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quarta-feira, 21 de julho de 2021

L3 Filosofia Analítica

Nesta seção, apresentaremos um resumo do artigo presente em (https://iep.utm.edu/analytic/, consultado em 21/07/12 às 12:28), desenvolvido pela © Copyright Internet Encyclopedia of Philosophy and its Authors | ISSN 2161-0002. Ele nos dará uma visão geral da filosofia analítica que possui as principais contribuições filosóficas para a linguagem comum e para a lógica. Alguns temas serão tratados separadamente nas próximas seções para que possamos nos aprofundar em alguns detalhes específicos.
A filosofia analítica acreditava ser uma superação da filosofia tradicional, principalmente devido ao tratamento que ela voltou para a linguagem que é, justamente, o principal instrumento para a realização da filosofia. Devido à sua diversidade, fazer uma caracterização contemporânea, sintetização ou formulação objetiva é algo muito difícil e, talvez, impossível devido a enorme quantidade de divergências e clareza de informações a respeito de sua composição e fundamentos: algo comum à filosofia.
Esta escola da filosofia surgiu na virada do século XX com G. E. Moore e Bertrand Russell, apesar de muitos considerarem Gottlob Frege como um fundador da filosofia analítica, pois Russell confiou explicitamente no trabalho de Frege para o desenvolvimento de seus Principia Mathematica (apud Dummett 1993 e Kenny 2000).
No início da década de 1960, a distinção entre a linguagem comum e a linguagem formalizada gerou uma espécie de cisma neste movimento filosófico. A abordagem de linguagens formais introduziu um caráter “matemático” ao movimento lançando as bases para o atomismo lógico desenvolvido por Russell e Ludwig Wittgenstein, esta ideia pode ser entendida como uma metafísica baseada na hipótese de que uma linguagem ideal como a dos Principia Mathematica é a chave para o entendimento da realidade. O principal motivo para isto pode ter sido o fato de que Russell acreditava que a linguagem natural produzia enganos filosóficos, portanto, para corrigir isto deveríamos recorrer à linguagem formal com um simbolismo lógico (dos Principia Mathematica) que nos forneceria uma representação segura, livre de ambiguidades e enganos: abriu-se espaço para o positivismo lógico.
Wittgenstein afirmou que seu “Tractatus” solucionou todos os problemas da filosofia tradicional, mostrando que eles eram sem sentido e se originavam da falha na compreensão do discurso significativo. Os positivistas lógicos concordaram com esta visão de que a filosofia tradicional consistia em pseudoproblemas desprovidos de sentido provenientes do mau uso da linguagem, portanto, sua obrigação deveria ser o combate contra os potenciais problemas da linguagem.
O positivismo lógico rejeita aquilo que não possa ser verificado empiricamente: qualquer afirmação não tautológica possui significado se e somente se puder ser verificada experimentalmente. Este “princípio de verificação” é análogo ao princípio mantido no Tractatus de Wittgenstein, porém, o mais engraçado é que o fim do positivismo lógico deu-se, justamente, por uma contradição grotesca neste seu fundamento: o próprio princípio de verificação é não tautológico e, no entanto, não pode ser verificado empiricamente. Isto gerou uma contradição incontornável que fez com que a filosofia analítica mudasse seu foco para a linguagem comum.
A filosofia da linguagem comum também é conhecida por "filosofia de Oxford", devido ao fato da maioria de seus teóricos terem sido professores de Oxford, depois de Wittgenstein (que estava em Cambridge), eles foram os representantes mais proeminentes neste campo. Geralmente, Wittgenstein é visto como o mais importante dos filósofos da linguagem natural, ele abandonou sua visão anterior assumida no Tractatus, abandonando o atomismo lógico e assumindo a impossibilidade de fornecer uma estrutura universalmente correta, formalizada e simbólica para ela: cada sistema linguístico seria como um jogo que tem suas próprias regras (jogos de linguagem), tais regras não teriam um caráter rigoroso e uma gramática restrita como ele havia defendido com Russell, elas seriam determinadas pela “forma de vida” de comunidades linguísticas. O “2º Wittgenstein” abandonou seus pretensos métodos exatos e viu a linguagem como um fenômeno intrinsecamente social e desprovido de regras formais, porém, mesmo após esta “metamorfose”, Wittgenstein manteve a opinião de que os pseudo problemas filosóficos tradicionais são oriundos do mau uso da linguagem.
Wittgenstein via a Matemática e a Lógica como ciências puramente estruturais (formais), elas não teriam sentido nem conteúdo. Elas podem mostrar os possíveis “estados de coisas”, mas não tratariam de nenhum estado de coisas particular. Este pensamento está de acordo com o que vimos a respeito da lógica moderna e, consequentemente, da matemática.
O declínio da filosofia linguística se deu a partir da década de 1960, devido a diversas problemas inclusive divisões internas entre os filósofos analíticos. O fracasso do positivismo lógico em conjunto com as críticas de Wittgenstein e Quine contribuíram para o encerramento da abordagem da linguagem ideal. A análise da linguagem comum também sofreu críticas de muitos, incluindo Bertrand Russell, que viam sua abordagem como algo distante de ser um trabalho filosófico sério. A obra “Words and Things” de Ernest Gellner (1959), e seu sucesso internacional, fez com que T. P. Uschanov denominasse este momento de "a estranha morte da filosofia da linguagem comum".
Atualmente, a filosofia analítica assumiu um caráter plural e eclético, descaracterizando-se ainda mais.