QUINE 1908-2000
FILOSOFIA DA LOGICA - QUINE O. W. V. - ZAHAR EDITORES - RJ 1972 - TRADUÇÃO THEREZINHA ALVIM CANNABRAVA
DE UM PONTO DE VISTA LÓGICO - WILLARD VAN ORMAN QUINE - ED UNESP - TRAD ANTONIO IANNI SEGATTO - 2011 - SÃO PAULO
PALABRA Y OBJETO - WILLARD VAN ORMAN QUINE - EDITORIAL LABOR - TRAD MANUEL SACRISTÁN - 1968 - BARCELONA
Quine apresenta-nos uma visão que muito se assemelha com aquilo que temos visto até o momento:
"O que há não depende em geral do uso que se faz da linguagem, mas o que se diz que há depende"(QUINE, 2011, pg.146)
"Algo curioso sobre o problema ontológico é sua simplicidade. Ele pode ser formulado com três monossílabos do português: 'O que há?'. Ele pode ser resolvido, além disso, com uma palavra - 'Tudo' -, e todos aceitarão a resposta como verdadeira." (QUINE, 2011, pg.11)
"Aprendemos lógica estudando a linguagem." (QUINE, 1972, pg.135).
"Ocorre que a verdade pode depender da realidade e não da linguagem. (...) Contudo, é certo que a verdade depende da realidade e, sem dúvida, depende mesmo. Nenhuma sentença é verdadeira, porém a realidade assim a torna. A sentença ‘a neve é branca’ é verdadeira, conforme Tarski nos ensinou, se e somente se, a neve real é realmente branca. (...) A verdade depende da realidade. Por este motivo, objetamos que chamar as sentenças de verdadeiras representa uma confusão." (QUINE, 1972, pg. 24, 25).
Devemos tomar seus estudos de forma crítica, são "ensaios" (QUINE, 2011, pg.166):
"O que tenho para dizer daqui em diante será tão vago (...)"(QUINE, 2011, pg.90)
Quine teve Whitehead como orientador de doutorado, visitou seminários e conferências de Tarski, teve contatos com Carnap, Church etc. https://www.revistas.usp.br/ss/article/view/11013/12781 - pg.373,374 29/6/21-11:25 e (QUINE, 2011, pg.8). Quine vivenciou praticamente todo o panorama lógico desde os primórdios do século passado até seu final, ele acreditava que a linguagem matemática utiliza expressões da linguagem natural que passam a ter um status simbólico artificial, contrastando com Tarski que dizia que a expressão "sentença verdadeira" não poderia ser extraída da linguagem comum. Quine, (1972, pg, 4, 5), defende que a linguagem matemática codificada pode ser útil para esclarecer a linguagem natural, isto fez com que seu trabalho fosse prestigiado dentre os adeptos da filosofia analítica, apesar deste ramo de estudo não ter apresentado resultados conclusivos a respeito. Parece adequado darmos atenção aos trabalhos deste filósofo, pois assim também justificaríamos o investimento que a Rockefeller Foundation e a Ford Foundation fizeram nele (QUINE, 1968, pg.12), além de devermos consideração por sua visita ao Brasil na qual se dirigiu a nós:
"Em meses precedentes eu havia aperfeiçoado meu português, porque eu estava
decidido a lecionar em tal língua. Eu escrevi minhas primeiras conferências para
ganhar confiança lingüística. Então eu continuei a escrevê-las por outra razão:
eu tive a idéia de que eu poderia ter mais impacto sobre filósofos e matemáticos
brasileiros deixando a eles minhas conferências em forma de livro. As conferên-
cias eram faladas no meu português incorreto, porém Vicente Ferreira da Silva
me ajudou a corrigi-las antes de publicar. Quando deixei o Brasil,
O sentido da nova lógica estava nas mãos do editor (Quine, 1986, p. 23)."
