necessitam de complemento para terem sentido completo), neste caso, o "a" indica uma definição cuja simbologia já estabelecemos anteriormente "Dx". Caso tivéssemos apenas "ele pintou" estaríamos diante de uma indefinição, uma impredicação;
 
20) Mudança: resultado de >.
Comentário: este caso também já está compreendido pela terminologia. Já que o conjunto de todas as coisas existe, então toda modificação (fazer) acontece dentro dele e está intrinsecamente relacionada por sua composição (o ter); 

21) Somente: apenas x é y = y.z>z.x.z
Comentário: se dissermos que apenas Tesla foi um gênio, estamos falando que o conjunto dos gênios é composto por apenas um elemento "G.x>(x = Tesla)" onde G.x>x~c, onde "c = ser genial"; 

22) Permitido: (x>y)°>.ação
Comentário: dizer que x tem permissão para fazer y significa que, se x fizer y, então x não terá uma ação ruim como resultado (bronca, xingamento, violência, segurança retirar do local, multa, etc.), em nosso vocabulário teríamos "x.i((x>y)'°>x.m);

23) Trabalho: (x>y)>x.$, x.vontade de ter $
Comentário: este caso pode ser traduzido por (x>y)>x.$, x.(^.$, ^.[F]), x.i(x.$)>x.(>x.[F]), xN$P[F], repare que y é um subconjunto de Ω composto por uma série de ações. Todas as profissões estão abarcadas por este esquema, portanto serão eliminadas da análise mediante simples menção a ele;

24) Existir: x.x
Comentário: também já vimos este caso, ele pode ser representado de forma mais simples por ".x". Temos algo sutil, porém essencial para a compreensão da linguagem, Russell, Gödel, Tarski, Frege, dentre outros, imergiram num conhecimento fundamentado sobre coisas que não existem "x°.x" e, o pior de tudo, é que admitiram que elas existiam, isto produziu uma série de anomalias dentro do estudo dos fundamentos da Matemática, em particular da Lógica;  

25) Igual: x.y.x
Comentário: este caso também já foi estudado anteriormente, a definição acima está incompleta em comparação ao que fizemos;

26) Autorizar: x autoriza y a fazer z = x>y.(y>z)°>x>y.ação
Comentário: poderíamos simplificar isto dizendo que "autorizar = >.permissão" (vide item 22);  

27) Criar: >. “fazer ter”.
Comentário: podemos pensar em criar gatos, criar uma obra de arte, etc. Em qualquer uma das opções, a ideia geral consiste em "fazer ter", pois "criar gatos = >gatos.(comida, água, leite, banho, etc)" e "criar uma obra de arte = >.(pintura, escultura, etc.)";  

28) Seguro: lugar seguro = (x.y)>y°.acidente
Comentário: em linhas gerais poderíamos traduzir isto por "(/x.y)>y°.m", se estivermos nos referindo a uma ação, podemos apenas escrever "(y>z)'°>y.m" que significa que, se y fizer z, então ele não correrá perigo (terá um mal);

29) Liderar a equipe = >(equipe>x), (equipe°>x)>equipe°.benefício
Comentário: retraduzindo a sentença acima temos ">(e>x), (e°>x)>e°.b";

30) Justo: princípio da equivalência
x>y°.1000 reais
(y>x°.1000 reais). Justiça
Comentário: temos aqui um princípio de equivalência que está abarcado pela ideia característica que já foi definida. Podemos escrever o caso acima mais genericamente como 
(x>y°.z, z~c, k>(x°.w, y.w)', w~c).J.(x>y°.z, z~c, k>(x°.w, y.w)', w~c).

