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quarta-feira, 5 de agosto de 2020

QUANTIFICADORES ∃ EXISTE E ∀ PARA TODO


QUANTIFICADORES ∃ EXISTE E ∀ PARA TODO

Existem frases que não podemos dizer se são verdadeiras ou falsas sem termos mais informações, por exemplo: “x fez mais de 1000 gols”. Esta frase depende da variável x, portanto dizemos que se trata de uma função proposicional. Escrevemos p(x) para representar uma proposição aberta que depende da variável x∈U, onde U é denominado “o universo de discurso”, se x=Pelé, então teremos que p(x) será verdadeira.
O quantificadores permitem transformarmos uma proposição aberta em uma proposição fechada:

  • x∈N; x+3=4;
  • x∈N; x+0=x;
Estas expressões podem ser reescritas das seguintes formas:

  • Existe x∈U tal que p(x) é verdadeira;
  • Para todo x∈U temos p(x) verdadeira.

Admitindo estas formas genéricas de ocorrência, podemos dizer que o quantificador existencial sempre ocorre na forma xU:p(x) “existe x pertencente a U tal que p(x) é verdadeira”, na TNL teríamos (.x, U.x, .p(x)). Repare que as únicas especificações de x são que ele existe e que está contido em U, em princípio, não se sabe se ele é o único que faz com que p(x) seja verdadeira ou mais detalhes a seu respeito.
Quando queremos dizer que existe um único x tal que p(x) é verdadeira, utilizamos o símbolo ∃!, para expressarmos ∃!xU:p(x) na TNL basta escrevermos .(p(y))>x.y.x, neste caso a única especificação de y é que p(y) é verdadeira, podemos entender isto como um tipo de generalização já que não se sabe mais nada a respeito de y, mas, em termos gerais, quando não generalizamos com o uso do quantificador universal ∀, estamos especificando. Interpretar a indefinição como a falta de especificação também pode não estar correto, pois ao dizermos "uma mulher ganhou na loteria" estamos nos referindo a uma mulher específica.
Cabe relembrar que a TNL define o conceito de existência de forma mais fundamental do que esta aplicação restrita da lógica de primeira ordem.
O quantificador existencial também pode ser descartado pela lógica como um símbolo primitivo, pois pode ser escrito em termos de outros símbolos: ∃xA = ¬∀x¬A “existe x tal que A é verdadeira é igual a dizer que não é verdade que para todo x A é falso”.
O quantificador universal ∀ também pode ser fragmentado pela TNL. Dizer que para todo x∈U temos p(x) verdadeira “∀x∈U:p(x)” equivale a (U.x)>.(p(x)) “U ter x faz ter p(x)”. Observando esta última fórmula, podemos concluir que o quantificador universal pode ser resumido a uma implicação lógica, por exemplo: “∀ homem ∃ uma morte” equivale a dizer que os homens estão contidos no conjunto dos mortais o que é o mesmo que dizer que se x é homem, então x é mortal. Dizer “para todo x real temos y” equivale a dizer que “se x é real, então existe y”, em resumo temos que a implicação lógica, a relação de pertinência da teoria dos conjuntos e o ∀ são conceitos equivalentes. Pode parecer estranho afirmar que isto vale para a implicação, o exemplo que demos no capítulo 6 diz que x+1=2→ x=1, poderíamos afirmar que a equação x+1=2 está no conjunto C das equações que possuem o 1 como solução, logo C.(x+1=2)>(x=1). Aqui temos algo que é intrínseco ao conjunto Ω de todas as coisas: se Ω.x, então x terá as características determinadas pela intersecção dos conjuntos que o contém com todas as suas implicações.