https://www.revistas.usp.br/ss/article/view/11013/12781 - pg.376 29/6/21-11:25
"Se pressionado (...) afirmaria que a Lógica é o estudo sistemático das verdades lógicas. Pressionado, novamente, afirmaria que uma sentença é logicamente verdadeira se toda a sentença munida de estrutura gramatical idêntica à sua for verdadeira. Pressionado ainda mais, pediria que lessem este livro. Uma vez que considero a Lógica como resultante de duas componentes - verdade e gramática - tratarei a verdade e a gramática proeminentemente. Entretanto, argumentarei contra a doutrina que afirma serem verdadeiras as verdades lógicas devido à gramática e à linguagem." (QUINE, 1972, pg.11)
"Minha definição mais geral de verdade lógica (...) baseia-se em dois fatos: a Gramática, que tem um aspecto puramente linguístico, e a verdade, que não o tem. Uma sentença é logicamente verdadeira se todas as sentenças munidas dessa estrutura gramatical são verdadeiras. Em outras palavras, está-se tentando afirmar que uma sentença é logicamente verdadeira se é verdadeira puramente por causa de sua estrutura gramatical. Evito essa frase porque sugere que é a linguagem que torna as verdades lógicas verdadeiras - a linguagem puramente, sem ter qualquer relação com a natureza do mundo. Essa doutrina, que denomino de Teoria Linguística de Verdade Lógica, é aquela que Carnap subscreveu. Entretanto, julgo que existe menos confirmação para essa teoria do que se possa vir a pensar. (...) Talvez as verdades lógicas devem sua verdade a certos traços de realidade(...)" (QUINE, 1972, pg. 128, 129)
A frase "a lógica estuda verdades lógicas" é problemática, o mais correto seria afirmar que " a lógica estuda verdades", pois o autor não definiu precisamente o que é lógica. Sua posição restringe, inicialmente, sua visão da verdade às estruturas gramaticais tautológicas que independem do contexto, isto pode ser válido dentro da lógica clássica, mas não se estende além disso. Ele mesmo acaba concordando com isto ao citar a realidade, porém, de fato, de acordo com sua visão formal, uma verdade lógica é uma sentença cuja verdade baseia-se em sua estrutura lógica (QUINE, 1972, pg.71), por exemplo: "não p ou p".
"As sentenças são linguagem. Esta forma de criar uma realidade de que a verdade depende está certamente ultrapassada: representa uma projeção imaginária, através de sentenças.(...) Falando da verdade de uma determinada sentença existe apenas desorientação. Devemos simplesmente emitir a sentença e explanar, não a respeito da linguagem, mas sobre o mundo." (QUINE, 1972, pg. 24, 25)
"A doutrina da proposição parece, sob certos aspectos, fútil (...) Em resumo, as proposições têm sido projetadas como sombras das sentenças (...). No melhor dos casos, elas não nos darão nada que as sentenças não nos dêem. (...) Filósofos que defendem proposições afirmam que proposições são necessárias porque somente a verdade das proposições, e não a das sentenças, é inteligível. Uma resposta desagradável é a de que podemos explicitar a verdade das sentenças para os proposicionistas nos seus próprios termos: são verdadeiras as sentenças cujos significados são proposições verdadeiras. Qualquer falta de inteligibilidade, neste caso, provém da própria deficiência do proposicionista. (...) O que é considerado como verdadeiro ou falso não são as proposições, mas os signos de sentenças ou as próprias sentenças" (QUINE, 1972, pg.24)
Quine ataca a definição de proposições como sendo o "sentido das sentenças", seriam apenas elas que poderiam ser consideradas verdadeiras ou não, mas admite que este termo também seja frequentemente visto como sinônimo de "sentenças declarativas", tal confusão também se estende sobre a palavra "enunciado". Devemos concordar com este ponto de vista, pois esta questão terminológica não produz nenhuma discussão proveitosa, apenas contribui para inchar, ainda mais, a verborragia filosófica repleta de sinônimos tratados como antônimos. Seguindo o mesmo raciocínio depurador, Quine (1972, pg. 41-43) assume uma posição crítica em relação ao excesso de símbolos numa teoria, ele nos diz que o "ou", a implicação e a quantificação universal não são essenciais, pois podem ser expressas por meio da negação, da conjunção e do quantificador existencial, a quantificação poderia ser expressa por meio da alternação e ser considerada como mera abreviação (QUINE, 1972, pg.133). Este é um fato conhecido hoje em dia, mas pouco valorizado. Quine avança sobre este problema, mas não chega a propor uma forma de gerar elementos da linguagem natural como já foi feito (MOTA, 2020a), entretanto admite a possibilidade de uma redução das partículas de forma independente do vocabulário a ser considerado:
"E que palavras incluir como partículas nas construções? (...) observem que não reconheci nenhuma construção geradora de predicados.(...) Existe meia dúzia de tais construções que combinadas nos permitem eliminar completamente variáveis e quantificadores. (...) Não temos qualquer noção transcendente e defensável de construção ou de léxico.(...) E as verdades lógicas permanecem verdadeiras, sob todas as substituições léxicas."(QUINE, 1972, pg.47, 48, 49, 84)
Outra questão a respeito da qual o autor desdenha (e com razão) são os nomes. Esta questão dividiu as pessoas naquelas que acreditavam que eles possuem significado e representação e as que não acreditam que eles tenham significado. Frege, Russell, Quine, Wittgenstein acreditavam que sim, portanto o nome descreveria a pessoa. Quine, em particular, rejeitava que havia uma distinção entre nomes e descrições: se Maria já é o nome de Maria, ‘Maria’ seria o nome do nome de Maria, “Maria”..., este raciocínio coloca o nome como algo circular e, portanto, sem sentido.
