ATEÍSMO x ISLAM O Alcorão tem autoridade sobre a Bíblia? Leonardo Correia Mota Há um grande aumento no número de publicações e estudos no seio do ateísmo contemporâneo, observa-se um volume substancial de livros, artigos, canais no YouTube, blogs, vlogs, podcasts etc. Tal fato pode ser explicado pela quantidade absurda de material contraditório e bárbaro presente nas escrituras judaico-cristãs (Bíblia e Torá). O Alcorão nos diz que Deus revelou a Torá e o Evangelho (não evangelhos), mas não afirma que eles foram preservados. Quase todas estas fontes de informação do ateísmo partilham de uma coisa em comum: alimentam-se atacando o cristianismo. O fato é que o Islam nos diz que os cristãos estão condenados à discórdia até o Dia do Juízo Final, portanto, atacá-los é como “chutar cachorro morto”: “E dentre os que disseram: ‘Por certo, somos cristãos’, firmamos sua aliança, porém eles esqueceram parte do que lhes foi lembrado, então incitamos a hostilidade e aversão entre eles, até o Dia da Ressurreição. Logo Deus os informará do que realizavam.” (ALCORÃO, Cap. 5, Vs. 14). Outro fato importante é que o Alcorão deve prevalecer sobre as escrituras anteriores, desta forma, todo o trabalho dos ateus deveria ser revisto: نم هيدي نيب امل اقدصم قحلٱب بـتكلٱ كيلإِ آَنلزنأَو هيلع انميهمو بـتكلٱ “E fizemos descer o Livro para você com a verdade confirmadora daquilo que, da escritura, estava entre as duas mãos e sobre ela predominar.” -Tradução literal própria - (ALCORÃO, Cap. 5, Vs. 48). “We have revealed to you ˹O Prophet˺ this Book with the truth, as a confirmation of previous Scriptures and a supreme authority on them.” (Tradução do Dr. Mustafa Khattab, the Clear Quran)1. “And We have revealed to you, [O Muḥammad], the Book [i.e., the Qur’ān] in truth, confirming that which preceded it of the Scripture and as a criterion over it.” (Saheeh International). “And We sent down to yousg the Scripture with truth, confirming whatever scripture that preceded it and an overseer over it.” (Fadel Soliman, Bridges’ translation). “We sent to you [Muhammad] the Scripture with the truth, confirming the Scriptures that came before it, and with final authority over them.” (Abdul Haleem). “We have revealed to you [O Prophet] the Book in truth, confirming the scriptures that came before it and as a criterion over them.” (Ruwwad Center). 1 Referências corânicas: Disponível em: <quran.com>. Acesso em: 24 dez. 2021.
We have sent you down the Book (the Quran) with the Truth, to confirm what was already there from the [previous] Book (all God’s books including Bible), and to safeguard it [from distortion].” (Muhammad Hijab). Aliás, este pensamento estende-se sobre todas as religiões: “Foi Ele Quem enviou o Seu Mensageiro, com a orientação e com a verdadeira religião, para fazê-las prevalecer.” (ALCORÃO, Cap. 61, Vs. 9). A lógica costuma fazer parte de discussões religiosas acaloradas que se estendem há milênios, analisemos o seguinte argumento costumeiramente utilizado por ateus para refutar a existência de Deus: “Se Deus pode tudo, então Ele pode fazer uma pedra que Ele mesmo não pode levantar, portanto Deus não existe.” Este raciocínio surge da incompreensão acerca da natureza dos paradoxos autorreferenciais, repare que a pessoa que o utiliza se contradiz dentro da mesma frase, pois, inicialmente, assume a hipótese da onipotência de Deus e, logo em seguida, diz que Deus não pode tudo. Isto é inaceitável em qualquer ramo do conhecimento, pois você não pode contrariar uma premissa, já que ela é estabelecida como ponto de partida para a construção de seu pensamento: pressupor que Deus pode tudo implica que Deus não pode fazer algo que Ele não possa fazer, dado que tudo que possa ser feito Ele pode fazer (por definição elementar de Deus). A fim de proporcionar um tratamento mais rigoroso e formal, devemos introduzir um conjunto de termos: • Np=“Deus não pode levantar a pedra p feita por ele”; • D=“Deus existe”; • T=“Deus pode tudo”; • F=“Deus faz tudo o que existe” - Repare que temos D→(T∧F) por definição de onipotência; • P=“Conjunto de todas as pedras que existiram, existem e existirão”. Traduzimos o argumento acima por meio desta terminologia e provamos que ele nos conduz a um absurdo, logo não pode ser admitido seriamente: D→(∃p∈P|Np)∧T∧F T→¬(∃p∈P|Np)=(∄p∈P|Np)=(p∈P→¬Np) ∴D→T→(∄p∈P|Np) ∧ D→(∃p∈P|Np) Tomando N=(∃p∈P|Np), obtemos: D→N∧¬N, absurdo. ▄ Além disso, teríamos (∃p∈P|Np)→¬T→¬D: outro absurdo, pois contraria a hipótese. Logo, se Deus existe, então, automaticamente, não existe, existiu nem existirá uma pedra que Ele não possa levantar. Peço licença ao leitor para compartilhar um pensamento pessoal que constitui um contraexemplo não formal para o raciocínio dos ateus: bastaria observar o Universo e seus corpos celestes, eles são como pedras (gases etc.) colossalmente gigantes e, mesmo assim, Allah as leva para onde quer que deseja como se fossem flocos de isopor ao vento. O problema dos ateus é que eles imaginam Deus como se fosse um homem, fato que os aproxima da idolatria cristã, isto limita seu pensamento ao universo sensorial dos animais. De acordo com a ciência, nossa espécie tem menos deum milhão de anos, enquanto que o Universo teria, aproximadamente, 15 bilhões e, segundo a concepção religiosa, Deus existia antes disso. Portanto, existem muitas problemáticas em visualizá-Lo como um homem diante de uma pedra. Kurt Gödel, um dos quatro maiores lógicos de todos os tempos (SANT’ANNA, 2005, p. 17)2, forneceu uma prova para a existência de Deus, cabe ressaltar que esta prova não é aceita por todos, pois utiliza lógica modal. De qualquer forma, é muito difícil os ateus terem algum tipo de perícia no campo da lógica ou matemática que permita contraporem-se a Gödel ou a diversos outros cientistas teístas renomados (por ex. Newton, Leibniz, Euler etc.), contudo, destacamos que são apenas homens e que Gödel não deve ser visto como um tipo de divindade intelectual nem mesmo se trata de uma unanimidade3. Segue uma formalização da prova de Gödel4: 2 SANT’ANNA, A. S. O que é um conjunto. Barueri: Manole, 2007.