Nosso vocabulário foi todo construído a partir da TNL, se continuássemos utilizando apenas seu "núcleo" teríamos que escrever diversas palavras e conceitos mais complexos que o do caso acima que produziu uma expressão extensa para a ideia de justiça. A língua Toki Pona nos ajudou a aperfeiçoarmos nossa terminologia que agora ficou composta por:

Ω = conjunto de todas as coisas;
F = coisas físicas (ou compreendidas pelo estudo da Física);
s = sentimentos e sensações
^.x = vontade de ter x;
'x = x no passado;
x = x no presente;
x' = x no futuro;
a = assunto;
ix = informação sobre x;
/x = local de x;
de, possui, (x.[y] = x tem a posse legal de y);
= igual;
e, ou;
° = não;
x.y = x tem y;
x>y = x faz y;
, = vírgula;
() = parênteses;
b, m = bem e mal (benefício e malefício);
_x = medida de x;
maior, menor;
#x = número de elementos de x;
x~c = x apresenta a característica c;
p = parâmetro;
xNyPz = x necessita de y para z;
Dx = x é definido.





quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

L3 - Cap 4: Espaço e Tempo

Neste capítulo, a primeira ideia que gostaria de tratar é a de espaço estático para a qual temos o seguinte conjunto de palavras: frente, trás, atrás, cima, acima, abaixo, embaixo, em, no, dentro, fora, direita, esquerda, linha, aresta, reta, curva, quina,  vértice, ângulo, inclinação, ponto, plano, face, superfície, área, volume, posição, substância, matéria, espaço, concreto, estático, geometria, local, lugar, físico(a). Boa parte destas palavras serve para expressar situações que surgem da observação (portanto é relativa a alguém) ou de construções que são, ambas, frutos de processos físicos, inclusive a medição e os traçados. Retirando-se tais palavras deste conjunto restam ainda: substância, matéria, espaço, concreto, estático, local, lugar, físico(a). Todas estas palavras podem ser entendidas como parte do espaço, seja ele concreto ou "vazio", portanto podem ser expressas sinteticamente pelo conceito de F. Cabe ressaltar que o conceito de "vazio" é vago, na verdade, ele indica algo inexistente, pois o vazio em si não possui elementos o que o faz inexistir, portanto, fisicamente falando, o vazio deve ser entendido como o vácuo, composto por algo com densidade tão pequena que não podemos interagir com ele nem senti-lo. 

Iniciaremos nossa análise mais minuciosa com as seguintes palavras: 

onde? = (f faz r ter i e i = f.^ter i/a), em outras palavras: f faz r ter a informação de que f tem vontade de ter informação sobre o local de "a". O "aonde" indica que "a" está em movimento. Utilizando a terminologia proposta temos f>r.i(f.^(.i/a));

aqui, cá = f>r.i(/a, /a = /f ou /f./a ou /a./f);

aí = f>r.i(/a, /a = /r ou /r./a ou /a./r); 

ali = f>r.i(/a, /a é diferente* de /f e /r).
*diferente é o mesmo do que "não igual", ou seja: °=;

de (vide terminologia);

daí = de + aí = de e aí;

daqui = de + aqui = de e aqui;

dali = de + ali = de e ali;

Ainda falta aplicarmos este método para as seguintes palavras:

x está longe de y = d(xy) maior do que p;

x está perto de y = d(xy) menor do que p;

x está além de y em relação a z = d(zx) maior do que a d(zy) - "Além mar" significa depois do mar, isto pode ser retratado se soubermos a distância d(c1c2) de uma costa (c1) à outra (c2) e a distância de algo em relação à c1 "d(xc1), porém isto pode ser imaginado com uma figura c1----------c2---------x;

até = (x vale até y) ou (ir até x) = (°.y>.x) ou (>/x.). Também podemos dizer que (vale x até uma certa distância) = (x existe se a distância/medida é menor do que p). O "antes" e o "depois" também podem ser utilizados no contexto espaço-temporal, o primeiro é análogo ao até, o segundo é parecido, basta trocar a palavra "maior" pela palavra "menor": (até às 13hrs tem café) = (_tempo menor do que 13hrs >.café);

Podemos revisitar as palavras referentes ao espaço, para isto supomos que * será o observador:

1 está à frente de 2 = *12
1 está (trás,atrás) de 2 = *21
1 está (cima, acima, encima) de 2 = *1
                                                  2 
1 está (abaixo,embaixo) de 2 = *2
                                                    1
x está (em, no, dentro) de [] = *[x] discutir mais 
x está fora de [] = *x[] ou x[]* etc.  

