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quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

L3 - Cap 2: Teste com Toki Pona

Toki Pona é uma língua minimalista formada por apenas 14 fonemas e 125 palavras, ela foi criada pela linguista e tradutora canadense Sonja Elen Kisa em 2001 (Mota, 2020).  Quando analisei este idioma no livro "Teoria Nuclear das Linguagens", pude extrair um conjunto de 30 ideias fundamentais, vamos comparar e confrontá-las com a terminologia sugerida, que possui 17 ideias, nosso propósito é aperfeiçoá-la e testá-la:

1) Espaço/Tempo/Matéria: sentimento, vontade, tempo, movimento, energia, força, medir, luz, som, calor. 
Comentário: este caso já está contemplado pelos símbolos Ω, F, s, ^, 'x, x e x';

2) Ou: x ou y = °x>y, °y>x “não x faz y e não y faz x”.
Comentário: o "ou" também já está inserido como parte de nossa terminologia;

3) Necessidade: necessita de alimento para ter força, necessidade é um conceito que se refere a algo. “x.alimento>x°.fome>x.força”.
Comentário: em linhas gerais, podemos simplificar esta noção com a expressão "xNyPz = x necessita de y para z = (x°.y ou x°.[y])>(x°.z ou x°.(>z) e x.^z. Apesar de termos descrito esta ideia com elementos mais essenciais, enriqueceremos nosso vocabulário com a expressão xNyPz, pois acredito que ela será útil para simplificarmos nosso trabalho, caso contrário, teríamos que escrever esta fórmula toda vez que esta ideia aparecesse;  

4) Não: nascer em Nova York = não ter nascido no Brasil, Canadá, China, etc. O “não” é uma forma simples derivada de um conjunto de fatos. x.(abc)>x°.y “x ter a, b e c faz x não ter y”.
Comentário: o não também já está inserido em nosso vocabulário;

5) Indefinido: não possui representação, informação.
Uma casa = tem representação genérica/esboço e não tem localização, etc.
Comentário: esta é uma ideia que pode ser expressa por "°.ix" = "não ter informação a respeito de x", logo também podemos descrever o conceito de indefinição em nosso vocabulário. Se pensarmos que algo definido é aquilo que temos informação sobre suas partes integrantes e local, então podemos dizer que "x é definido = (x.y)>.iy e .i/x". Acrescentaremos Dx "x é definido" a nossa terminologia, repare que "°Dx" indicará que x é indefinido;

6) Diferente: x.z, y°.z , logo x e y são diferentes.
Comentário: outra forma seria escrever que °(x.y.z), porém, limitando-nos à terminologia, temos que "x é diferente de y" = "x°=y";

7) Poder: x.>y = x pode fazer y.
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia;

8) Adequado: dentro do padrão.
empresa.y>y.uniforme, (empresa.y, y°.uniforme)>y.crítica.
Comentário: podemos dizer que "r recebe uma crítica de f" = "f>r.i((r°.uniforme)>f.s.m)". Um padrão também pode indicar uma generalização, no caso da empresa E, temos que "(E.x, x~funcionário)>(x.uniforme ou x.m)", não irei inserir um novo símbolo para a terminologia a fim de abarcar esta ideia, pois acredito que ela não seja tão recorrente;

9) Utilidade: x usa y para fazer z = x>(y>z).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

10) Unir: x unido com y = z, ou seja, z = (xy)
z.x z.y °(z.w>x.w)>y.w °(z.w>y.w)>x.w
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

11) Dever: fazer é bom – conceito relativo. ">x>.benefício"
Comentário: podemos traduzir "x deve fazer y" por "(x>y)>.b", outro sentido seria "x deve fazer y para obter o resultado z" que seria o mesmo que dizer xN(>y)Pz. Não irei inserir um novo símbolo à terminologia a fim de abarcar esta ideia de dever, pois sua expressão não é complexa o suficiente, podemos reproduzi-la facilmente;

12) Causa-Efeito: x>y “x é causa e y é efeito”.
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

13) Representação: imagem, som, imagem mental (coisas físicas).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia "i", é interessante notarmos que qualquer coisa escrita é uma informação, pois é uma imagem que pode representar algo pela forma gráfica ou pelo som correspondente a um nome, por exemplo: x>y.i'(x>z) significa que x faz y ter a informação de que x fará z, creio que isto seja redundante e poderia ser substituído por "x faz y ter que x fará z" = x>y.'(x>z), pois a própria expressão '(x>z) é uma informação de que x fará z, no entanto utilizaremos o "i" na maioria das vezes, pois ele explicita a mensagem; 

14) Confiar: confiar que x fará y = .(x>y) no futuro “ter que x fará y”.
Comentário: podemos simplificar o caso acima escrevendo .i(x>y)', outra possibilidade de significado seria "x confiar que y sempre faz o bem e ter um sentimento bom sobre y" = (x.i(y>m)')>°.m, (x.iy)>x.sb; 

15) Relativo: deve-se estabelecer um parâmetro reconhecido pela maioria das pessoas. x.1milhão>ricos.x
Comentário: este caso se encaixa no conceito de "p" que já fixamos anteriormente;

16) Bom: benefício é um conceito relativo, x estar em lugar com tubarões é ruim para ele, mas bom para os tubarões (mar.você)>(tubarão.alimento, você°.vida).
Comentário: caso óbvio abarcado pela terminologia; 

