LÓGICAS
Existem lógicas alternativas que podem ser descritas como sistemas variantes da lógica clássica, além disso, segundo Haack (2002, p. 269, 309), os argumentos que tentam sustentar tais lógicas "foram, muito constantemente, bastante fracos".
Penso ser claro que a tentativa mal-sucedida de formalizar a linguagem natural produziu todas estas lógicas, pois é evidente que elas utilizam-se de pares tipo "lógica+x" onde x é um conceito da linguagem natural:
- As lógicas modais inserem os conceitos de "necessariamente e possivelmente": Quine não apoiou estas lógicas (HAACK, 2002, p. 53, 87, 239, 240), para ele elas seriam uma extensão da lógica clássica que baseiam-se em confusão e são desnecessárias. Ainda, segundo a autora, há muitos aspectos do discurso modal na linguagem cotidiana que as lógicas modais não abarcam, por exemplo: modificadores (como perfeitamente, remotamente etc.), o tempo e o modo verbal. Além disso, é fato que os filósofos são incapazes de concordar sobre o valor de verdade para fórmulas deste tipo de lógica (HAACK, 2002, p. 258, 259, 260);
- Lógicas temporais e lógicas de preferência;
- A lógica intuicionista;
- Lógicas de relevância: de acordo com Haack (2002, p. 263, 267), estas lógicas são numerosas assim como as modais, além disso possuem rivalidades entre si. Para os lógicos da relevância, B seria dedutível a partir de A apenas no caso desta dedução usar Be não apenas percorrer B. Segundo a autora isto precisa ser melhor explicado por parte destes teóricos.
- Lógicas deônticas consideram os conceitos de "dever e poder";
- Lógicas fuzzy (difusas)
- Lógica erotélica (lógica das questões)
- Lógicas da falta de significado: para Haack (2002, p. 2020) estas lógicas não são necessárias nem desejáveis;
- Lógica imperativa
- Lógica combinatória: Quine comentou de forma muito irônica a respeito desta lógica (HAACK, 2002, p. 81);
- As lógicas espistêmicas consideram o "saber" e o "acreditar", tais lógicas não seriam realmente lógicas de acordo com Haack (2002, p. 31, apud DUMMETT, 1973, p. 285-288 & KNEALE, 1962, p. 610), para eles as noções de crença e conhecimento seriam vagas;
- De acordo com Haack (2002, p. 274-278) a lógica trivalente foi apresentada por Lukasiewicz a partir de um argumento proveniente de Aristóteles: enunciados futuros não poderiam ser nem verdadeiros nem falsos, pois, neste caso, estaríamos comprometidos com a ideia de destino (fatalismo), desta forma a bivalência deveria ser abandonada. Particularmente, sou da opinião da autora que também acha este argumento inválido, para ela o fatalismo não surge da bivalência, porém creio que devemos antes responder à seguinte questão: "o que vai acontecer vai acontecer?". Reichenbach, assim como Lukasiewicz, entendia o 3º valor de verdade como o "indeterminado", para mim isto indica apenas o fato de desconhecermos o que será, é uma limitação humana inerente que não mudará o fato deste "indeterminado" ser obrigatoriamente verdadeiro ou falso. Esta postura parece ter surgido para atender às necessidades da mecânica quântica com seu "princípio de incerteza" (1927), no mundo quântico é impossível medir (e portanto saber) tanto a posição quanto o momento de uma partícula de forma simultânea, Bohr e Heisenberg propuseram que enunciados com estes dois dados careciam de sentido ou seriam malformados. Sinceramente, não vejo razão para propor um terceiro valor de verdade baseado no fato de sermos limitados para fazer medições, isto pode ser facilmente contornado com o uso do conectivo "ou", portanto o 3º valor de verdade pode ser substituído por V ou F. O mesmo pode ser dito para a lógica trivalente de Kleene cujo 3º valor representa "indecidível", esta palavra mostra uma incapacidade de decisão, o que não implica haver um 3º valor diferente de verdadeiro ou falso. As lógicas polivalentes são contrárias à teoria bivalente de Tarski, pois o esquema T é contrário às teoria de verdade não bivalentes, no entanto, as lógicas polivalentes possuem um cárater funcional-veritativo assim como a lógica clássica, pois o valor de suas fórmulas bem formadas dependem apenas dos valores de seus componentes. Além disso, a questão se torna mais problemática ao considerarmos o fato de que as tabelas-verdade das lógicas polivalentes não estarem totalmente resolvidas (HAACK, 2002, p. 118, 270).
VERDADES
O conceito de pós-verdade refere-se ao fenômeno cuja influência sobre a opinião das pessoas fala mais alto do que os fatos, a pós-verdade pode utilizar-se de fatores emocionais, crenças, sensacionalismos, status social de quem fala etc. Digo isto, por questionar justamente o o ambiente acadêmico contemporâneo, devemos levar isto em consideração ao analisarmos muitas teorias: parte delas podem ser apenas resultados sem fundamento deste ambiente?
, além disso, o que dizer dos fundamentos da matemática os quais se fundamentam basicamente sobre a lógica de primeira ordem e a teoria dos conjuntos?
Aristóteles 384 a.C.-322 a.C.
De acordo com Haack (2002, p. 306, 309), Kant confiava na lógica aristotélica porque esta abarcaria as "formas de pensamento" e que só podemos pensar de acordo com estes princípios.
Para Kant, desde Aristóteles, a lógica não avançou nenhum passo significativo, ela estaria pronta e seria perfeita. Ele faz uma dura crítica aos filósofos que tentaram aumentá-la com capítulos psicológicos etc. com ignorantes a respeito da natureza peculiar da ciência lógica. Kant apresenta a seguinte tabela para a organização dos juízos:
I II III IV
Quantidade Qualidade Relação Modalidade
Universal Afirmativo Categórico Problemático
Particular Negativo Hipotético Assertótico
Singular Infinito Disjuntivo Apodítico
"(...) somos incapazes de formular qualquer sentença composta sem usar conectivos sentenciais ou outros termos lógicos definidos com seu auxílio. Felizmente, a situação não é tão ruim." (TARSKI, 2007, p.182)
Frege 1848-1925
Tarski 1901-1983
Gödel 1906-1978
Desenvolvimento
Estrutura
Os conectivos (e, ou, não e implica) já haviam sido identificados por Crisipo (século III A.C.)(DOXIADIS & PAPADIMITRIOU, 2010, p. 322)
A lei do 3º excluído p ou não p e a bivalência para todo p p é V ou p é F devem ser equivalentes na minha opinião
Eu: Houve, a partir de Gödel, um tipo de concílio que delimitou o que seria canônico...
se tivesse outra origem haveria muitas discrepâncias