Agora substituiremos * pelo leitor:

1 está à direita de 2 = 21;
1 está à esquerda de 2 = 12;

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

SURA Nº17 - A VIAGEM NOTURNA

 A raiz que nomeia o título desta surata é س ر ي que é muito próxima da raiz أ س ر a qual possui significado de "prisioneiro/cativo/escravo" quando aparece em outras partes do Alcorão. O nome de Israel também possui estas letras em seu núcleo, provavelmente isto se deve ao fato do povo de Israel ter sido escravizado no Egito. 
Em Nome de Deus, O Todo-Poderoso, O Mais Misericordioso
1- Glorificado seja Quem fez Seu servo partir, de noite, da Mesquita Inviolável até a Mesquita Distante cujos arredores abençoamos, para lhe mostrarmos (alguns) de Nossos Sinais. Certamente, Ele é O Oniouvinte, O Onividente.
2- E concedemos o Livro a Moisés e dele fizemos um guia para os filhos de Israel: "não tomem outro guardião ao invés de Mim."
3- Descendência de quem carregamos com Noé. De fato, Ele era um servo agradecido.
4- E, no Livro, decretamos para os filhos de Israel: "De fato, vocês espalharão a corrupção na terra por duas vezes e, realmente, vocês se elevarão em grande arrogância."
5- Então, quando chegar a promessa (para) a primeira das duas, ergueremos, contra vós, nossos servos possuidores de veemente fúria. E entrarão na amizade dos lares. E a promessa foi cumprida.
6- Em seguida, vos devolvemos a revanche sobre eles, e vos reforçamos com riquezas e filhos e vos fizemos em maior quantidade. 
7- Se vocês agirem bem, farão bem para si mesmos e, se agirem mal, (o) terão para vós. Então, quando a última promessa chegar, será para afligirem vossas faces e para entrarem na mesquita como nela entraram da primeira vez. E para destruírem, de forma fulminante, o que conquistavam. 
8- Pode ser que vosso Senhor tenha misericórdia de vós e, se vocês reincidirem, nós reincidiremos. E fizemos a Geena uma prisão para os renegadores.
9- Certamente, esta leitura (Alcorão) orienta ao que é mais correto e ele anuncia boas-novas aos crentes, que fazem as boas obras, que terão uma grande recompensa.
10- E que aqueles que não acreditam na última vida, preparamos um severo castigo para eles.
11- E o ser humano suplica pelo mal como suplica pelo bem. E o ser humano é sempre apressado.
12- E fizemos a noite e o dia como dois sinais. Então, apagamos o sinal da noite e fizemos claro o sinal do dia, para vocês buscarem o Favor de Vosso Senhor e para saberem o número de anos e a marcação (do tempo). E explicamos todas as coisas detalhadamente.  
13- E, a cada ser humano, lhe impusemos seu agouro em seu pescoço. E lhe faremos sair um livro, no Dia da Ressurreição, com o qual se deparará, desenrolado.
14- "Leia teu livro. Hoje, basta tua alma como ajustadora de contas a respeito de ti." 
15- Quem se guiar, apenas se guiará para (benefício de) sua alma. E, quem se desviar, apenas se desviará em prejuízo de si mesmo. E nenhum carregador de fardo terá de suportar o fardo de outro. E não somos punidores, até erguermos um mensageiro.
16- E, quando desejamos destruir uma cidade, ordenamos (obediência) ao seu povo rico, mas, nela, desobedecem desafiadoramente. Então, contra ela, cumpre-se o dito, então a destruímos completamente. 
17- E quantas das gerações aniquilamos depois de Noé! E, no que diz respeito aos delitos de seus servos, basta teu Senhor por Conhecedor, Onividente.
18- Para quem deseja (a vida) transitória, nela apressamos o que quisermos para quem desejarmos. Em seguida lhe faremos a Geena: se queimará desgraçado, banido.
19- E quem desejar a última vida e se esforça por ela, enquanto é crente. Então desses o esforço será reconhecido.
20- A cada um estendemos, a estes e aqueles, algo da dádiva de teu Senhor. E a dádiva de teu Senhor não é restrita.
21- Observe como preferimos alguns deles sobre os outros. E, de fato, a última vida é maior em níveis e é maior em preferências.
22- Não faça outra divindade junto a Deus, então você se tornaria desgraçado, desamparado.
23- E teu Senhor decretou que vocês não adorem senão a Ele, e a bondade com os pais. Se um dos dois, ou ambos, alcançam a velhice junto de ti, não lhes diga: "Ufa!", nem os maltrate. E lhes diga um dito nobre.
24- E baixe a asa da humildade para ambos, por misericórdia, e diga: "Meu Senhor! Tenha misericórdia de ambos, assim como me criaram, enquanto era pequeno." 
25- Vosso Senhor é O Mais Sabedor do que há em vossas almas. Se vocês forem íntegros, então, certamente, Ele é O Mais Perdoador para aqueles que se voltam repetidamente.
26- E conceda ao próximo o seu direito, e ao necessitado e ao filho do caminho. E não dissipe (seus recursos) exageradamente. 
27- De fato, os desperdiçadores são irmãos dos demônios. E Satã é ingrato para seu Senhor.
28- E se você se afastar de junto deles, buscando misericórdia de teu Senhor, pela qual você espera, então diga-lhes um dito gentil*.
*A raiz da palavra traduzida por "gentil" possui significado de "fácil" no original. Na minha opinião, isto indica que devemos ser didáticos e claros ao falarmos com as pessoas e exclarecermos o Islam para elas.
29- E não faça tua mão atada ao teu pescoço*, e não a estenda, com total estender, então você se tornaria (original = sentaria) repreendido, afligido.
*Esta expressão se refere ao ávaro que segura seus recursos junto a si, para não compartilhar com os outros.
30- Certamente, teu Senhor estende o sustento para quem Ele quiser e restringe. De fato, Ele é O Mais Conhecedor, O Onividente a respeito de Seus servos.
31- E não matem vossos filhos por receio da indigência, Nós os sustentamos e a vocês. De fato, seu homicídio é um grande erro.
32- E não se aproximem da fornicação, de fato, ela é uma imoralidade, e que mau caminho!
33- E não matem a alma a qual Deus proibiu, exceto por justa razão. E quem for morto injustamente, de fato, faremos para seu herdeiro*  uma autoridade. Então que ele não exagere no matar, de fato ele (já) está amparado (pela lei).