"Entre os ornatos omitidos, o principal foi o nome. Representa também mera conveniência estritamente redundante (...) E os nomes podem ser reestabelecidos à vontade, como redundância, por uma convenção de abreviatura" (QUINE, 1972, pg.43, 44)
Quine (1972, pg. 49, 50) nos diz que a questão do tempo verbal pode ser evitada pela lógica moderna, para isto basta considerá-lo como um predicado qualquer (por ex. cor, posição, etc.), desta forma os verbos podem ser vistos como alheios ao tempo (o que é feito na lógica moderna). O corpo deveria, segundo este cientista, ser visto como um todo quadridimensional em consonância com o que apregoa a teoria da relatividade. O autor também defende que as expressões de "atitude proposicional" (pensar, acreditar, desejar, pretender, etc.) e de "modalidade" (necessariamente e possivelmente) são notoriamente obscuras (QUINE, 1972, pg.53, 54). Este fato comprova sua incompreensão da linguagem e seu desdém por lógicas alternativas que tentam formalizar estes elementos. Resumindo temos as seguintes igualdades:
Extensão = denotação = referência de uma expressão;
Intenção = conotação = significado de uma expressão.
Quine acreditava que as noções intensionais (de significado) eram incorrigivelmente obscuras (HAACK, 2002, p. 77), todos estes fatos demonstram que ele também padecia da mesma dificuldade de formalizar o léxico da linguagem natural, isto o transforma em um seguidor do caminho traçado por outros lógicos que não puderam resolver este problema da linguagem natural:
"A lógica procura a verdade na área da Gramática. (...) Esse processo, para o qual nos voltamos agora, deve-se a Tarski, exceto nas minúcias. (...) as ideias do presente tópico, bem como as dos dois precedentes, pertencem a Tarski." (QUINE, 1972, pg. 55, 59, 65).
De acordo com Haack, (2002, p. 35), Quine afirmava que que a teoria dos conjuntos não fazia parte da lógica, apesar disto, ele sustentava que esta teoria pode fundamentar a matemática e admitia que existem muitas teorias dos conjuntos dentre as quais não sabemos qual seja a melhor. Em contraste, os pioneiros da lógica moderna encararam a teoria dos conjuntos como lógica, por exemplo: Frege, Russell, Whitehead. Outro ponto de vista interessante deste lógico, que aparentemente o contradiz, é que ele afirmou haver uma deficiência nas versões estruturais da verdade lógica, quando elas excluem a teoria dos conjuntos de dentro da lógica, este fato vai diretamente contra seu pensamento de que a teoria dos conjuntos não faz parte da lógica. (QUINE, 1972, pg.79, 91, 99). Quine também diz que os "Principia Mathematica" nos dão boas evidências de que toda Matemática(pura) pode ser traduzida na lógica, todos os princípios da matemática reduziriam-se a princípios da lógica que são três: pertencimento(teoria dos conjuntos), quantificação universal e "se x, então não y" (QUINE, 2011, pg.117,118,119,128,129).
Quine não deixou de lado algumas questões envolvendo a matemática independente da lógica, por exemplo: há uma redundância na divisão, pois x=y/z, significa que x.z=y ou seja y/z é o número que multiplicado a z nos dá x (QUINE, 1972, pg. 103). Desta forma, a divisão expressa uma situação de multiplicação e esta, por sua vez, expressa uma situação de somas sucessivas; isto nos levaria a imaginar tais operações como redundantes. Este pensamento encontra amparo em iniciativas mais modernas e com mais recursos informacionais para a identificação de elementos indecomponíveis (MOTA, 2020a).