17) Disputa: x>x.y, z>z.y ação simultânea.
Comentário: creio que esta fórmula pode ser melhor expressa por (x>x.y, z>z.y)>(x.y ou z.y), o y pode ser qualquer coisa, inclusive uma posse legal; 

18) Conhecimento: possuir a representação de um processo.
Comentário: o conhecimento é a posse de informação sobre algo "ix";

19) Introdutor de objeto direto: ele pintou a casa = fez a superfície da casa ter tinta.
Comentário: temos aqui a descrição de uma necessidade dos verbos transitivos diretos (verbos que necessitam de complemento para terem sentido completo), neste caso, o "a" indica uma definição cuja simbologia já estabelecemos anteriormente "Dx". Caso tivéssemos apenas "ele pintou" estaríamos diante de uma indefinição, uma impredicação;
 
20) Mudança: resultado de >.
Comentário: este caso também já está compreendido pela terminologia. Já que o conjunto de todas as coisas existe, então toda modificação (fazer) acontece dentro dele e está intrinsecamente relacionada por sua composição (o ter); 

21) Somente: apenas x é y = y.z>z.x.z
Comentário: se dissermos que apenas Tesla foi um gênio, estamos falando que o conjunto dos gênios é composto por apenas um elemento "G.x>(x = Tesla)" onde G.x>x~c, onde "c = ser genial"; 

22) Permitido: (x>y)°>.ação
Comentário: dizer que x tem permissão para fazer y significa que, se x fizer y, então x não terá uma ação ruim como resultado (bronca, xingamento, violência, segurança retirar do local, multa, etc.), em nosso vocabulário teríamos "x.i((x>y)'°>x.m);

23) Trabalho: (x>y)>x.$, x.vontade de ter $
Comentário: este caso pode ser traduzido por (x>y)>x.$, x.(^.$, ^.[F]), x.i(x.$)>x.(>x.[F]), xN$P[F], repare que y é um subconjunto de Ω composto por uma série de ações. Todas as profissões estão abarcadas por este esquema, portanto serão eliminadas da análise mediante simples menção a ele;

24) Existir: x.x
Comentário: também já vimos este caso, ele pode ser representado de forma mais simples por ".x". Temos algo sutil, porém essencial para a compreensão da linguagem, Russell, Gödel, Tarski, Frege, dentre outros, imergiram num conhecimento fundamentado sobre coisas que não existem "x°.x" e, o pior de tudo, é que admitiram que elas existiam, isto produziu uma série de anomalias dentro do estudo dos fundamentos da Matemática, em particular da Lógica;  

25) Igual: x.y.x
Comentário: este caso também já foi estudado anteriormente, a definição acima está incompleta em comparação ao que fizemos;

26) Autorizar: x autoriza y a fazer z = x>y.(y>z)°>x>y.ação
Comentário: poderíamos simplificar isto dizendo que "autorizar = >.permissão" (vide item 22);  

27) Criar: >. “fazer ter”.
Comentário: podemos pensar em criar gatos, criar uma obra de arte, etc. Em qualquer uma das opções, a ideia geral consiste em "fazer ter", pois "criar gatos = >gatos.(comida, água, leite, banho, etc)" e "criar uma obra de arte = >.(pintura, escultura, etc.)";  

28) Seguro: lugar seguro = (x.y)>y°.acidente
Comentário: em linhas gerais poderíamos traduzir isto por "(/x.y)>y°.m", se estivermos nos referindo a uma ação, podemos apenas escrever "(y>z)'°>y.m" que significa que, se y fizer z, então ele não correrá perigo (terá um mal);

29) Liderar a equipe = >(equipe>x), (equipe°>x)>equipe°.benefício
Comentário: retraduzindo a sentença acima temos ">(e>x), (e°>x)>e°.b";

30) Justo: princípio da equivalência
x>y°.1000 reais
(y>x°.1000 reais). Justiça
Comentário: temos aqui um princípio de equivalência que está abarcado pela ideia característica que já foi definida. Podemos escrever o caso acima mais genericamente como 
(x>y°.z, z~c, k>(x°.w, y.w)', w~c).J.(x>y°.z, z~c, k>(x°.w, y.w)', w~c).

Nosso vocabulário foi todo construído a partir da TNL, se continuássemos utilizando apenas seu "núcleo" teríamos que escrever diversas palavras e conceitos mais complexos que o do caso acima que produziu uma expressão extensa para a ideia de justiça. A língua Toki Pona nos ajudou a aperfeiçoarmos nossa terminologia que agora ficou composta por:

Ω = conjunto de todas as coisas;
F = coisas físicas (ou compreendidas pelo estudo da Física);
s = sentimentos e sensações
^.x = vontade de ter x;
'x = x no passado;
x = x no presente;
x' = x no futuro;
a = assunto;
ix = informação sobre x;
/x = local de x;
de, possui, (x.[y] = x tem a posse legal de y);
= igual;
e, ou;
° = não;
x.y = x tem y;
x>y = x faz y;
, = vírgula;
() = parênteses;
b, m = bem e mal (benefício e malefício);
_x = medida de x;
maior, menor;
#x = número de elementos de x;
x~c = x apresenta a característica c;
p = parâmetro;
xNyPz = x necessita de y para z;
Dx = x é definido.