*A raiz da palavra original (و ل ي) também tem  o sentido de aliado (16:63), portanto, é possível que ela inclua parentes ou outras pessoas ligadas à vítima.

34- E não se aproximem dos bens do órfão, a não ser da melhor maneira, até ele atingir sua maturidade. E cumpram o acordo, de fato, o acordo será questionado.
35- E completem a medida quando vocês medirem e pesem com a balança correta. Isto é bom e melhor em efeito*.
*Raiz com significado de "interpretação".
36- E não promova* aquilo sobre o que você não tem conhecimento, certamente, a audição, a visão e o coração, todos esses, disto, serão  questionados.
*Raiz com sentido de "vir depois, suceder", acredito que isto significa que não devemos dar razão ou promover ideologias estranhas ao Islam. Esta raiz ocorre em alguns trechos que indicam que determinados profetas foram sucedidos por outros que deram sequência à mensagem do Islam (2:87, 5:46). 
37- E não ande na terra com arrogância. De fato, você não irá rachar a terra, nem atingirá as montanhas em altura.
38- O mal de tudo isto é detestável perante teu Senhor.
39- Isto é parte do que teu Senhor te revelou da sabedoria. E não faça outra divindade junto a Deus, então você seria lançado na Geena repreendido, banido.
40- Acaso vosso Senhor escolheu filhos para vocês e tomou, dentre os anjos, filhas* (para Si)? Certamente, vocês dizem um tremendo dito.
*Original = fêmeas, mulheres.
41- E, de fato, justificamos (os exemplos), neste Alcorão, para eles meditarem, mas ele não lhes acrescenta a não ser repulsa.
42- Diga: "Se existissem divindades com ele, assim como o que eles dizem, então, certamente teriam buscado um caminho até O Possuidor do Trono.
43- Glorificado e Exaltado ao auge seja Ele, acima do que dizem!
44- Os sete céus e a terra e quem neles está O glorificam. E não há coisa alguma que não O glorifique com louvor, mas vocês não entendem sua glorificação. De fato, Ele é O Mais Tolerante, O Mais Perdoador. 
45- E, quando você recita o Alcorão, fazemos uma barreira protetora entre você e aqueles que não acreditam na última vida.
46- E fizemos véus sobre os corações deles para que não o entendessem, e surdez nos ouvidos. E, quando você recorda teu Senhor no Alcorão, somente Ele, dão as costas em repulsa. 
47- Somos O Mais Sabedor do que eles ouvem com ele, quando te escutam e quando estão em confidências, quando os injustos dizem: "Vocês não seguem a não ser um homem enfeitiçado." 
48- Veja como eles te propõem os exemplos, então se desviam. Portanto não são capazes de encontrar caminho algum.
49- E perguntam: "Quando formos ossos e resquícios, seremos ressuscitados em uma nova criação?"
50- Responda: "(Mesmo que) Sejam pedras ou ferro".
51- "Ou de uma criação que seja difícil (de aceitar) em vossos peitos (âmago)". Então eles questionarão: "Quem nos fará retornar?" Diga: "Aquele que vos formou da primeira vez". Então, balançarão suas cabeças para você e dirão: "Quando será isso?" Diga: "Talvez seja em breve".
52- Ele vos convocará no dia, então vocês atenderão, com louvor a Ele, e pensarão não terem permanecido senão um pouco.
53- E diga a meus servos para eles dizerem aquilo que é melhor. De fato, Satã instiga entre eles, certamente, Satanás é um inimigo declarado para o ser humano.
54- Vosso Senhor é O Mais Sabedor de vós, se Ele quiser terá misericórdia de vós ou, se Ele quiser, vos castigará. E não te enviamos como responsável sobre eles.
55- E teu Senhor é O Mais Sabedor de quem existe nos céus e na terra e, de fato, preferimos alguns dos profetas sobre outros e concedemos os Salmos para Davi.
56- Diga: "Invoquem aqueles que vocês pretendem (serem divindades) ao invés dEle. Então, eles não poderão vos remover o infortúnio nem mudá-(lo). 