Quine, (1972, pg.51, 106), também avançou sobre conceitos particulares da linguagem natural, ele defende que os advérbios são necessários, eles não cumpririam um papel meramente estilístico,sendo possível analisar "x anda rapidamente" como "existe y, y é o andar de x, y é rápido". Devemos prestigiar sua análise de elementos gramaticais, pois ela vai na direção de identificar aquilo que realmente é fundamental para o conhecimento; o superlativo, por exemplo, é visto por ele como algo supérfluo, formalmente: "Fmais x" poderia ser traduzido por "existe y, Fmais xy e não existe y Fmais yx".
A respeito das razões que podem ter influenciado a negação da bivalência clássica, Quine afirma, (1972, pg. 115), que, de fato, há algumas que não são tão dignas de consideração, por exemplo: as diferentes gradações entre o preto e o branco. Portanto, para ele não faz sentido imaginar que há mais do que o falso e o verdadeiro. Mesmo que algo seja parcialmente verdadeiro, é possível identificar suas partes falsas e verdadeiras sem que seja necessário admitir mais valores de verdade. Outro fator criticado por ele é a confusão que as pessoas fazem entre conhecimento e verdade, neste ponto também devemos concordar, pois a opinião de pessoas sobre algo da realidade não modifica a realidade, mas somente a imagem que elas fazem dela.
É evidente que Quine tinha um apreço pela Física, talvez até exagerado e acrítico. Ele considera que o Princípio de Heisenberg é uma lei da Física quando, na verdade, não passa de uma formalização de um fato que expressa a limitação observacional humana, o mesmo pode ser dito a respeito de sua postura em relação a Gödel que o torna uma espécie de discípulo (QUINE, 2011, pg.34, 67, 185) (MOTA, 2020a). Portanto, a Mecânica Quântica não pode contradizer o princípio da bivalência, ele também coloca a Física acima da Teoria dos Conjuntos no que diz respeito à obtenção de uma compreensão integral da natureza. (QUINE, 1972, pg.116, 117)
Concordo quando Quine diz que a fronteira entre matéria e energia se dissipou, sua analogia das classes que são formadas por classes sucessivas assim como a matéria é muito feliz (QUINE, 2011, pg.70)
A respeito da lógica intuicionista, ele nos diz: "Falta à lógica intuicionista a familiaridade, a conveniência, a simplicidade e a beleza de nossa lógica." (QUINE, 1972, pg.118). De acordo com o que já vimos, creio que seja desnecessário prolongarmos a questão a respeito desta doutrina. De acordo com os seguintes trechos, de fato, a lógica possui um caráter problemático, indefinido e não conseguiu cortar o cordão umbilical que a conecta com a linguagem natural:
"Se a simples lógica não é conclusiva, o que será conclusivo? Que tribunal tão elevado poderá ab-rogar a lógica das funções verdade ou da quantificação?(...) Devem todos os espíritos equilibrados acreditar na Lógica, ou deve a Lógica por si mesma abranger toda a linguagem? Estas são questões de elevado teor. Parecem ressoar em um nível mais profundo da Filosofia da Lógica. As duas questões estão em completa harmonia, até o ponto de construírem duas formas para uma única questão. Neste momento, a primeira das duas questões, ou formas, provou não ter fundamento ou que todos os fundamentos não têm qualquer significado. Quanto à segunda questão ou forma, provou ser vazia (...). Há aqueles que antes procuram separar a lógica da linguagem (...). O motivo deles para separar a lógica da linguagem merece mais ser aplaudido do que o seu andrajoso expediente. Esse mesmo motivo não representa muita coisa para ser aplaudido, pois, como realcei nestas páginas, o predicado verdade já está presente e desempenha a função ativa de separar a Lógica da linguagem. (...) A Teoria Lógica, apesar de sua forte dependência em relação à linguagem, é mais orientada em relação ao mundo do que em relação à Linguagem. E o predicado verdade faz com que isso seja assim."(QUINE, 1972, pg.109, 129, 130, 131).
