SEMIÓTICA
A semiótica (ou semiologia) é o estudo dos sinais. Um de seus fundadores, o linguista suíço Ferdinand de Saussure, via a semiologia como “uma ciência que estuda a vida dos signos no seio da vida social” (MADEIRA 2001, pg.54 - apud Saussurre), portanto ela faria parte da psicologia social. Apesar desta definição ter sido utilizada neste sentido no século XVII pelo filósofo inglês John Locke, a semiótica como um campo científico interdisciplinar, surgiu apenas mais tarde.
De acordo com a enciclopédia Britannica, em suas origens, a palavra “semiótica” referia-se à teoria que estudava os sintomas médicos. John Locke, no século XVII começou a aplicar esta expressão para o estudo de signos (símbolos e sinais) e seus significados, mas foi Rudolf Carnap (1942) que delineou o uso atual no qual a semiótica seria a ciência geral dos sinais e idiomas e, em referência à Charles William Morris, propôs sua divisão em 3 ramos:
Pragmática com foco no usuário da linguagem, este ramo abrange psicologia, sociologia e história do uso de signos, especialmente de linguagens;
Semântica que analisa as expressões e seus significados (denotações), este ramo contém a teoria da verdade (ver capítulo sobre Tarski) e a teoria da dedução lógica;
Sintaxe que estuda apenas as relações formais entre as expressões, contém a lógica formal.
Saussure via a linguagem como um sistema de sinais, seu estudo da linguística forneceu as bases sobre as quais os semióticos aplicaram a outros sistemas simbólicos diferentes da linguagem. Saussurre distinguia dois conceitos inseparáveis:
O significante que seriam os sons e marcas escritas (coisas físicas);
O significado que é aquilo que o signo representa (o conceito) ou ideia por trás do signo.
Apesar das definições e caracterizações descritas acima, os semióticos parecem se interessar mais pelos aspectos subjacentes (ou as entrelinhas) que tornam essas expressões compreensíveis com esta ideia servindo de eixo para o estruturalismo linguístico.
Não devemos esperar uma resposta clara, sistematizada ou rigorosamente formal da semiótica, pois, de acordo com Madeira (2001, pg.58), trata-se de uma “ciência humana”. Pessoalmente, acho exagerado dizer que ela abarque tudo aquilo que foi descrito nos três ramos acima, pois não é capaz de descrever todos estes elementos de forma convincente:
“(...) observamos a ausência de definições precisas ou satisfatórias(...) dos quadrados semióticos.” (MADEIRA 2001, pg.409)
A partir da década de 1970 houve uma tentativa de contornar o caráter vago, não rigoroso, do estudo da pragmática das linguagens naturais, que era de pouca importância para os lógicos anteriores os quais se interessavam mais em verdades universais ou matemática. Este fenômeno convergiu paralelamente ao aumento do interesse em linguística, cujos resultados não são muito promissores conforme descrevemos neste livro. Também houve, dentro desta ciência, esforços de formalização de ciências empíricas, como física, biologia e até psicologia. Porém muitos estudiosos puseram em dúvida se houve, de fato, avanços neste sentido.
https://www.britannica.com/topic/metalogic/Influences-in-other-directions consultado em 15/08/21, 11:24
LÓGICA E LINGUAGEM - UMA LÓGICA DOS UNIVERSOS DE DISCURSOS - 2ªEDIÇÃO - RICARDO BAPTISTA MADEIRA - EDITORA PLÊIADE -SÃO PAULO - 2001
http://www.ditext.com/runes/s.html consultado em 15/08/21 às 11:05 Dictionary of Philosophy(Ancient - Medieval - Modern) edited by Dagobert D. Runes (and 72 Authorities)
https://www.britannica.com/science/semiotics consultado em 15/08/21, 11:20