57- Esses que eles invocam buscam os meios de acesso ao Senhor deles. Qual deles está mais próximo?E esperam por Sua misericórdia e temem Sua punição. Realmente, a punição de teu Senhor é temível. 
58- E não há nenhuma cidade sem que Nós a aniquilemos, antes do Dia da Ressurreição, ou que não seja castigada com uma severa punição. Isto está registrado no Livro.
59- E o que nos impede que enviemos os sinais não é senão que os primeiros antepassados os rejeitaram. E concedemos a Thamúd o camelo fêmea como um sinal visível, mas foram injustos com ela. E não enviamos os sinais senão como alerta (atemorizador).
60- E quando te dissemos: "De fato, teu Senhor abarca os seres humanos". E não fizemos a visão (ou sonho) a qual te mostramos, senão como uma provação para as pessoas e (também) a árvore maldita* no Alcorão. E amedrontamos eles, mas (isso) não lhes acrescenta a não ser uma grande transgressão.
*Vide 37:62.
61- E quando dissemos para os anjos: "Apresentem-se para Adão". Então se apresentaram, exceto Iblis, ele disse: "Irei me apresentar para quem Tu criaste de barro?"
62- Ele disse (mais): "Viste? Este é quem Tu honraste acima de mim? Certamente, se Tu me deres prazo até o Dia da Ressurreição, de fato, dominarei sua descendência, exceto poucos (deles)."
63- Ele disse: "Vá! E quem deles te seguir, de fato, a Geena será vossa recompensa, uma plena recompensa."
64- "E importune, com tua voz, a quem você puder dentre eles. E os ataque com tua cavalaria e infantaria, e partilhe com eles nos bens e nos filhos e faça-lhes promessas." E Satã não lhes promete, senão ilusões.
65- "De fato, sobre meus servos você não tem qualquer autoridade". E basta teu Senhor por Guardião.
66- Vosso Senhor é Quem vos impulsiona o barco no mar, para vocês buscarem algo de Seu Favor. De fato, Ele é O Mais Misericordioso para convosco.
67- E, quando o infortúnio vos toca no mar, desviam-se aqueles que vocês invocam, exceto Ele apenas. Então, quando Ele vos põe a salvo na terra, vocês se afastam. E o ser humano é ingrato (raiz com sentido de renegação). 
68- Então, vocês estão seguros de que Ele não fará uma encosta de terra encobrir-vos? Ou que não enviará uma chuva flamejante contra vós? Em seguida não encontrareis guardião algum para vós? 
69- Ou vocês se sentem seguros de que Ele não vos fará retornar nisto outra vez?  Então, Ele envie sobre vós uma devastação de vento, e vos afogue devido ao que vocês renegavam? Em seguida, nisso, vocês não encontrariam, para vós, defensor* contra Nós.
*Raiz com significado de seguir.
70- E, de fato, honramos os filhos de Adão, os carregamos na terra e no mar e lhes demos das coisas boas por sustento. E os preferimos sobre muitos daqueles que criamos em preferência.
71- Um dia convocaremos todas as pessoas com seu líder. Então, a quem seu livro for dado em sua mão direita, esses lerão seus livros e não sofrerão injustiça, nem a mínima que seja.
72- E quem é cego nesta (vida), na Última Vida será cego e mais desviado do caminho.
73- E, de fato, eles quase te desviaram (raiz com sentido de tentar) daquilo que te inspiramos, para que você inventasse algo diferente sobre Nós. E então, certamente, te tomariam por amigo.
74- E, se não tivéssemos te fortalecido, de fato, a eles você quase teria se inclinado, um pouco.
75- Então te faríamos experimentar o dobro (do castigo) da vida e o dobro (do) da morte, em seguida você não encontraria, para ti, qualquer socorredor contra Nós.
76- E, de fato, quase eles te importunaram da terra para que te fizessem sair dela. E, nesse caso, não teriam permanecido opostos a você, senão um pouco.
77- De fato, (assim foi nosso) procedimento com quem enviamos antes de ti dentre Nossos mensageiros. E você não encontrará qualquer mudança em nosso procedimento.
78- Cumpra a oração desde o declínio do sol até a chegada* da noite, e a recitação matinal. De fato, a recitação matinal é testemunhada. 