Quine desdenha da tentativa de separar a lógica da linguagem, somos induzidos a pensar que esta era uma questão incomoda para o filósofo, pois ele não conseguiu justificá-la convincentemente. Seu argumento de que o predicado verdade cumpre o papel de separar a linguagem e a lógica não faz sentido, já que a linguagem natural engloba o conceito de verdade e qualquer justificativa utiliza-se dela mesma para ser expressa.
"Não se admira de que se procure qualquer fundamento diferente para a verdade matemática e para a verdade lógica. Estas são as ciências mais firmes e nenhum fragmento de evidência empírica é atribuído a elas. Outras causas já revistas e deploradas, em recentes páginas, encorajarão ainda certos filósofos a elaborar uma Teoria Linguística da Verdade Lógica. Encontrando a Matemática e a Lógica por trás desta barreira, eles adotam a Teoria Linguística para ambas.(...)" (QUINE, 1972, pg.133, 134).
Acima vemos Quine idealizar a lógica e a matemática acima de qualquer empirismo, parece haver uma incoerência aqui, pois ele mesmo afirmou que a verdade deve-se à realidade, deixando claro seu posicionamento favorável à Física. Ao final vemos uma previsão que nos induz a pensarmos que esta questão, insistente, da linguagem, de fato, incomodava o filósofo.
"Ao encerrar sua conferência, Quine apresenta um panorama de como surgiu e se
desenvolveu a nova lógica de meados do século
xix
até os seus dias. A propósito, co-
menta a importância de George Boole, atribui o título de ‘fundador da lógica moderna’
a Gottlob Frege e lista expoentes desta, como Whitehead, Russell, Hilbert, von Neu-
mann, Gödel, Skolem, Charles Peirce, Alonzo Church, Tarski e Carnap. É com entusias-
mo que conclui afirmando sua crença de que as resistências ainda existentes em sua
época à nova lógica tendem a diminuir conforme esta vai se mostrando cada vez mais
frutífera, em especial nos Estados Unidos, que, devido aos conflitos mundiais, con-
centrava um número considerável de celebridades na área, entre as quais Gödel, von
Neumann, Tarski e Carnap."
https://www.revistas.usp.br/ss/article/view/11013/12781 pg.378 - 29/6/21-11:25
Em "Dois dogmas do empirismo", Quine critica divisão, proposta por Kant, entre verdades analíticas(fatos) e sintéticas(construídas com fatos). Ela não seria original, pois ele relata que Hume apresentara a distinção entre "relações de ideias" e "questões de fato" e Leibniz entre "verdades da razão" e "verdades de fato" que seriam equivalentes à "inovação" de Kant. (QUINE, 2011, pg.37,38)
Quine apresenta uma visão muito dura a respeito da linguística, mas com a qual devemos concordar:
"Na falta de uma explicação satisfatória para a noção de significado, os linguistas que trabalham no campo semântico se encontram na situação de não saber do que estão falando.(...) essa é uma situação insatisfatória, como dolorosamente sabem os linguistas com mentalidade mais teórica."(QUINE, 2011, pg.73)
A posição conivente de Quine o levou a considerar, seriamente, teorias absurdas como a de von Newman que dividiu o universo em coisas que podem ser membros e coisas que não podem: como dizer que há um universo e assumir que há coisas fora dele? Isto revela uma confiança cega em personagens que gozavam de certo prestígio. Ao considerar o paradoxo de Russell como algo correto (QUINE, 2011, pg.140, 142), Quine comprovou sua imperícia.
"o fato de que as classes são universais ou entidades abstratas É algumas vezes obscurecido por se falar delas como meros agregados ou coleções, Aproximando, assim, uma classe de pedras, por exemplo, uma pilha de pedras. a pilha é, de fato, um objeto concreto, tão concreto quanto as pedras e a formam; mas a classe de Pedras empilhadas não pode ser propriamente identificada com a filha. Pois, se pudesse, então, pela mesma razão, outra classe poderia ser identificada com a mesma pilha, a saber, a classe das moléculas das Pedras da pIlha. mas, na verdade, essas classes têm de permanecer distintas, pois queremos dizer que uma tem, por exemplo, apenas 100 membros enquanto a outra tem trilhões. as classes, portanto, são entidades abstratas; podemos chamá-las de agregados ou coleções, se preferirmos, mas elas são universais. Isto é, se houver classes. (QUINE, 2011, pg.161