*A palavra غَسَق aqui é traduzida por “chegada”, consultando alguns dicionários, temos mais possíveis significados para este termo: lusco fusco (da madrugada ou da tarde), sombra, penumbra, crepúsculo, meia luz, sombrio, obscuro, cair da noite, anoitecer e entardecer e escuridão. Isto comprova o momento após o pôr do sol, enquanto ainda há claridade, como um momento de oração. A escuridão em si possui graus, alguns dizem que aqui se diz que a escuridão completa é uma característica da noite, mas também pode-se dizer que a noite avança até a escuridão.

79- E, de noite, levante (para orar) com ele como acréscimo para ti, talvez teu Senhor te erga a uma louvável estada. 

80- E diga: "Meu Senhor! Faça-me entrar uma entrada digna e faça-me sair uma saída digna, e faça-me, de Tua parte, uma autoridade socorredora."

81- E diga: "A verdade chegou e a falsidade pereceu. Certamente, a falsidade é perecível".

82- E fazemos descer, do Alcorão, aquilo que ele é cura e misericórdia para aqueles que acreditam. E aos injustos (isto) não acrescenta a não ser perdição.

83- E quando abençoamos o ser humano, ele se afasta e se torna distante do entorno dele (do Alcorão). E ele fica desesperado quando o mal o toca. 

84- Diga: "Cada um age conforme sua maneira, então vosso Senhor é O Mais Sabedor de quem é melhor guiado em caminho."

85- E eles te perguntam sobre o espírito, diga: "O espírito é da ordem de meu Senhor, e não vos foi concedido a não ser um pouco do conhecimento".

86- E, de fato, se quiséssemos ir com aquilo que te revelamos, então você não encontraria, para ti, guardião algum contra nós no que se refere a isto.

87- (Não o fizemos) a não ser por misericórdia de teu Senhor. Realmente, Seu Favor é grande para contigo.

88- Diga: "Mesmo se os humanos e gênios se juntassem, a fim de fazer vir algo como este Alcorão, não  fariam vir algo como ele, ainda que alguns deles ajudassem aos outros".

89- E, de fato, neste Alcorão justificamos algo de cada exemplo para as pessoas. Então, a maioria dos humanos (a tudo) recusou a não ser à renegação.

90- E dizem: "Nunca acreditaremos em você, até que faça emanar uma nascente da terra para nós".

91- "Ou que você tenha um jardim de tamareiras e videiras, então faça emanar os rios em abundância através dele".

92- "Ou que você faça cair o céu, em pedaços sobre nós, como pretendia, ou que faça Allah e os anjos virem proximamente." 

93- "Ou que haja para ti uma casa (repleta) de ornamento ou que ascendas ao céu. E não acreditaremos em tua ascensão, até que faças um Livro descer sobre nós, o qual leremos". Diga: "Glorificado seja meu Senhor! Quem sou eu senão um mensageiro mortal?"  

94- E o que impediu as pessoas de acreditarem, quando lhes chegou a orientação, não foi senão que disseram: "Deus enviou um mensageiro mortal?"

95- Diga: "Se houvesse na terra anjos caminhando tranquilamente, faríamos descer um anjo do céu, como mensageiro, sobre eles."

96- Diga: "Deus é suficiente como testemunha entre mim e vocês. De fato, Ele é O Mais Conhecedor, O Onividente de seus servos".

97- E a quem Deus guia, então ele é o guiado. E a quem Deus desvia, você não encontrará protetores para eles ao invés dEle. E os reuniremos no Dia da Ressurreição, sobre suas faces, cegos, mudos e surdos. A morada deles será a Geena, cada vez que ela arrefecer, lhes acrescentaremos fogo ardente. 

98- Esta será a recompensa deles, porque renegaram Nossos Sinais e disseram: "Quando formos ossos e resquícios, seremos ressuscitados em uma nova criação?"

99- E não viram que Deus, aquele que criou os céus e a terra, é o Mais Capaz de criar semelhantes a eles? E Ele lhes fez um tempo: não há dúvida nisso, mas os injustos (a tudo) recusam a não ser à renegação.

100- Diga: "Se vocês possuíssem os cofres da Misericórdia de Meu Senhor, nesse caso, certamente, (os) reteriam por receio de gastá-(los). E avaro* é o ser humano".

* Esta raiz também aparece com o significado pobreza e trevas em outras partes do Alcorão.

101- E, de fato, concedemos nove* evidentes sinais a Moisés, então pergunte aos filhos de Israel quando ele lhes chegou, então o Faraó disse-lhe: "Certamente, imagino que tu, oh Moisés, és enfeitiçado."

*Acredito que o Alcorão diz serem apenas nove porque, na verdade, a morte dos primogênitos não ocorreu, pois seria uma injustiça, dado que cada um deve responder por seus próprios pecados (17:15; 39:7). 

102- Ele disse: "De fato, tu sabes que não fez estes descerem a não ser o Senhor dos céus e da terra, como clarividências. Realmente, imagino que tu, oh Faraó, estás arruinado."

103- Então ele desejou expulsá-los da terra, então o afogamos e a todos que estavam com ele.

104- E, depois dele, dissemos aos filhos de Israel: "Habitem a terra, então, quando chegar promessa da vida futura, faremos vocês virem em multidões dispersas".

105- E, em verdade, o fizemos descer, e ele desceu com a verdade. E não te enviamos, senão como anunciador de boas novas e alertador.

106- E leitura (Alcorão), a separamos a fim de você recitá-la aos poucos para as pessoas. E a fizemos descer gradualmente.

107- Diga: "Acreditem nele (Alcorão) ou não acreditem. De fato, aqueles aos quais o conhecimento foi concedido, antes dele, quando lhes é recitado, (baixam as cabeças)* reconhecendo."

*Literalmente: caem para os queixos.

108- E dizem: "Glorificado seja nosso Senhor! De fato, a Promessa de nosso Senhor está cumprida".

109- E baixam as cabeças chorando e ele lhes acrescenta humildade.

110- Diga: "Invoquem a Deus ou invoquem aO Todo-Poderoso, o que quer que seja que invocarem, a Ele pertencem os mais belos Nomes". E não fale alto em tua oração, nem murmure nela e busque um caminho (equilibrado) entre ambas (atitudes).

111- E diga: "Louvor a Deus, Aquele que não tomou filho algum, nem há para Ele parceiro algum no Reino, nem há contra Ele qualquer protetor contra a humilhação". E magnifique-O grandemente.